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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Resenha: Olhos de pantera


Matador de feras à espreita

Um novo assassino em série está a solta em Bon Temps, Louisiana. E novamente temos a garçonete telepata Sookie às voltas com mistérios, crimes aparentemente insolúveis e claro, seres sobrenaturais.

Aliás, em Olhos de Pantera, o quinto volume das aventuras de Sookie Stackhouse (escritas por Charlaine Harris), as criaturas sobrenaturais são as vítimas da vez, não mais mulheres e jovens indefesas. E indefesa, definitivamente, não é mais um rótulo que se aplica à protagonista da história, pois, mais à vontade com seus poderes psíquicos e também mais experiente no quesito defesa pessoal, Sookie quer provar a todos e principalmente a ela própria de que pode cuidar de si, ainda mais depois de estar oficialmente livre de compromisso com seu vizinho vampiro e ex-amor, Bill Compton.

Porém, desta vez, não será fácil pegar o assassino. Ele também é de origem sobrenatural e Sookie não consegue ler com clareza seus pensamentos. Mas sabe, lá no fundo que ele está completamente obcecado em destruir mutantes metamorfos como ele, colocando assim em perigo o único irmão da própria Sookie, Jason, um recém-criado homem-pantera.

A trama é concisa, envolvente, mas em comparação ao livro anterior é um pouco fraca e confusa em algumas passagens. Mesmo assim, a diversão é garantida, ainda mais para os fãs desta série de livros em particular e do seriado de TV a qual ela deu origem, True Blood.

Portanto, leia sem culpa. E descubra que no mundo de Sookie, repleto de seres e acontecimentos estranhos,   os temíveis vampiros são apenas uma pequena ponta de iceberg.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Resenha: Saudades do Século XX


Mais que um livro de memórias, um verdadeiro legado

Saudades do Século XX pode parecer exclusivamente um livro de memórias à primeira vista, ainda mais com o termo "saudades" tão destacado e onipresente no título.

Mas não se engane. O livro, realmente, é sobre recordações, mas ao lê-lo, ficou claramente explícito para mim que a finalidade maior da obra é legar a uma nova geração aquilo que Ruy Castro, o autor, apreciou em seus anos dourados de juventude e continua apreciando em idade madura.

Escritor de reputação insuspeita, Ruy é um dos melhores do Brasil no quesito biografias. E neste livro é o que não faltam, mesmo sucintas. Billie Holiday, Anita O'Day, Doris Day, Fred Astaire, Mae West, Orson Welles, Billy Wilder,  Alfred Hitchcock, Dashiell Hammett, Raymond Chandler, Humphrey Bogart, Glenn Miller e Frank Sinatra, com histórias de suas vidas, o esperam aqui.

Em sua obra, Ruy conta a vida desses nomes universalmente admirados do cinema, da literatura e da música popular. Vidas tão ricas e emocionantes quanto as obra que deixaram. E, em muitos casos, vidas que foram o exato oposto das imagens que eles passavam em seus filmes, livros e discos, por conta de tragédias pessoais.

Portanto você conhecerá uma Billie Holiday às voltas com drogas pesadas e casamentos infelizes, uma Doris Day implacavelmente atacada pela crítica e por seus credores, uma Mae West supostamente frígida (logo ela, uma deusa do sexo), um Orson Welles que não conseguia concluir seus projetos, mesmo sendo considerado um gênio e um Frank Sinatra com sérios infortúnios na vida amorosa e profissional.

Se você já aprecia estes artistas, excelente! Se não aprecia, recomendo que um dia resolva averiguar suas vidas por meio da leitura deste livro, que é ótimo, na minha mais sincera opinião, mesmo não trazendo relatos mais completos e detalhados das vidas daqueles que foram retratados em suas páginas. 

Saudades do Século XX, como disse antes, é um livro feito para despertar uma espécie de bom gosto nos leitores para as coisas que o autor aprecia. E espero que consiga este propósito. Confesso que após a leitura, fiquei interessadíssimo em saber um mais a respeito da vida destas pessoas e também sobre suas dignas contribuições para tornar este mundo um pouco mais melhor.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Resenha: A vida secreta dos grandes autores


O que nossos professores de literatura nunca contaram 
sobre romancistas, poetas e dramaturgos em suas aulas

Você já deve, em algum momento de sua vida, ter imaginado como é a vida do autor que você mais gosta ou admira, não é?

Confesso que muitas vezes já devaneei sobre alguns deles. Já visualisei J. K. Rowling aproveitando os confortos de sua mansão milionária, Neil Gaiman caminhando por florestas buscando inspiração para seus livros e até  Suehiro Maruo visitando suspeitíssimos clubes de sadomasoquismo.

O caso é que quase sempre os chamados 'leitores vorazes', aquelas pessoas que gostam mesmo de ler estão às voltas com a vida pessoal de algum escritor favorito seu, ora imaginando-a cheia de glamour, ora achando-a pacata e tediosa até demais, especialmente quando o autor é daqueles que levam bastante a sério o seu compromisso de escrever, priorizando mais o verbo trabalhar e menos o verbo divertir em suas vidas, por conta de uma série de compromissos a cumprir.

Entretanto, eles são pessoas comuns como todos nós, ou seja, são essencialmente seres humanos, dotados de qualidades e defeitos. E a função deste livro de Robert Schnakenberg, ilustrado magistralmente por Allan Sieber (praticamente um co-autor) é tentar desmistificar estes seres que tanto amamos ou admiramos, mesmo conhecendo-os apenas superficialmente.

A vida secreta dos grandes autores, é um livro bastante agradável e de fácil leitura que mostra resumidamente os defeitos, as fraquezas e as fragilidades humanas sobre as quais nunca se falou a respeito de grandes nomes da literatura mundial, escolhidos criteriosamente pelo autor, como Virginia Woolf (que escrevia seus livros em pé), Franz Kafka (que tinha fama de nudista), Agatha Christie (que odiava seu personagem mais querido do público, Hercule Poirot) e muitos outros mais.

Curioso(a)? Eu também fiquei bastante intrigado com as informações que o livro poderia me legar. Embora os relatos contidos nele sejam bastante superficiais, não citando fontes e soando mais como uma compilação de boatos, Robert Schnakenberg conseguiu despertar meu interesse de leitor e fã de determinados autores, imaginando se não haveria um pouco de veracidade nestas informações. É um livro para se ler de uma só sentada, mais como forma de diversão do que informação.

Por fim, as únicas ressalvas que faço à obra além da sua superficialidade são suas notórias lacunas quanto à escolha dos autores 'investigados', que muito limitada, deixou de fora nomes mais recentes da literatura e escritores de língua portuguesa ou qualquer outro idioma que não seja o inglês, o francês, o espanhol e o alemão.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Minha vida de leitor (I)


Hoje resolvi dar início a minha história como leitor. Estão prontos? Apertem os cintos e vamos viajar em uma máquina do tempo para os longínquos anos 70.

Desde que me entendo como pessoa, lembro de estar com um livro nas mãos. A prova mais concreta deste fato é uma foto que tenho, tirada em 1978, quando eu tinha quatro anos e freqüentava o Centro Educacional Mickey Mouse, aqui perto de minha casa e há muito tempo já extinto.

Na foto, estou ridiculamente vestido de coelhinho da páscoa, para a festa de mesma temática. Um dos muitos rituais (micos) que temos que pagar no árduo caminho para uma vida adulta totalmente desprovida de fantasia e fofura. E em minhas mãos, um livro: a representação máxima da rebeldia que perpetrei naquele dia, pois minhas lembranças dele ainda permanecem bastante nítidas em minha mente.

Nas escolas onde estudei eu nunca fiz a linha sociável quando o assunto eram festas e confraternizações (e sempre era criticado por isso, especialmente pela minha família). E aquela festa de criança, em particular, simbolizou para mim o início e simboliza o ápice das festividades mais ridículas do mundo que tive de encarar. Estava odiando estar vestido daquele jeito, ao contrário de meu melhor amigo, o Augusto Júnior, que vivia com sua família na casa que ficava de fundos para a minha e que também estudava na mesmíssima escola.

As regras para o evento eram bem claras. Os alunos deveriam chegar à escola, tirar os sapatos ou sandálias e ficar descalços no pátio para uma dança. E enquanto a dança não começava, ficariam sentadinhos em roda, aguardando o início do "show".

Eu, que já não ia com a cara de alguns colegas (especialmente um tal de Fabrício, um loirinho com cara de estrangeiro que era com certeza mentalmente insano), recusei-me terminantemente a tirar minhas sandálias. Achava estranho ficar descalço fora de casa. Achava estranho aquelas coisas que nos obrigavam a fazer. Eu mesmo (não se assustem) já era um absoluto estranho que precocemente não suportava a si próprio nessa época, sempre fazendo a linha chorão, desajeitado e esquisito para o horror de meus pais.

Então fiz o que poderia fazer de melhor. Calmamente, peguei um livro de historinhas, um que falava da história de uma flor que murchava por causa de maus-tratos de seu dono (lembro bem da história) e sentei-me numa cadeirinha de balanço que havia em frente à escola, bem longe dos outros. E lá fiquei.

Na hora do show, haja apelos de professoras e pais para me tirar da bendita cadeira e de me tomar o livro. De nada adiantaram.E minha mãe ficou tão fula da vida que me pegou pela mão e já queria me levar para casa. Mas as professoras, que eram pessoas compreensivas, persuadiram-na a ficar e apreciar mais a festa.

Esse foi o meu primeiro ato de rebeldia contra as figuras paternas de que eu me lembro. E nas mãos, um livro.

Só levantei da cadeira muito tempo depois, na hora de comer chocolate e doces e para tirar a bendita foto, com o Junior do meu lado.

E nas mãos ele, o livro. Companheiro e válvula de escape de um momento tenso, em que ser criança foi difícil para mim. Para sempre eternizado numa velha fotografia.

P.S.: Que só não posto aqui porque está muito maltratada pelo tempo. Precisa de restauro. Por causa disso, dou-lhes o fofíssimo dublê na foto aí acima.

;-)
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