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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Resenha: O vampiro que ri


O princípio dos "prazeres"

Dos três mangás de Suehiro Maruo lançados no Brasil, O Vampiro que ri é o mais raro de se encontrar no mercado. Suas edições estão esgotadas.

A história narra os acontecimentos macabros que antecedem a trama do ótimo Paraíso - O sorriso do Vampiro, já resenhado aqui no blog.  Nele, descobrimos a origem da repulsiva e misteriosa Corcunda, assim como os detalhes por trás das metamorfoses de seus servos sugadores de sangue, Konosuke Mori e Runa Miyawaki, outrora pacatos estudantes de ensino médio da região de Tóquio.

Personagens como Sotoo Henmi, rapazinho piromaníaco e com fortes tendências psicóticas e Kan, um palhaço pedófilo e estuprador dão à trama um tom mais sádico e doentio que deixaria o Marquês de Sade orgulhoso. Até onde o ser humano é capaz de ir quando a satisfação de seus impulsos e instintos são suas metas primordiais?

Descubra lendo esta obra se os temas nela retratados lhe apetecerem e se o encontrar disponível para venda em algum lugar especializado. Trata-se de um verdadeiro tesouro do mangá underground japonês. Raro e indispensável.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Resenha: Olhos de pantera


Matador de feras à espreita

Um novo assassino em série está a solta em Bon Temps, Louisiana. E novamente temos a garçonete telepata Sookie às voltas com mistérios, crimes aparentemente insolúveis e claro, seres sobrenaturais.

Aliás, em Olhos de Pantera, o quinto volume das aventuras de Sookie Stackhouse (escritas por Charlaine Harris), as criaturas sobrenaturais são as vítimas da vez, não mais mulheres e jovens indefesas. E indefesa, definitivamente, não é mais um rótulo que se aplica à protagonista da história, pois, mais à vontade com seus poderes psíquicos e também mais experiente no quesito defesa pessoal, Sookie quer provar a todos e principalmente a ela própria de que pode cuidar de si, ainda mais depois de estar oficialmente livre de compromisso com seu vizinho vampiro e ex-amor, Bill Compton.

Porém, desta vez, não será fácil pegar o assassino. Ele também é de origem sobrenatural e Sookie não consegue ler com clareza seus pensamentos. Mas sabe, lá no fundo que ele está completamente obcecado em destruir mutantes metamorfos como ele, colocando assim em perigo o único irmão da própria Sookie, Jason, um recém-criado homem-pantera.

A trama é concisa, envolvente, mas em comparação ao livro anterior é um pouco fraca e confusa em algumas passagens. Mesmo assim, a diversão é garantida, ainda mais para os fãs desta série de livros em particular e do seriado de TV a qual ela deu origem, True Blood.

Portanto, leia sem culpa. E descubra que no mundo de Sookie, repleto de seres e acontecimentos estranhos,   os temíveis vampiros são apenas uma pequena ponta de iceberg.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Resenha: Sombras da Noite



Contos de mestre


Stephen King é um sujeito que dispensa apresentações caso você tenha vivido neste planeta nas últimas cinco décadas e seja do tipo antenado com as novidades do cinema, da televisão e principalmente da literatura fantástica. Mas caso ainda não saiba de quem se trata, farei um breve resumo sobre algumas coisas que fez ou que estão de certa forma ligadas a ele, a fim de refrescar-lhe a memória. 

Já ouviu falar em um certo cemitério maldito, onde quem nele foi enterrado acabou voltando à vida de forma estranha? E em Carrie, uma garota esquisita e sem graça que, com poderes inexplicáveis, dizimou todos os alunos e professores de sua escola na noite do baile de formatura? Ou então já deve ter ouvido falar em uma certa cidade perdida no interior dos Estados Unidos onde as pessoas nunca envelhecem graças a um poder oriundo de um milharal demoníaco, que exige como pagamento de seus préstimos a sua periódica adubagem com sangue humano fresco.

E então? Estas histórias lhe soam familiares? A última, em particular, se trata de um dos vinte contos que integram este livro. E sim, Sombras da Noite é um livro de contos, um dos melhores de Stephen King, o mestre máximo do terror na literatura, apesar de algumas poucas e enfadonhas exceções que podem ser encontradas nesta obra. Publicada originalmente na terra natal de King em 1978, faço então um breve resumo das histórias que classifiquei como as melhores:

Jerusalem's Lot: atualmente, uma cidade fantasma da qual ninguém ousa se aproximar, principalmente à noite (leia o livro A Hora do Vampiro, também de King, para saber mais). Mas este conto (escrito na forma de cartas trocadas entre alguns personagens) narra acontecimentos decisivos e sinistros que ocorreram no local antes que o mal se espalhasse completamente por ele.

Último turno: é o conto que justifica a ilustração da capa da atual edição brasileira do livro (a que ilustra o post) e que foi produzido em filme em 1990 sob o título de A Criatura do Cemitério. Um grupo de pessoas que trabalham com limpeza pública e esgotos resolvem explorar a fundo um de seus locais de serviço e acabam encontrando o inimaginável...

Ondas noturnas: a humanidade inteira é, aparentemente, dizimada por um vírus mortal. Mas existem alguns sobreviventes...

A máquina de passar roupas: é o conto de King que deu origem a uma das histórias relatadas no filme Mangler - O grito de terror. E se passa em uma lavanderia que possui em seu mobiliário uma máquina de passar roupas com um apetite voraz por carne humana.

O bicho-papão: homem discute com seu psicoterapeuta fatos macabros e inexplicáveis do seu passado que sempre lhe assombraram. Existiria mesmo o ser sobrenatural que dá nome ao título do conto?

Massa cinzenta: uma bebida com efeitos sinistros. Um homem que, repentinamente, pára de ser visto em sua vizinhança e agora vive recluso em seu apartamento. Que segredos ele e seu único filho guardariam?

Campo de batalha: este conto foi adaptado com êxito para um dos episódios da série Nightmares & Dreamscapes. Um talentoso assassino profissional chega em casa após mais um dia de sucesso em suas empreitadas escusas. A mais recente? Assassinar o proprietário de uma fábrica de brinquedos. Porém, o que ele jamais poderia prever era a vingança do morto, na forma de simples soldadinhos que lhe são enviados de presente...

Caminhões: este deu origem às duas versões de Comboio do Terror, uma de 1986 (dirigida pelo próprio King) e um remake de 1997. Imagine pessoas entrando em uma lojinha numa estrada de fim de mundo e descobrindo, logo depois, que todos os caminhões ao redor criaram vida própria e decidiram fazer uma rebelião contra os humanos.

Primavera Vermelha: não poderia faltar neste livro uma história envolvendo assassinos em série, não é? Esta também fez parte do filme Mangler - O grito de terror e narra a volta de um deles à ativa, depois de longos anos de inatividade. E nos mesmíssimos arredores da universidade na qual, anteriormente, causou terror entre os estudantes, sem jamais ser capturado pelas autoridades.

O Ressalto: Conto que foi adaptado para o filme Olhos de Gato. Um magnata resolve acertar as contas em definitivo com o amante tenista de sua esposa, mas de uma forma inusitada: se o sujeito conseguir dar a volta no prédio em que estão, usando apenas o ressalto, ele sairá vivo da história, ainda por cima com a mulher e com uma boa quantidade de dinheiro. Será que ele aceitou?

Ex-fumantes LTDA: também adaptado para Olhos de Gato, narra os métodos pouco ortodoxos que uma empresa utiliza para coagir fumantes a largar seus vícios em cigarros e charutos.

As crianças do milharal: é a história do filme Colheita Maldita, a qual já descrevi aqui na resenha, sobre o milharal e as crianças que nunca envelhecem e como um casal de namorados arca com as consequências quando chegam ao local sem serem convidados.

O último degrau da escada: é o único conto que destoa dos demais do livro por ser triste, melancólico. É a história de dois irmãos e um acidente trágico que muda suas vidas. Tocante.

O homem que adorava flores: Um rapaz feliz andando pelas ruas, carregando um buquê de flores. As pessoas ao redor logo o imaginam apaixonado, feliz com alguma namoradinha. Mas as aparências enganam...

A saideira: De volta à maldita Jerusalem's Lot, ficamos cara a cara com o mal supremo que vive escondido nos subterrâneos da insuspeita igrejinha da cidade.

Impressionado com as histórias? Há outras, claro, mas se não foram do meu gosto, podem ser do seu. Então, o que está esperando? Leia. King é rei!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Resenha: Procura-se um vampiro


Um novo amor para Sookie?


Procura-se um vampiro é o quarto livro das crônicas de Sookie Stackhouse, escrito por Charlaine Harris, e de longe o melhor de todos até o momento, embora eu ache que ainda falta um pouco mais de empolgação e evolução à trama, que ainda está morna.

Em Morto até o anoitecer, primeiro livro da série, conhecemos Sookie, seu dom para telepatia, encrencas e a sua nova rotina ao iniciar namoro com um vampiro suspeito, em potencial, num caso de assassinatos em série que andam acontecendo na pequena cidade onde ela e sua família vivem, Bon Temps, Louisiana, Estados Unidos.

Em Vampiros em Dallas, o segundo, vemos Sookie e seu namorado Bill Compton em uma das principais cidades do Texas às voltas com investigações sobre uma seita de fanáticos religiosos que querem a eliminação de todos os vampiros do mundo, mesmo estes tendo saído da obscuridade desde que cientistas japoneses, munidos de grande astúcia, inventaram o sangue sintético que lhes garante a sobrevivência sem que precisem matar pessoas para saciar a sede.

No terceiro livro, Clube dos Vampiros, Bill desaparece misteriosamente em uma missão secreta e cabe a Sookie encontrá-lo, mesmo que seja preciso a sua involuntária infiltração no meio de um dos principais pontos de encontro das criaturas sobrenaturais que infestam os Estados Unidos, o Club Dead, e ainda por cima com a ajuda de mutantes, duendes, um lobisomem que mexe com a sua libido (o destemido Alcide Herveaux) e o chefe de seu namorado (o sedutor e aparentemente perigoso vampiro Eric Northman).

Agora, neste quarta aventura, encontramos uma Sookie fragilizada pelos acontecimentos ocorridos no terceiro livro, em especial com o rompimento definitivo de seu namoro com Bill. É véspera de ano novo e nossa heroína está firme em novas resoluções para a sua vida que não envolvam assassinatos, espancamentos e sangue derramado ou sugado.

O que ela não esperava, entretanto, já na volta para casa da festa de ano novo em que participa no seu trabalho, era encontrar na estrada um Eric Northman completamente desnorteado, desmemoriado e nu em pêlo, para seu mais secreto deleite. Piedosa como sempre (e um pouco excitada), mesmo que seu objeto de pena (e desejo) seja uma imprevisível máquina de matar, Sookie leva Eric para a sua casa onde ele se torna seu hóspede por tempo indeterminado, pois sondando posteriormente os motivos que o levaram até ali, ela acaba descobrindo que a cabeça dele foi posta a prêmio por um perigoso clã de bruxos recém-chegados a Louisiana e que querem tomar conta do poderio sobrenatural no local, também conhecido como Área 5 e onde Eric é o xerife.

Indo contra as suas resoluções de ano novo, Sookie decide ajudar Eric a recobrar sua memória e também ajudar a comunidade sobrenatural da Área 5 a combater os indesejáveis invasores. Mas desta vez Sookie não poderá mais contar com a outrora certeira ajuda de Bill em suas aventuras, por conta do rompimento da relação entre eles e também por causa da mais nova viagem secreta de Bill, sob as ordens da Rainha Vampira da Louisiana, à América do Sul.

Outros acontecimentos que Sookie não poderia prever no decorrer da história são o súbito e misterioso desaparecimento de seu irmão Jason e os sentimentos novos que começa a nutrir por Eric. Mas não o Eric debochado, rude e frio que ela conhece e despreza, mas um Eric novo, mais amável, protetor, carinhoso e provavelmente mais verdadeiro em sua essência, que talvez jazia adormecida nele ao longo dos anos, o que é de se estranhar, já que vampiros não possuem almas.

Apesar das histórias mornas até o momento, é muito difícil não se apaixonar por Sookie e seus amigos. Talvez seja isso que ainda me mantenha preso a estes livros, sempre ansiando pelo lançamento de novos títulos da série, que nos Estados Unidos já totalizam dez.

Se você é fã, já sei que irá correndo atrás do seu. Se não é, esqueça um pouco seus preconceitos literários e procure conhecer as crônicas de Sookie, nem que seja por mera diversão.

E até a próxima resenha!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Resenha: 13 dos Melhores Contos de Vampiros


Indispensável para fãs de vampiros

Flávio Moreira da Costa reuniu em uma antologia 13 contos vampirescos que supostamente deveriam representar o que há de melhor dentro deste popular gênero de ficção narrativa, já que, desde tempos imemoriais, vampiros são assunto na literatura e nas rodas de conversas das mais diversas culturas e povos, especialmente os europeus.

Entretanto, apesar de ter gostado muito de alguns contos da obra, não há como qualificar todos eles como os melhores. Neste livro o autor resgata textos escritos em épocas e culturas diversas, frutos de movimentos culturais aparentemente sem ligação, constituindo assim uma salada de múltiplos sabores para os mais diversos paladares. O diferencial é que uma grande parte destes contos jamais havia sido publicada no Brasil, sem falar em alguns de seus autores, famosos lá fora, mas completamente desconhecidos em território nacional, como o irlandês Sheridan Le Fannu.

Por conta disso, muitos dos vampiros desta coletânea apresentam algo inédito, diferente. Destaco com louvor as criaturas que aparecem nos contos "O estranho misterioso" (de autor anônimo), "Carmilla" (do já citado Le Fannu), "Luella Miller" (Mary Eleanor Wilkins-Freeman), "A transferência" (Algernon Blackwood - guarde bem esse nome), "O quarto da torre" (Edward Frederic Benson), e "A história de Chugoro" (de Lafcadio Hearn, que possui lançada no mercado brasileiro uma boa coletânea de contos de horror japoneses chamada Kwaidan - Assombrações).

Entretanto, as maiores pérolas do livro são "O hóspede de Drácula", de Bram Stoker, que na verdade se trata de um capítulo inédito de sua obra-prima "Drácula" que, por razões desconhecidas, acabou não entrando nos originais do livro e "O Senhor de Rampling Gate", conto inédito de Anne Rice.

Mais interessado agora? Embora as tramas destes contos sejam mais sutis do que sanguinolentas, creio que este livro deixaria sua biblioteca de livros de horror bem mais interessante, até pelo caráter clássico e influente que cada uma de suas histórias carrega. Portanto, saia logo em busca do seu porque ele é um pouco difícil de ser encontrado por aí.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Resenha: O caso de Charles Dexter Ward


Cabalístico

Eis um livro recomendadíssimo para os fãs da literatura de horror. Se você ainda não conhece as obras de  H. P. Lovecraft, já é hora de fazê-lo, iniciando então com este O Caso de Charles Dexter Ward.

Trata-se de um livro não muito longo, tanto que a única edição brasileira em circulação no momento saiu pela L&PM Pocket, ótima editora especializada em livros de bolso. Mas, embora pequeno, a obra é dotada de um conteúdo poderoso que vai mexer bastante com os seus nervos.

A história do livro gira em torno da existência de um misterioso homem chamado Joseph Curwen, que viveu em Providence no século XVIII e que era possuidor de hábitos bastante estranhos e cabalísticos. Suspeitava-se, entre as pessoas da povoação, que Curwen realizava rituais satânicos ou coisas do tipo em sua fazenda, como vampirismo e canibalismo. Por conta destes boatos e do crescente número de fenômenos sobrenaturais em torno de sua morada, acabou sendo morto por populares em circunstâncias que durante séculos foram guardadas a sete chaves e esquecidas.

Porém, cerca de duzentos anos depois, um de seus descendentes diretos, o Charles Dexter Ward do título, promissor e apaixonado estudante de história de Providence, descobre por um acaso seu parentesco com o temido Curwen.  A vida do antepassado o intriga de tal forma que ele passa a investigar, por conta própria, os acontecimentos que cercaram o indivíduo e a comunidade há séculos atrás. Porém, depois de certo tempo, a vida de Charles, que outrora era promissora e feliz, muda radicalmente de rumo quando ele começa a adotar os mesmos estranhos hábitos de seu ‘ilustre’ familiar.

Para um primeiro contato com as obras de Lovecraft, este livro pode ser um pouco cansativo, pela quase inexistência de diálogos, já que se trata de um relato minucioso da vida de dois homens que se entrelaçam de tal forma que fica difícil, às vezes, distinguir quem é quem. Um livro perfeito, que prende o leitor, especialmente aquele que possui nervos de aço e que não se incomoda com mistérios e atmosferas sombrias.

Howard Phillips Lovecraft, o autor, é nascido em Providence, Rhode Island (1890-1937), interessava-se pela ciência e suas conquistas modernas e pelo ocultismo. Tão cultuado como Edgar Allan Poe, é autor de admiráveis histórias de terror e sobrenatural que influenciaram decisivamente o desenvolvimento da science fiction. Além deste O caso de Charles Dexter War, publicou, entre outros, The Tomb, The Lurking Fear, The Cream-Quest of Unknown Kadath e The Doom that Came to Sarnath. E alguns destes títulos estão disponíveis no Brasil, no idioma pátrio. Caso tenha curiosidade por eles, procure-os nas melhores livrarias ou sebos.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Resenha: O Natal de Poirot


Natal sangrento

Que data mais perfeita do que o Natal para estrear uma resenha sobre um livro da majestosa rainha do crime aqui no blog! E especialmente o seu livro mais natalino e tido como o mais 'sangrento'.

Este alerta sobre sangue é ela mesma quem faz, em uma espécie de mensagem-prefácio ao livro, dedicada ao seu cunhado:


"Meu Querido James


Você sempre foi um dos meus leitores mais fieis e bondosos e, por isso mesmo, fiquei seriamente perturbada ao receber seu comentário crítico.
Queixou-se de que meus assassinatos estariam ficando refinados demais – na verdade, anêmicos. Demonstrou, também, o desejo de “um assassinato dos bons, violento e cheio de sangue”. Um assassinato em que não houvesse dúvida de ser assassinato!
Pois esta aí a história que escrevi especialmente para você. Espero que lhe agrade.
Com todo o carinho, de sua cunhada."


É véspera de Natal. A reunião da riquíssima e poderosa família Lee é arruinada pelo barulho ensurdecedor de móveis sendo destroçados, seguido de um grito agudo e sofrido. No andar de cima, o tirânico Simeon Lee está morto, numa poça de sangue, com a garganta degolada. Mas quando Hercule Poirot, que está no vilarejo para passar o Natal com um amigo, se oferece para ajudar, depara-se com uma atmosfera não de luto, mas de suspeitas mútuas. Parece que todos tinham suas próprias razões para detestar o velho...

Isso inclui quatro de seus filhos, três cunhadas, um enfermeiro pessoal, um mordomo e uma recém-chegada e reconhecida neta do morto, que foi gerada pela sua única filha,há anos fugida de casa, junto a um aventureiro espanhol e  já falecida.

O interessante dos romances de Agatha são os personagens que nele desfilam, em especial este, todos envoltos no mais espesso véu da ambigüidade. São realmente bons ou maus? Quais suas verdadeiras intenções?

A história é basicamente esta. Não me aprofundarei mais porque acabo correndo o risco de falar mais a respeito da mesma e deixando possíveis leitores chateados com informações que estraguem a sua leitura. Afinal, mistério é mistério.

Mas confesso que diverti-me bastante com este livro. Tinha em mente ler algo mais leve e condizente com o clima natalino neste final de ano, como o fiz ano passado, lendo Cântico de Natal do Dickens, mas este ano calhou deste aparecer em minha pilha de livros por ler.

Corra então e leia o seu exemplar. Senão, terá de esperar até o próximo natal para saber quem é o assassino. E creio que isto seria algo que você não gostaria de perder, não é?

Até a próxima!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Resenha: Clube dos vampiros


Sookie adquire mais experiências e... hematomas

Inicio esta resenha fazendo uma crítica um pouco ácida a esta edição brasileira do livro. Se você não leu ainda os livros anteriores, não leia o próximo parágrafo, que está em itálico. Vá direto ao próximo depois dele, pois este em questão contém um SPOILER., uma revelação importante do livro anterior a qual com certeza você não quer saber se ainda não o leu. Por isso, não quero ser mais um dos inúmeros estraga-prazeres espalhados pela internet que ficam contando, inconsequentemente e em riquezas de detalhes, as passagens importantes e até mesmo finais de diversos livros que nem todos conhecem ainda.

Não sei se está de acordo com a editora original, mas a Benvirá (selo editorial recente do Grupo Saraiva), no afã de relacionar o livro com a série, colocou uma foto com todo o elenco de True Blood na capa, o que constitui um equívoco terrível. Mas como, se a Tara que conhecemos na série sequer aparece nos livros e seu primo Lafayette, também presente nela, já até morreu no segundo? Sei que na série ele continua vivíssimo, mas convenhamos: livro é livro e série é série. E se há algo que realmente tenho estranhado muito nas edições nacionais da série em livro é esse troca-troca de editoras. Morto Até o Anoitecer, o primeiro livro, saiu pela Ediouro. Vampiros em Dallas, o segundo, saiu pela ARX. Sabe por onde o próximo sairá se essa Benvirá não se estabelecer como a Editora definitiva dos livros de Charlaine Harris em terras brasileiras.

Mas, focando agora no livro, Clube dos vampiros é o terceiro livro de Charlaine sobre as aventuras da garçonete telepata Sookie Stackhouse e dos companheiros nada convencionais que a acompanham nessas empreitadas, como os vampiros Bill (namorado), Eric, Pam, Bubba e uma uma infinidade de outras criaturas estranhas, como mutantes e lobisomens, que cruzam seus caminhos na pequena e aparentemente pacata cidade de Bon Temps, na Louisina (EUA).

A história se inicia com fortes indícios de que a relação de Bill e Sookie não é mais a mesma, desde que se conheceram. Distante, frio, desinteressado por climas românticos, Bill anda às voltas com missões secretas que lhe foram designadas pela rainha vampira da Louisiana, tão secretas que nem mesmo Eric, seu superior imediato, sabe de suas existências. Ou talvez desconfie.

Um rompimento entre os dois então é inevitável e mesmo arrasada, Sookie tenta retomar sua vida do zero, como se isso fosse possível. Após certo tempo, recebe a visita do próprio Eric, em pessoa e de Pam, sua assistente, que lhe noticiam o desaparecimento de Bill, e interessadíssimos, claro, em  saber também o que poderia ter ocasionado esse súbito e inexplicado desaparecimento.

Ainda fiel a Bill, Sookie diz aos vampiros desconhecer os motivos que levaram ao seu desaparecimento, mas se compromete em ajudar a encontrá-lo, ainda mais quando é informada de que Bill pode estar prisioneiro nos domínios do rei vampiro do Mississipi. 

Como Eric e nem Pam, sendo vampiros de outro território não podem circular no outro Estado, resolvem designar então um novo companheiro de aventuras para a telepata, que acaba um tanto abalada em suas estruturas quando conhece o sujeito em questão.

Trata-se de Alcide Herveaux: sujeito alto, moreno, musculoso e sensual que possui as qualidades que uma donzela casadoira e aspirante a uma vida normal mais deseja em um marido, incluindo-se aí adjetivos como rico, trabalhador e supostamente honrado e honesto. Porém, no caso particular de Sookie nada em sua vida é perfeito. Mesmo livre e desimpedido no momento, Alcide, revela ser, na verdade, um lobisomem. E que deve favores a Eric.

Apresentações feitas e empatia imediata entre os novos parceiros, Alcide e Sookie dirigem-se imediatamente a Jackson, Mississipi onde o pai do jovem lobisomem possui negócios e onde Alcide também é bem conhecido no meio 'sobrenatural' do lugar. E se pretendem realmente descobrir o paradeiro de Bill, devem freqüentar o lugar mais barra pesada da cidade, o Club Dead. Mas esta missão não será nem um pouco fácil, ainda mais quando vampiros desconfiados, mutantes ciumentos e outros lobisomens, de índole vingativa, cruzam o caminho dos dois.

Mas o pior ainda está por vir quando Sookie descobrir que o que motivou Bill a deixá-la foi uma rival amorosa com cerca de dois séculos de idade...

Particularmente, acho que a série tem mantido o seu nível até aqui. Os personagens são sensuais, cativantes, mas os enredos deixam um pouco a desejar. Eu imaginava muito mais suspense e obstáculos a superar neste terceiro livro, o que não foi o caso. Tudo se resolveu tão facilmente.

Mesmo assim, acredito que os próximos volumes trarão novo frescor à série e talvez uma maior maturidade literária da autora, já que criatividade não lhe falta. Este, em particular, foi uma espécie de divisor de águas, porque agora Sookie está praticamente livre e desimpedida nas questões do amor e possui três magníficos pretendentes a seus pés, embora um deles tenha perdido completamente a sua confiança. Vamos ver então o que nos reserva a série num futuro próximo.

Até o próximo então!

Resenha: A marca de uma lágrima


O amor pode estar bem ao seu lado (preste atenção)

Adolescente que se acha feia, gorda, dona de um intelecto brilhante que se apaixona pelo menino mais bonito da escola que está na verdade interessado em sua melhor amiga, lindíssima e sem conteúdo. Parece até enredo de novela mexicana, não é?

Na verdade não. Trata-se de uma adaptação do francês Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand. A diferença com o original é que nele temos um exímio espadachim e poeta que é apaixonado por sua prima e vendo que ela  corresponde a seu melhor amigo, faz de tudo para ajudá-lo a conquistá-la. Não tem coragem de fazê-lo por causa de seu avantajado nariz.

Nunca li Cyrano, mas talvez um dia eu o faça. Só sei que este livro de Pedro Bandeira foi um dos que mais marcaram a minha adolescência, especificamente aos 14 anos de idade, a mesma de Isabel, a protagonista.

Isabel, como disse anteriormente, é genial, do tipo a melhor aluna da classe, especialmente em língua portuguesa, sua disciplina favorita. Escritora praticamente nata, seu passatempo preferido é dar asas à sua imaginação e escrever as mais belas poesias típicas de sua idade, que refletem seus anseios, medos, aflições e desejos, já que é filha de pais separados e seu convívio com a mãe não é dos melhores, pois esta vive com enxaqueca desde que o marido a largou por outra mulher.

No livro, estamos em mais um começo de ano letivo que prometia ser normal para Isabel, tirando o divórcio dos pais. O que ela não esperava (e acho que ninguém espera) era a chegada do primeiro amor, na pessoa de um primo distante que não via desde a infância, chamado Cristiano.  Filho único da tia Adelaide (irmã de sua mãe que vive de mudanças), Cristiano é a personificação da beleza perfeita, aos olhos de Isabel, isenta de quaisquer defeitos. 

A empatia entre os dois, a nível de amizade, é imediata. Porém, para a frustração de Isabel, Cristiano demonstra ter interesses românticos por sua melhor amiga, a bonitona porém simplória Rosana. Incapaz de manter um romance com o primo, por conta da baixa auto-estima e também por lealdade à melhor amiga, resolve ajudar esta a conquistar seu primo, escrevendo cartas e poesias de amor que Rosana assina como se fossem de sua autoria. E o que Isabel jamais imaginaria era que o seu trabalho se tornaria um diferencial na paixão entre os dois jovens.

Triste, Isabel pensa em morrer. Pais separados, amor não correspondido, aparência horrenda (que seu pior inimigo, o Espelho do Banheiro não cansa de apontar em detalhes sádicos), nada mais em sua vida tem sentido. E o que não andava bem acaba piorando quando, involuntariamente, acaba tornando-se testemunha de um crime em sua própria escola. Envenenada com cianureto (como descobriremos depois), a diretora da escola acaba sendo encontrada morta por Isabel e seu colega Fernando em seu gabinete.

Histórias mal-explicadas com relação ao assassinato, evidências, uma maior proximidade com Fernando e a adrenalina fazem com que Isabel esqueça por alguns momentos a vontade de morrer. A partir desse momento, tudo o que tem de fazer é evitar de ser morta, pois o assassino está em seu encalço.

Romance aliado ao suspense tornam A Marca de Uma Lágrima um livro bastante inesquecível. Afinal, quem um dia não foi um adolescente que se sentiu deslocado no mundo, que amou sem ser correspondido ou que até mesmo presenciou um assassinato? Hehehe! Brincadeiras à parte, é realmente difícil alguém ter presenciado uma morte tão trágica, mas as demais dores do adolescer e crescer já foram nossas um dia.

Recomendo este livro a todos. Aos saudosistas da juventude e principalmente aos jovens de agora. Enquanto muitos de vocês perdem seu precioso tempo focando em um amor impossível, de sonhos e devaneios, podem descobrir, com Isabel e com este livro, que ele pode estar bem ao seu lado, o tempo todo, bastando para isso prestar um pouco mais de atenção à própria vida. E que muitas de nossas inseguranças, especialmente aquelas relacionadas com uma baixa auto-estima, muitas vezes, são apenas coisas de nossa cabeça, valores deturpados que erroneamente enraizamos em nossos corações.

Eu, sempre que tenho vontade, releio esse livro e me sinto bem. Façam como eu.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Resenha: A morte tem sete herdeiros


A noite em que Agatha Christie visitou Jacuruçunga

Imagine um livro em que só pelo título já o idealizamos recheado de mistérios, mortes terríveis e situações de suspense que beiram a angústia. E logo depois que o lemos, acabamos descobrindo que o mesmo não era nada daquilo que aparentava ser antes e que, involuntariamente, acabamos mesmo foi rindo de sua trama, do início ao fim e até não poder mais.

Este é o caso de “A morte possui sete herdeiros” (ou A noite em que Agatha Christie visitou Jacuruçunga), de Stella Carr e Ganymedes José. O mesmo é o resultado da união feliz de dois autores distintos que legaram ao mundo literário infanto-juvenil uma verdadeira obra-prima do suspense e do nonsense, cheia de mistérios, mas com situações surreais que beiram o absurdo, o engraçado e fazem com que o leitor ria compulsivamente enquanto está avançando as páginas da obra.

O livro gira em torno de Rogério Matta Leitão, um riquíssimo fazendeiro de uma cidade fictícia do interior do Brasil que não teve filhos em seu casamento com sua amada esposa, Sabina, mas que por conta de laços de parentesco acabou acumulando durante sua vida sete indesejados sobrinhos, cada um mais irritante e cretino do que o outro, salva uma única exceção que o leitor descobrirá ao ler.

Rogério, viúvo já há muitos anos, bate as botas subitamente. E com isso, os ambiciosos parentes esperam herdar muito com a sua morte. Porém, o que não esperavam era a existência de uma estranha cláusula do testamento: todos, sem exceções, deverão pernoitar no casarão (supostamente mal-assombrado) da família em que Rogério vivia, na noite anterior à leitura do testamento.

O que ninguém esperava (incluindo-se aí alguns amigos próximos de Rogério, sua suposta amante caolha, os cônjuges esquisitos de alguns sobrinhos e a empregada da família) era que uma série de assassinatos começasse a acontecer noite a dentro, sendo os herdeiros os potenciais alvos da sanha assassina de alguém que está entre eles, eliminando um atrás do outro e todos por meio de crimes absurdos que beiram o ridículo.

Quem seria o assassino? Qual a sua motivação? Qual das sobrinhas vendia uísque falsificado do Paraguai? Qual dos sobrinhos posava de rico, mas comia carne de cachorro desidratada para não passar fome? Onde estaria o valiosíssimo anel de diamantes de vários quilates de Tia Sabina? Quem é o misterioso vulto que anda com a bengala que pertenceu a Tio Rogério pela casa e ainda por cima vestido de Carmem Miranda? E Agatha Christie, a dama do crime, realmente participa da história?

Participa. Mas não teria a menor graça se eu contasse aqui como e por que, não é?

Ficaram curiosos? Corram logo então atrás deste livro, uma sátira muito gostosa aos livros policiais ingleses. A leitura dele será tão prazerosa, prendendo-lhes tanto a atenção que duvido que muitos de você não consigam lê-lo em apenas um único dia. É batata!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Resenha: Fome de Loba


Lobisomens à solta

A literatura fantástica, voltada ao sobrenatural, é uma realidade em nossos dias. Nas livrarias de todo país e de todo o mundo surgem cada vez mais novos autores e novas publicações dispostos a tornar o tema inesgotável entre o público leitor, especialmente os mais jovens, por serem ávidos pelo estilo, menos exigentes com o que lêem e pouco propensos a preconceitos literários.

Após lidar ultimamente com uma horda inteira de vampiros (os mais comuns seres sobrenaturais da literatura atual), resolvi encarar desta vez os lobisomens, neste “Fome de Loba”, o primeiro livro da canadense Kelley Armstrong.

Sua estréia, entretanto, não poderia ter sido a mais sem graça possível no mundo da literatura. Embora com ingredientes e argumentos que poderiam ter resultado em um livro brilhante, este deixou bastante a desejar, especialmente pela sua previsibilidade e situações manjadas.

A história da obra gira em torno da bela e atormentada Elena Michaels, único exemplar feminino de lobisomem no mundo. Quando criança, sofreu um acidente de carro que a deixou órfã e, criada por uma família que mais tarde a abandonaria, ela viu sua vida se modificar por completo após ser mordida por um namorado, o imprevisível Clay.

Após o fato, sobreviveu inexplicavelmente à mordida, ao contrário de muitas de suas antecessoras, que jamais resistiram à metamorfose lupina e por isso, acabou sendo adotada pelo grupo de homens-lobo do qual o próprio Clay fazia parte, um grupo fechado e cheio de regras cujos principais preceitos consistem na preservação da espécie, no controle monitorado dos "desgarrados" (os que não pertencem ao Bando), na proteção dos demais lobisomens e do território e no principal deles, a determinação de não matar por prazer e não interferindo na vida humana.

Kelley Armstrong, portanto, conferiu aos lobisomens, seres fantásticos que alimentaram lendas e histórias na cultura de vários povos uma história, moral e sentimentos, a exemplo do que a escritora Anne Rice faz com os vampiros. A autora, porém, foge de estereótipos e cria uma trama de suspense que explica os códigos de conduta, regras e conflitos de identidade dessas criaturas, a partir da experiência pessoal da protagonista.

Os lobisomens com os quais Elena interage possuem força física e habilidades impressionantes: são capazes de matar um homem com apenas um golpe e podem perceber a presença de um intruso pelo olfato mesmo a quilômetros de distância. Elena, que no Bando tinha a função de controlar os "desgarrados", a fim de impedi-los de ameaçar a segurança dos demais, é convocada por Jeremy, o alfa do grupo, um ano depois de tentar viver entre os humanos. Ele precisa da ajuda dela para entender os mais recentes acontecimentos misteriosos em Stonehaven, a propriedade isolada nos arredores de Nova York e sede do Bando, que podem colocá-los numa situação de perigo. O apelo fará com que a protagonista enfrente não apenas o atentado às normas, mas também sua própria decisão de identidade, pois Elena, mulher inteligente e segura de si, decidiu há alguns anos atrás viver como humana, o que implicou na tentativa de sufocar seus instintos animais. Vive em Toronto, no Canadá, trabalha como jornalista e namora o arquiteto Philip, com quem divide o apartamento e do qual tenta esconder seu segredo, mesmo que isto implique em um estranho hábito de sumir uma vez por semana, na madrugada, para "correr", o que no código lobisomem significa completar uma metamorfose e matar algum animal.

Como o leitor do blog pode perceber, o livro possui um enredo de grande potencial à primeira vista, mas, no entanto, o mesmo não me agradou conforme eu ia avançando em suas páginas, talvez pelo fato da heroína, aparentemente segura de si, demonstrar ser, no fundo, uma mulher submissa, emocionalmente instável e insegura, mudando toda hora as suas vontades e suas opiniões, em especial a respeito de sua relação afetiva com Clay, que achei um grandíssimo chato de galochas que fica fazendo o tempo todo a linha rebelde sem causa.

A trama, portanto, é morna e sem maiores surpresas, lembrando muito os filmes policiais que vemos exaustivamente na TV porque basicamente este “Fome de Loba” enfoca um confronto entre duas gangues rivais, uma de “lobisomens bonzinhos” e outra de lobisomens malvados.

E é isto. Apesar de elementos criativos bem promissores, a história no fundo é fraca e banal, do tipo esquecível após a leitura. Portanto, se você quiser correr o risco de lê-la, fica então um último conselho: empreste-a de alguém, pois um possível investimento financeiro em um livro como este não vale tanto a pena assim. Relato isto de experiência.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Resenha: Drácula


O mestre de todos os vampiros

Esqueça Edward Cullen, Stefan Salvatore, Bill Compton ou outro qualquer vampiro bonzinho com quem você tenha tido contato no mundo literário recentemente. Visite agora uma biblioteca próxima de sua casa ou então procure em uma livraria o bom e velho Drácula, de Bram Stoker.


Publicado em 1897, Drácula recebeu uma acolhida pouco unânime entre a crítica da época, onde muitos elogiaram a obra como uma poderosa peça de fascinação lúgubre e outros a criticaram pela sua estranheza. O tema do vampiro, que parecia já estar desgastado e caindo no ridículo ou no esquecimento naquela época, tomou um impulso tão forte e firme, que até hoje em dia muitas pessoas pensam que o autor foi o primeiro a introduzi-lo na literatura.


Bram Stoker, que era irlandês, começou a escrever sua obra-prima em 1890 e, segundo o próprio, sua inspiração partiu de um pesadelo onde ele via um vampiro erguendo-se de sua tumba. Então, a partir deste seu episódio onírico, começou a pesquisar com avidez lendas da região da Transilvânia, na Romênia, e sua inspiração final surgiu particularmente relacionada a um certo nobre que viveu naquela região, no século XV, chamado Vlad Tepes, que foi  responsável em impedir a invasão do povo turco na Europa e que era conhecido como “O Empalador”, pois costumava empalar (perfurar com madeira pontuda, geralmente lanças) os inimigos que eram capturados em combate. E o nome Drácula, inclusive, foi tirado do pai de Vlad, chamado Vlad Dracul (cujo último termo significa diabo ou dragão).


Possuidor da força de vinte homens reunidos, capaz de comandar os mortos, os animais e o clima, dotado do poder de tomar inúmeras formas e ficar invisível, o Drácula de Bram Stoker é um ser extremamente inteligente e ardiloso, conseguindo ludibriar com sucesso os seus desafetos por mais que estes reúnam todos os recursos da modernidade da época para combatê-lo, alguns como transfusões de sangue, a taquigrafia e até estudos avançados de Psiquiatria para entender a sua mente. 


Ao contrário dos vampiros “românticos”, ele não mata por fúria, prazer ou capricho, mas movido por uma imensa avidez de poder, apoderando-se, portanto, de suas vítimas e colocando-as a seu serviço. Age também como um grande estrategista, reunindo em sua jornada macabra vastas fortunas que o ajudarão a realizar um possível plano de domínio mundial, e  no livro isto, está praticamente explícito, pois o propósito inicial de Drácula é dominar uma Londres onde o british way of life está em franca decadência. E, para se ter uma idéia desta decadência, as pacatas mulheres vitorianas que são mordidas por ele e que se metamorfoseiam em vampiresas, se tornam de uma hora para outra, vorazes dominadoras que fazem uso de uma sensualidade quase primitiva para abordarem com sucesso as suas vítimas em busca de alimento.


Ainda que este livro não tenha a linguagem fácil de entender das obras de Stephenie Meyer tampouco o estilo sombrio e sensual da Anne Rice ou o mais leve de Charlaine Harris, a sua narrativa é bastante original, pois Stoker escreveu a obra como se pensasse em uma peça de teatro, desprezando assim a exclusividade de um foco narrativo em primeira ou terceira pessoa, tão comuns em vários livros, utilizando assim os relatos de vários personagens e até de instituições presentes na obra, sejam estes em formato de cartas, relatórios, telegramas e até mesmo notícias de jornais, dando originalidade à obra.


Portanto, a misteriosa vida do Conde, é principalmente narrada através dos diários e cartas escritos por Jonathan Harker (rapaz contratado pelo vampiro para representá-lo no mundo exterior), Mina Murray (que depois se torna Mina Harker ao se casar com Jonathan) e do Dr. Seward, amigo pessoal do Dr. Van Helsing (o inimigo mais interessado em destruir Drácula e seu legado), que administra uma instituição para doentes mentais em Londres.

O Dr. Seward, em particular, e tudo o que se relaciona a seu mundo de enfermos dá um toque especial à obra, na minha opinião, dotando-a ainda mais de situações e conflitos que mexem bastante com o psicológico daqueles que a lêem. 


E esta, é basicamente dividida em três grandes atos: Jonathan Harker aprisionado no castelo de Drácula, a luta de amigos e parentes para salvar a vida de Lucy Western (melhor amiga de Mina) e a caçada ao vampiro, liderada pelo astucioso Dr. Van Helsing.

A narrativa poderá parecer um tanto lenta. A demora em acontecer fatos importantes e a quase ausência de seqüências de ação podem irritar um pouco o leitor. Mas se este tiver paciência e principalmente sangue frio durante a leitura, acabará usufruindo de um livro excelente onde o suspense e uma atmosfera psicológica envolvente ultrapassam as barreiras. 

Dica

Aos que já leram a obra, uma dica final: procurem nas livrarias um livro chamado "Os 13 melhores contos de Vampiros" organizado por Flávio Moreira da Costa. Entre estes contos, encontra-se um capítulo inédito de Drácula, que acabou não entrando na edição original e permaneceu inédito por um bom tempo. Nele, Jonathan Harker, a caminho do Castelo do conde, é atacado por lobos assustadores bem nas proximidades de um cemitério muito sinistro. 


Fonte pesquisada para a criação desta resenha: Wikipédia.
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