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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Resenha: Lendas e Mitos do Brasil


O melhor do imaginário nacional

Lendas e Mitos do Brasil, de Theobaldo Miranda Santos, é o livro mais completo sobre histórias de nosso folclore que já li. Recomendo.

Esta "pequena grande obra", em tempos de criança e nas horas prazerosas dedicadas a biblioteca escolar, era uma das minhas favoritas do recinto, sendo lida e relida exaustivamente ao longo dos anos. A capa, inclusive, não era esta verde-amarela atual. Ela trazia, originalmente, um risonho e convidativo saci desafiando-nos a mergulhar de cabeça em todos os mistérios que o livro continha.

Aliás, contém. Dividido em cinco partes, Lendas e Mitos do Brasil traz aos leitores as lendas e mitos mais conhecidos e divulgados em cada uma das cinco regiões brasileiras: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, oriundas da sabedoria e das tradições de três povos distintos que deram origem a todos os brasileiros: os índios, naturais da terra, os negros, vindos da África e os brancos, que vieram de Portugal.

Portanto, na região Norte encontramos mitos como o da Iara (Mãe d'água), da Vitória-Régia, do Uirapuru, do Curupira, da Criação da Noite, do Japiim (pássaro que inclusive dá nome ao bairro onde moro), do Guaraná e muitos outras mais, de origem indígena.

Na região Nordeste já conhecemos então mitos de natureza mais européia, como o do Lobisomem, do Barba Ruiva, da Cidade Encantada, do Pecado da Solha, etc.

No Centro-Oeste, contos variados, destacando-se A Mula-Sem-Cabeça, A Origem das Estrelas, A Mãe do Ouro e a história terrível do Moleque Amaldiçoado (Romãozinho).

O Sudeste contribui com lendas de teor mais histórico, geralmente ligados às missões que os bandeirantes paulistas desempenhavam no período colonial brasileiro. Portanto, nesta parte você conhecerá O Filho do Trovão (Caramuru), A História de Chico Rei, O Segredo de Robério Dias,  lendas envolvendo milagres de São Sebastião e Nossa Senhora da Glória e muito mais.

Por fim, o Sul nos lega alguns de seus mitos mais populares, como o Boitatá, a história d'O negrinho do Pastoreio, o Nascimento das Cataratas do Iguaçu, as origens da Erva-Mate e um de seus mais populares, a Lenda do Lagarto Encantado (a Teiniaguá)

Adquira já o seu, caso aprecie histórias do tipo. A diversão será garantida para crianças e adultos, que juntos também ganham mais em saber e cultura relacionados à sua pátria-mãe.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Resenha: O Livro de Ouro da Mitologia


Compilação de temas fascinantes

A mitologia grega, em nossos tempos, permanece mais viva do que nunca.

Basta verificar isto em livros como os da série Harry Potter e Percy Jackson, recheados de referências a deuses e criaturas mitológicas. Sem falar em filmes como Odisséia, Tróia e Fúria de Titãs, que lotam as salas de cinema mundo afora.

São histórias que praticamente já fazem parte do inconsciente coletivo das pessoas, de tão contadas e perpetuadas através dos tempos por meio das linguagens oral, escrita e visual. E mesmo assim continuam tão fascinantes quanto outrora, ou seja, desde a época em que surgiram.

Quem nunca temeu pela vida de Teseu quando este resolveu enfrentar o Minotauro dentro do Labirinto de Creta? Quem nunca torceu para que Eros (o Amor) e Psiquê (a Alma) terminassem juntos, mesmo com a ferrenha oposição de uma ciumenta e possessiva deusa Afrodite, mãe do próprio Eros? Sem falar nas aventuras de Jasão e dos Argonautas até a distante Cólquida, para conseguirem o lendário e valiosíssimo velocino de ouro.

Poderia contar em detalhes muitas outras histórias como o mito do belo Narciso, que se apaixonou pela sua própria imagem refletida nas águas de uma fonte. Ou então a do ambicioso Rei Midas, que sem medir as conseqüências de seu ato, pediu ao deus do vinho, Baco, para ter o poder de transformar em ouro tudo o que tocasse com as mãos. Entretanto, sugiro aos leitores desta resenha que mergulhem de cabeça nas páginas deste Livro de Ouro da Mitologia, de Thomas Bulfinch e deliciem-se por si mesmos com as narrativas que ele contém. Considero-o um dos melhores do gênero entre todos o que tive o privilégio de ler nesta vida, mesmo com algumas ressalvas.

A obra retrata a mitologia greco-romana de uma forma abrangente e rica em detalhes. Entretanto, os temas e narrativas tratados não estão muito bem agrupados, já que contos de origem latina encontram-se misturados com os de origem grega, sem qualquer critério, o que pode confundir o leitor caso ele não esteja familiarizado com as nomenclaturas de alguns personagens e lugares. O maior exemplo disso é que em alguns contos temos Apolo, deus da Luz e em outros, o deus Febo, que na verdade se trata do mesmíssimo Apolo, mas com outro nome.

Desorganizações à parte, o livro é um excelente apanhado de narrativas contadas com maestria, retratando deuses e heróis desde suas concepções até seus esquecimentos como divindades verdadeiras em lugares míticos como o Monte Olimpo. Além, disso, abrange também algumas histórias e informações sobre as mitologias nórdica, egípcia, hindu e outras mais. Pena que sejam poucas.

Nem todas as histórias têm finais felizes. De antemão aviso que o livro e a própria mitologia grega é um caldeirão de guerras, assassinatos, amores, ciúmes, maldições, feitiços, monstros, suicídios... Portanto, prepare-se para o melhor e o pior. Afinal de contas os próprios deuses, além de possuírem imagem e semelhança idênticas aos humanos também possuíam todos os seus (piores) defeitos e suas virtudes a tiracolo.

E é isso. Se você gosta de temas históricos, adora conhecer as cosmogonias de outros povos ou se é simplesmente fascinado pelos mitos gregos que talvez tenha conhecido um dia por outros meios como a TV, o cinema ou em referências de outros livros, invista no Livro de Ouro da Mitologia. Variedade de temas para se divertir e até para se aprofundar em questões que eles lhe trarão não lhe faltarão, pois cada uma de suas histórias também pode ser, lá no fundo, um fascinante ou intrigante convite à reflexão. 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Resenha: Sombras da Noite



Contos de mestre


Stephen King é um sujeito que dispensa apresentações caso você tenha vivido neste planeta nas últimas cinco décadas e seja do tipo antenado com as novidades do cinema, da televisão e principalmente da literatura fantástica. Mas caso ainda não saiba de quem se trata, farei um breve resumo sobre algumas coisas que fez ou que estão de certa forma ligadas a ele, a fim de refrescar-lhe a memória. 

Já ouviu falar em um certo cemitério maldito, onde quem nele foi enterrado acabou voltando à vida de forma estranha? E em Carrie, uma garota esquisita e sem graça que, com poderes inexplicáveis, dizimou todos os alunos e professores de sua escola na noite do baile de formatura? Ou então já deve ter ouvido falar em uma certa cidade perdida no interior dos Estados Unidos onde as pessoas nunca envelhecem graças a um poder oriundo de um milharal demoníaco, que exige como pagamento de seus préstimos a sua periódica adubagem com sangue humano fresco.

E então? Estas histórias lhe soam familiares? A última, em particular, se trata de um dos vinte contos que integram este livro. E sim, Sombras da Noite é um livro de contos, um dos melhores de Stephen King, o mestre máximo do terror na literatura, apesar de algumas poucas e enfadonhas exceções que podem ser encontradas nesta obra. Publicada originalmente na terra natal de King em 1978, faço então um breve resumo das histórias que classifiquei como as melhores:

Jerusalem's Lot: atualmente, uma cidade fantasma da qual ninguém ousa se aproximar, principalmente à noite (leia o livro A Hora do Vampiro, também de King, para saber mais). Mas este conto (escrito na forma de cartas trocadas entre alguns personagens) narra acontecimentos decisivos e sinistros que ocorreram no local antes que o mal se espalhasse completamente por ele.

Último turno: é o conto que justifica a ilustração da capa da atual edição brasileira do livro (a que ilustra o post) e que foi produzido em filme em 1990 sob o título de A Criatura do Cemitério. Um grupo de pessoas que trabalham com limpeza pública e esgotos resolvem explorar a fundo um de seus locais de serviço e acabam encontrando o inimaginável...

Ondas noturnas: a humanidade inteira é, aparentemente, dizimada por um vírus mortal. Mas existem alguns sobreviventes...

A máquina de passar roupas: é o conto de King que deu origem a uma das histórias relatadas no filme Mangler - O grito de terror. E se passa em uma lavanderia que possui em seu mobiliário uma máquina de passar roupas com um apetite voraz por carne humana.

O bicho-papão: homem discute com seu psicoterapeuta fatos macabros e inexplicáveis do seu passado que sempre lhe assombraram. Existiria mesmo o ser sobrenatural que dá nome ao título do conto?

Massa cinzenta: uma bebida com efeitos sinistros. Um homem que, repentinamente, pára de ser visto em sua vizinhança e agora vive recluso em seu apartamento. Que segredos ele e seu único filho guardariam?

Campo de batalha: este conto foi adaptado com êxito para um dos episódios da série Nightmares & Dreamscapes. Um talentoso assassino profissional chega em casa após mais um dia de sucesso em suas empreitadas escusas. A mais recente? Assassinar o proprietário de uma fábrica de brinquedos. Porém, o que ele jamais poderia prever era a vingança do morto, na forma de simples soldadinhos que lhe são enviados de presente...

Caminhões: este deu origem às duas versões de Comboio do Terror, uma de 1986 (dirigida pelo próprio King) e um remake de 1997. Imagine pessoas entrando em uma lojinha numa estrada de fim de mundo e descobrindo, logo depois, que todos os caminhões ao redor criaram vida própria e decidiram fazer uma rebelião contra os humanos.

Primavera Vermelha: não poderia faltar neste livro uma história envolvendo assassinos em série, não é? Esta também fez parte do filme Mangler - O grito de terror e narra a volta de um deles à ativa, depois de longos anos de inatividade. E nos mesmíssimos arredores da universidade na qual, anteriormente, causou terror entre os estudantes, sem jamais ser capturado pelas autoridades.

O Ressalto: Conto que foi adaptado para o filme Olhos de Gato. Um magnata resolve acertar as contas em definitivo com o amante tenista de sua esposa, mas de uma forma inusitada: se o sujeito conseguir dar a volta no prédio em que estão, usando apenas o ressalto, ele sairá vivo da história, ainda por cima com a mulher e com uma boa quantidade de dinheiro. Será que ele aceitou?

Ex-fumantes LTDA: também adaptado para Olhos de Gato, narra os métodos pouco ortodoxos que uma empresa utiliza para coagir fumantes a largar seus vícios em cigarros e charutos.

As crianças do milharal: é a história do filme Colheita Maldita, a qual já descrevi aqui na resenha, sobre o milharal e as crianças que nunca envelhecem e como um casal de namorados arca com as consequências quando chegam ao local sem serem convidados.

O último degrau da escada: é o único conto que destoa dos demais do livro por ser triste, melancólico. É a história de dois irmãos e um acidente trágico que muda suas vidas. Tocante.

O homem que adorava flores: Um rapaz feliz andando pelas ruas, carregando um buquê de flores. As pessoas ao redor logo o imaginam apaixonado, feliz com alguma namoradinha. Mas as aparências enganam...

A saideira: De volta à maldita Jerusalem's Lot, ficamos cara a cara com o mal supremo que vive escondido nos subterrâneos da insuspeita igrejinha da cidade.

Impressionado com as histórias? Há outras, claro, mas se não foram do meu gosto, podem ser do seu. Então, o que está esperando? Leia. King é rei!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Resenha: Corações Blues e Serpentinas


Contos muito bons

Inicio esta resenha do livro de Lima Trindade sendo bastante sincero, especialmente com o próprio autor, que é meu amigo: não gostei de todos os contos, mas apreciei muitíssimo a maior parte deles. 

Particularmente, considero este fato até normal quando estamos às voltas com livros que tratam do gênero conto. Não gostar de todas as histórias de uma obra já ocorreu antes comigo e com certeza deve ter acontecido com muitas outras pessoas. E, em relação a mim, aconteceu até mesmo quando li contos policiais de Arthur Conan Doyle, inclusive alguns com seu personagem mais célebre, o destemido e perspicaz detetive Sherlock Holmes. E olha que Sir Conan Doyle figura entre meus autores favoritos de todos os tempos!

Mas voltando ao Corações blues e serpentinas, o mesmo não é nenhum livro policial ou de detetives. Ele trata, fundamentalmente, de um tema com o qual todos nós, seres humanos, estamos familiarizados, seja em maior ou em menor intensidade de espírito: o amor. Seus quinze contos investigam as mais diversas nuances e tonalidades das relações amorosas, inseridas em dias atuais.

A obra é dividida em duas partes: “Blues”, que trata mais de conflitos e dificuldades às quais as relações íntimas estão sujeitas (o termo ‘blues’ vem de tristezas) e “Chorinhos”, onde se percebe que amar também pode ser prazeroso algumas vezes. E nesse caldeirão de contos, Lima Trindade, como diz uma informação da orelha de seu livro, “reproduz o inconsciente de sua geração, que viveu o rock, a renovação na literatura, no cinema e no teatro, as lutas das minorias, a liberação sexual, a mudança de costumes, o embate ideológico e outros conflitos.” Por isso, seu livro é uma verdadeira festa para aqueles que estão antenados com o contemporâneo e com inúmeras referências ‘pop’ oriundas de canções, histórias em quadrinhos, filmes e outros meios de informação e entretenimento.

O homoerotismo, tema um tanto tabu em produções literárias também dá movimento, vida e cor à maior parte dos contos, mas também encontramos na obra o amor entre homem e mulher, caso alguém tenha alguma ressalva contra histórias que envolvam 'amor transgressor’. Entre os contos que mais gostei, destaco então “Noite num hotel da Asa Norte” (sobre as dúvidas de um jovem homossexual sobre vida e amor), “O balão amarelo” (pela poesia que exala, muito bem escrito por sinal), “Leponex” (uma espécie de Eduardo & Mônica – canção da Legião Urbana – adaptado para os dias atuais), “Três movimentos para um selvagem desamor” (sobre o amor entre duas mulheres de gerações diferentes), “A primeira vez” (paixão platônica e avassaladora de um escritor iniciante por seu ídolo), “Anjinho barroco” (relação homo que oscila entre o sagrado e o profano), “Uma vez no céu escuro e brilhante” (uma ficção científica com tons de arco-íris) e “Queen Sally II” (de longe o que mais gostei, pelo fator surpresa).

Este foi o terceiro livro que Lima lançou em sua profícua carreira e o primeiro dele que li. Que venham outros mais então, pois talento não lhe falta e com certeza belas histórias para nos contar também não. Procure conhecer, portanto (assim como eu), as suas produções.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Um conto de minha autoria (I)


Frio, sombras, música e devaneios

Playlist sugerida para acompanhar a leitura deste conto :
  1. S.O.S. / ABBA. 
  2. Sabes a Chocolate / Menudo. 
  3.  Boys / Sabrina. 
  4.  Sacrifice / Sinéad O’Connor. 
  5.  Safe From You / Frente! 
  6. Sailing / Christopher Cross. 
  7. Salvation / The Cranberries. 
  8. Same Thing in Reverse / Boy George. 
  9. Sandra Rosa Madalena / Sidney Magal. 
  10. Sangue Latino / Secos e Molhados.


Volumosas gotas de chuva caem do céu sobre a terra hoje.  Cor de cinza: solidão.

Mais uma vez saio bem cedo de casa para garantir o ‘pão nosso de cada dia’. O que não deixa de ser um tanto irônico é que estou em jejum, já que a correria do dia-a-dia não me deixa saborear sequer um café da manhã decente. Só um velho pão com margarina e um essencial gole de café preto.

A barriga ronca enquanto, desolado, observo a paisagem ao redor. Hoje, pelo menos, tive a sorte de conseguir sentar dentro do ônibus sempre lotado para o trabalho.

As ruas de São Paulo estão imersas no dilúvio de sempre. Próximo à Marginal Tietê não haveria de ser diferente. Ano após ano, promessas após promessas vindas dos políticos incapacitados e a situação não melhora. Penso seriamente que daqui a alguns anos passaremos a andar de barcos pelas ruas dessa cidade.

“O que foi a minha vida todos esses anos?” Pergunta inevitável que nos assalta em dias assim, onde achamos, por antecipação, que tudo está fadado ao fracasso pelo resto do dia. Coração em frangalhos, tento ocultar lágrimas que começam a se formar em meus olhos para saltarem, sem permissão, em meu rosto.  Melhor ligar meu MP3 e tentar me distrair, enquanto não chego à segunda condução do dia. A segunda do total de seis que pego ao dia para me locomover pela grande metrópole afogada.

Já aviso de antemão que minhas playlists costumam ser bastante exóticas. Algum observador interessado diria que meu gosto é eclético, mas prefiro dizer que sou apenas seletivo em relação às canções que ouço. Geralmente são canções que me fazem feliz, que me fazem triste (masoquismo detected) e que me trazem ótimas lembranças de momentos de alegria cada vez mais furtivos em minha existência mundana.

A primeira canção é ‘S.O.S’, do ABBA e, realmente: Salvem minha alma! Destino, seja generoso e mande-me um sueco alto, definido, loiro e bonitão, com olhos cor de céu para me carregar para bem longe daqui e que me faça dizer, a plenos pulmões que a vida vale mesmo a pena, mesmo que o mundo inteiro e a realidade insistam em me dizer não.

Já pensou se isso realmente acontecesse aqui e agora? O sueco chegando num lindo cavalo branco? Larga de ser louca, bicha, ele provavelmente correria o risco de ser arrastado pela correnteza aí fora. Sem falar que contos de fadas jamais acontecem no plano da realidade. E fico pensando qual a serventia deles afinal, se os padrões que eles nos inspiram são demasiados elevados para nossas pobres vidas.

Nova canção no player: ‘Sabes A Chocolate’, do Menudo. Ai, céus, chocolate não! Tô com fome! Sem falar que o médico me proibiu de comer chocolate em demasia por causa das minhas espinhas. Não chegam a ser um pesadelo em forma de crateras na minha face, mas Dr. Salomão disse que eu não facilitasse com a coisa. Dos males o menor.

O Menudo... Nossa, por onde andam esses caras? Ricky Martin foi bastante corajoso ao assumir sua homossexualidade em público um dia desses. Pudera: rico, bonito, independente e bem-sucedido, não tem nada a perder. Só algumas fãs homofóbicas. Quanto a mim... sem comentários, pelo menos por enquanto.

O ônibus finalmente chega à estação do Metrô. E lá vamos nós para o empurra-empurra de costume. Digo ‘nós’ não porque eu seja mais de um espírito dentro de uma pessoa só ou esteja acompanhado. É coisa de costume, sei lá.

Dentro do vagão, o alívio de conseguir lugar para sentar outra vez. Desencorajados talvez pela chuva ou por algum obstáculo de natureza aquática em seus caminhos, muitos paulistanos ficaram em casa ou então ficaram retidos em alguns cantos críticos da cidade.

No player, agora, toca ‘Boys’, de uma obscura cantora italiana ‘one hit wonder’ chamada Sabrina. Em minha mente imediatamente vem a imagem de uma mulher morena muito bela e voluptuosa dentro de uma piscina, em dia de Sol, cercada de belos rapazes por todos os lados. Ah, que inveja! Um dia de sol e o descanso na beira de uma piscina cairia muito bem agora. Quanto aos rapazes, um só me bastaria, sabe? “O” rapaz. Aquele que os contos de fada fajutos nos ensinam a ser o ideal, o único.

Até o momento só encontrei sapos disfarçados de príncipes por aí. E bem poucos, dadas as circunstâncias que envolvem a minha vida. Hoje não quero me aprofundar muito nessas questões.

‘Sacrifice’, canção famosa de Elton John na voz de Sinéad O’Connor começa a tocar exatamente quando preciso fazer o próximo “sacrifício” do dia e descer na próxima estação, para passar para outra linha de metrô. Céus, como a estação da Sé está lotada hoje, mesmo em dia de caos.

Sinéad assumiu também sua homossexualidade depois de passar pelo diabo na vida. Grande mulher. Pena que a mídia já não lhe dê tanta atenção e destaque desde que rasgou a foto do Papa João Paulo II naquele famoso programa de TV americano. Anos se passaram desde o incidente, o Papa já até morreu, mas as pessoas não esqueceram do acontecido.

Papa. Isso me lembra a desfeita que Milena me fez mês passado, não me convidando para ser padrinho de seu filho, justamente eu que sou (ou fui?) seu melhor amigo. Mas quer saber? Deixa para lá! Desde os treze anos eu não freqüento uma igreja mesmo. Nem sei mais que religião eu sigo. Só sei que acredito em Deus e nada mais.

Enquanto espero o metrô chegar, ‘Safe From You’, do Frente!, sucede ‘Sacrifice’, cantada por Sinéad. Confesso que gostei, mesmo não tendo a ouvido antes.

Olho ao redor enquanto escuto a canção. Hora de flertar, mas isso se alguém especial resolver notar que existo, que estou aqui e que nesse peito bate um coração. Mas tudo o que vejo são caras mais desanimadas que a minha ou então seriamente preocupadas ou compenetradas em seus pensamentos mais íntimos. É, não foi hoje que achei o príncipe encantado. Sabe-se lá quando será...

‘Sailing’, de Christopher Cross. Novamente a visão de um dia ensolarado retorna, mas desta vez em alto-mar e dentro de um iate. Porém as cenas, desta vez, não são nem um pouco românticas. São lascivas e involuntariamente, começo a ter uma ereção. Ops! Operação pasta de trabalho para cobrir partes expostas já!

Dez longos minutos se passam e nada do metrô. ‘Salvation’ dos Cranberries, a canção após ‘Sailing’, já está no fim e a salvação não chega. Provavelmente algum problema na linha tornou os veículos mais lentos. Ô saco!

Ponho ‘Salvation’ mais uma vez para tocar, mentalizando “salvação” repetidas vezes até que finalmente um trem chega. Embarco, aliviado. Hoje eu não posso me atrasar. É dia de festa no trabalho.

‘Same Thing in Reverse’, do Boy George começa a tocar. Música alegre, com violinos ao fundo. O sentimento de solidão que outrora me acompanhou até agora está se dissipando. Possa ser que este dia seja bom, afinal. Quanto a Boy George, quando me lembro dele, é inevitável pensar que nesta vida, beleza não é tudo, como muitas pessoas pensam. Outro dia mesmo vi uma foto recente dele e sequer lembra a figura imponente, bela, majestosa e andrógina que foi. Mas o amo pelo que é, por suas músicas e não pelo que ele foi ou deixou de ser.

O ápice da minha euforia em franca ascensão é coroada com a audição de Sandra Rosa Madalena, de Sidney Magal, outro cantor que, ao lado de Boy George, é “muso” absoluto. Como não sorrir ao lembrar das inúmeras vezes em que corria para a frente da TV na infância e tentava imitar seus passos de dança?

Chego na porta de meu trabalho com dez minutos de atraso e Sangue Latino, dos Secos e Molhados, já está em franca reprodução em meu player.  Canção curta. Logo estarei na labuta e as canções serão esquecidas. Pelo menos por algumas horas. Hora de voltar a realidade e fazer valer o sangue que corre em minhas veias. Afinal, apesar de tudo e dos pesares, existe ainda a vida.

Conto originalmente publicado no site da revista eletrônica Verbo 21
sob o pseudônimo de Carmelo Ameno. Abril de 2011.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Resenha: 13 dos Melhores Contos de Vampiros


Indispensável para fãs de vampiros

Flávio Moreira da Costa reuniu em uma antologia 13 contos vampirescos que supostamente deveriam representar o que há de melhor dentro deste popular gênero de ficção narrativa, já que, desde tempos imemoriais, vampiros são assunto na literatura e nas rodas de conversas das mais diversas culturas e povos, especialmente os europeus.

Entretanto, apesar de ter gostado muito de alguns contos da obra, não há como qualificar todos eles como os melhores. Neste livro o autor resgata textos escritos em épocas e culturas diversas, frutos de movimentos culturais aparentemente sem ligação, constituindo assim uma salada de múltiplos sabores para os mais diversos paladares. O diferencial é que uma grande parte destes contos jamais havia sido publicada no Brasil, sem falar em alguns de seus autores, famosos lá fora, mas completamente desconhecidos em território nacional, como o irlandês Sheridan Le Fannu.

Por conta disso, muitos dos vampiros desta coletânea apresentam algo inédito, diferente. Destaco com louvor as criaturas que aparecem nos contos "O estranho misterioso" (de autor anônimo), "Carmilla" (do já citado Le Fannu), "Luella Miller" (Mary Eleanor Wilkins-Freeman), "A transferência" (Algernon Blackwood - guarde bem esse nome), "O quarto da torre" (Edward Frederic Benson), e "A história de Chugoro" (de Lafcadio Hearn, que possui lançada no mercado brasileiro uma boa coletânea de contos de horror japoneses chamada Kwaidan - Assombrações).

Entretanto, as maiores pérolas do livro são "O hóspede de Drácula", de Bram Stoker, que na verdade se trata de um capítulo inédito de sua obra-prima "Drácula" que, por razões desconhecidas, acabou não entrando nos originais do livro e "O Senhor de Rampling Gate", conto inédito de Anne Rice.

Mais interessado agora? Embora as tramas destes contos sejam mais sutis do que sanguinolentas, creio que este livro deixaria sua biblioteca de livros de horror bem mais interessante, até pelo caráter clássico e influente que cada uma de suas histórias carrega. Portanto, saia logo em busca do seu porque ele é um pouco difícil de ser encontrado por aí.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Resenha: Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras estórias de amor)


Coletânea de preciosidades

Este livro representa uma dupla surpresa para mim. Primeiro porque chegou até mim sem que eu o esperasse, dado de presente por uma amiga querida de Brasília, a Luíza, ainda por cima autografado pelo próprio autor, José Rezende Jr. Segundo porque, embora breves, cada conto lido foi uma experiência gratificante.

Os contos de Eu perguntei pro velho se ele queria morrer são belos, inusitados e inquietantes. Com jogos de linguagem precisos e imagens marcantes o autor constrói seus doze contos com uma prosa simples e sofisticada. Entre eles destaco o que dá nome ao livro, um embate dramático e definitivo entre um filho adotivo e seu pai moribundo, "Quase nada", que lembra um pouco a narrativa do escritor Graciliano Ramos em seu romance mais famoso, Vidas Secas, pois se passa no sertão nordestino"Vida, morte e assunção de Nossa Senhora", sobre uma companhia de teatro que viaja em caravana Brasil afora e que possui uma atriz principal que desperta paixões inusitadas por onde passa, mesmo não sendo uma beldade do cinema e da televisão e "Um conto de horror", talvez o mais eletrizante de todos, que nos fala do dilema de uma mãe em relação a um filho que não sente mais como seu.

José Rezende Jr. escreve bem, é versado nos fatos do cotidiano e demonstra possuir todos os elementos para ser reconhecido como um dos maiores contistas da atualidade. Faço votos que sua carreira literária seja longa, proveitosa e gratificante.

Por fim, aconselho a leitura deste seu livro, o segundo de muitos dele, aos leitores do blog. Procurem-no e leiam cada uma de suas linhas, pois trata-se, justificando o título da resenha, de uma coletânea de preciosidades.

terça-feira, 29 de março de 2011

Carmelo Ameno


Um conto meu, inédito, e sob o pseudônimo de Carmelo Ameno, foi publicado no site de Cultura e Literatura Verbo 21. Passem por lá e prestigiem-me. Desde já agradeço a atenção e os comentários que porventura alguém desejar postar, sejam os mesmos elogios ou críticas construtivas.

Atenciosamente,

Marcelo

P.S.: No site, procurem pela seção tribuna. O conto está lá.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Resenha: A sopa de Kafka


Finas iguarias para leitores de paladares exigentes 

A sopa de Kafka é um livro inusitado e com uma proposta bem original: ser uma espécie de livro incomum de culinária, que contém receitas que foram mescladas a contos que foram batizadas com os nomes de grandes escritores da humanidade.

Mas não é apenas só isso. Cada conto escrito pelo autor remete ao estilo literário de cada um dos homenageados na obra. Tratam, basicamente, do preparo e da degustação de cada uma das iguarias selecionadas para compor o livro. E eu que adoro literatura e gastronomia adorei simplesmente enxerguei em A Sopa de Kafka a união do útil ao agradável.

O autor escolheu cuidadosamente seus ingredientes literários e marinou tudo em ironia e criatividade, adicionando generosas colheradas de humor ao apresentar elaboradas receitas como o 'Cordeiro ao Molho de Endro', onde encontramos o estilo noir de Raymond Chandler. Em 'Ovos com Estragão', o estilo mulherzinha de Jane Austen é inconfundível e em 'Sopa Rápida de Missô' (conto que remete ao título do livro), sentimos com clareza a influência de Franz Kafka.

Outros contos que merecem destaque são 'Delicioso bolo de chocolate', completamente impregnado pela porra-louquice de Irvine Welsh., 'Tiramisu', em homenagem a Marcel Proust, onde o puro saudosismo, característico do autor, dá as caras e Coq au vin', que reverencia Gabriel Garcia Márquez. Até o realismo fantástico que é a marca de suas obras está lá, na figura de um homem que vive em um vilarejo distante e desconhecido da América Latina e que nunca dorme, só durante as missas.

'Risoto de Cogumelo' homenageia John Steinbeck e 'Galeto Recheado' é puro Marquês de Sade. Também super recomendáveis. O estilo cerebral de Virginia Woolf foi registrado com maestria pelo autor em 'Clafoutis Grandmère', que é uma espécie de doce com cerejas, caso algum leigo se pergunte do que se trata. E em 'Fenkata', temos até o estilo épico do grego Homero.

Os outros contos restantes homenageiam Graham Greene, Jorge Luis Borges, Harold Pinter e Geoffrey Chaucer. Embora nunca tenha lido nada de algum deles para avaliar se os contos lhe foram fidedignos, gostei muito do que li. Aliás, gostei muito do livro inteiro e com certeza ele passará a figurar entre os meus favoritos.

Para dar o toque perfeito a esta rara iguaria, Mark Crick criou também divertidas ilustrações, parodiando assim nomes como Andy Warhol, William Hogarth, Jean Cocteau, Vincent Van Gogh e Henry Moore. Elaborados para deliciar os amantes dos livros e da culinária, os pastiches literários são um brinde aos gourmets literários internacionais. Uma leitura imperdível e uma sugestão divertida de presente para este final de ano. Adquira o seu sem receios.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Resenha: Livros de Sangue 1



Sangue, horror, escatologia e sexo


Já leu ou ouviu falar a respeito de Clive Barker? Se sua resposta for negativa, você precisa conhecê-lo imediatamente.


Nos anos 80, este escritor e cineasta inglês ganhou notoriedade por criar um estilo próprio de terror. Além da farta quantidade de sangue e cadáveres, ele empregava em suas histórias ingredientes como o sadomasoquismo e a escatologia. Exemplo disso é seu trabalho mais bem-sucedido como diretor de cinema, Hellraiser (1987), que acrescentou à galeria do horror classe B uma criatura que tinha o rosto crivado de pregos – o demoníaco Pinhead.

Hoje, no Pérolas da Compulsão conheceremos o primeiro volume de uma série de livros de contos bem-sucedida de Clive, os chamados Livros de Sangue. No total de seis volumes, estas obras possuem contos que incomodam, que são desconfortáveis e que enjoam o estômago do leitor antes mesmo de os amedrontarem. Fora Poe, Lovecraft e King (que muito elogia Barker), poucos autores do gênero "terror" conseguiram ter esse efeito duradouro ao longo dos últimos anos, pois as histórias destes livros permanecem em nossa mente durante muito tempo após terem sido lidos, pois Barker nos surpreende com novas nuances de maldades e terrores inéditos e inimagináveis, pois parece entender bem o medo e o mistério. O sexo também é bastante freqüente em suas obras, podendo deixar alguns leitores mais puritanos desconfortáveis.

Este primeiro volume de Livros de Sangue conta com seis contos. O primeiro dele, “O Livro de Sangue”, que se passa em uma casa com fama de assombrada, é curto e basicamente explica o título das obras. Funciona como uma espécie de introdução ao que está por vir.

"O Trem de Carne da Meia-Noite", o segundo conto, é o maior e um dos melhores da obra. Trata-se da história de um homenzinho comum, com uma rotina monótona e sem graça, que vê sua vida virar de cabeça para baixo no dia em que encontra em seu caminho um assassino em série que ataca suas vítimas no metrô e que possui um propósito macabro para justificar estes crimes. 

“O Yattering e Jack”, o terceiro conto, é particularmente o meu favorito do livro. Com doses generosas de humor negro, narra as desventuras de um sujeito às voltas com um pequeno demônio entocado dentro de sua própria casa, que insiste em perturbar a sua vida a fim de roubar-lhe a alma, porém, sem sucesso. Em meio a inúmeras sabotagens e destruições do imóvel, resistências de ambos os lados, fingimentos e teimosias, uma verdadeira batalha sem precedentes entre bem e o mal é vista neste conto. Que lado vencerá?

O quarto conto, “Blues do Sangue de Porco” se passa em um reformatório de rapazes infratores que recebe um novo professor de marcenaria, com tendências suspeitas. O que o professor não contava era que, por trás da fachada de instituição séria, forças terríveis estavam à sua espreita, especificamente na fazendinha de animais anexa ao local.

O quinto conto, “Sexo, morte e luz das estrelas”, é um dos mais profundos do livro. Recheado de divagações filosóficas e demais questionamentos, ele conduz o leitor a um clímax que o faz pensar a respeito de seu próprio destino, talvez em um futuro próximo e sobre este eu não entrarei em mais detalhes, para não estragar a surpresa.

Um casal de gays em crise de relacionamento e viajando pela Europa Oriental passa por sérios apuros em “Nas colinas, as cidades”, o conto que fecha o livro. De longe o mais surreal e fictício de todos. E na minha opinião um pouquinho complicado de se entender.

Livros de Sangue 1 não chega a ser excelente, mas 80% do seu teor é muito bom. A maior prova disto é que este primeiro volume é praticamente raro nas livrarias hoje em dia, mas podem ser encontrados ainda com certa facilidade em sebos. E se você ficou curioso, corra logo e adquira o seu, pois vale a pena conhecer as coisas que Barker escreve.

Até a próxima! 

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Conhecendo Dr. Guto


Leste do Rio



Vejo o Rio verde limão, azul turquesa, goiabeira, a jaca da bicicleta. Micos que descem da mata e vêm comer banana na mão, e mordem seu dedo, barulho de riacho que corre e vira pedra. Sou eu, caminhando, caminhando, que falo a vocês parados no céu: desce daí sacolé, paçoca de amendoín! Sorvete de abacate de trem vem ser feliz, ouça os bobos não, que martelam as cruzes na areia. Areia já levou as tristezas pra Yemanjá, que volta na garrafa de sidra. É, sei que é sidra pelo rótulo, mas podia ser pindorama, batida de umbu ou água do mar. Rolou e a praia virou noite. Que medo de praia. Índio de fora não tem sua Iracema ou brucutu, se for índio no fim da fila...

Barbie, baitola, isso tem no Rio? E o jacaré vem comer os bago deles? Xô caipora feia – violência. Deixa elas namorar, deixa o pastor orar e mendigo mendigar. Sua inimiga aqui é alegria! O bafo do churrasco, os bêbedos da Lapa. Carioca é a Prainha, a maconha na Maré, o Solar da Imperatriz! Hoje ela é senhora de anágua, que censura tudo que censurar. Quer Pan não, quer fumando na escada não, abaixa o som! Vai chamar a polícia! Uuuuuuuuu, pan, pan, pan, cadê o mastercard? Chama Lula, tira do mar, faz alguma coisa cabeça de camarão!!! Tu também é culpado sr. promotor,  preguiçou, ganha vinte mil por mês! O camelô vinte tostão... Grafittei errado excelência: tu dormiu na arquibancada paulista trouxa! Ah, nem turista branquelo tu é, veio de busão São Geraldo, cheio de gaiola, vencer no Maracanã.

O Janeiro é tolerante, redentor, calçadão bordado, pagode com Jazz encima da laje, zona norte, zona sul, e a oeste mata. Gente que chega no tom do avião: ser feliz e nem acordar, porque sono aqui ninguém quer, só ser marimbá! Índio pescador e pescar gente bonita, forasteira, ruiva de shoppings, uma mulata de silicone! Oh negão, qual o problema? Vejo o Rio verde limão, pedalando, sambista e pouco leitor, mas um dia a gente ainda estuda e aprende a pescar manjuba! Moro no mar, no leste do Rio, pra lá dos canhões... Pelas ondas até o Costa brava posso afirmar: o Rio mesmo é a rádio Roquete Pinto!  Beijo em todos.


Dr. Guto é um novo escritor que dá banana aos macacos e veneno a quem precisa de veneno... na definição do próprio.

Pacato advogado da cidade do Rio de Janeiro, pode ser encontrado através de duas formas no vasto mundo virtual: pelo twitter (twitter.com/drgutorj) e no site abaixo, onde o leitor interessado pode fazer o download de seu primeiro livro de crônicas, no formato e-book, cuja capa ilustra esse post.


Não deixe de conhecê-lo e de conhecer suas obras. É amigo e super gente boa. 

sábado, 21 de agosto de 2010

Resenha: Delta de Vênus (Histórias Eróticas)


Fantasias para todos os gostos, com direito a muitas perversões

Antes de começar esta resenha, uma pergunta ao leitor interessado: Tem certeza que você deseja mesmo ler Anaïs Nin? Se sua resposta for positiva, prepare-se antecipadamente para um turbilhão de emoções e sensações que podem oscilar entre o agradável e o desagradável. E siga o meu conselho: tenha a mente aberta.

A primeira vez que ouvi falar da liberal Nin foi em 1990, quando eu tinha apenas 16 anos de idade. Foi o ano do lançamento do filme “Henry e June – Delírios Eróticos”, do cineasta Philip Kaufman. O filme conta a história do escritor americano Henry Miller (Fred Ward) e de sua esposa June (Uma Thurman), que resolvem viver na efervescente e exótica Paris dos anos 30 e conhecem Anaïs (Maria de Medeiros).

Resenhas da época em jornais e revistas ecoavam que o filme era de grande voltagem erótica, por conta da vida de seus protagonistas, que quando (bem) vivos deram vazão a um triângulo amoroso bastante comentado e conturbado, tendo Anaïs como o vértice. Embora tenha me interessado bastante pelo filme na época e por conhecer as obras e vidas dos envolvidos, nenhum deles chegou a ser disponibilizado aqui em minha cidade, para minha total frustração. E é por isso que volta e meia digo ironicamente que é muito difícil viver longe das grandes centros e no meio da selva, por perder oportunidades como essa.

Só agora, depois de adulto (e ainda sem ter assistido ao filme) é que o destino resolveu por em minhas mãos a mais controvertida das obras de Anaïs, o incensado Delta de Vênus (Histórias Eróticas).

Embora não tenha mais o vigor da juventude, este livro chamou muito a minha atenção. Logo no início, numa espécie de prefácio, a autora, muito franca, deixa escapar que escreveu esse tipo de literatura com apenas uma intenção: ganhar dinheiro.

Os anos em que viveu em Paris, que sofreu muito os efeitos das guerras no continente europeu não foram exatamente perfeitos, imersos em um mar de rosas. Para poder viver, tanto ela, Miller e outros escritores tiveram que se submeter aos caprichos e aos generosos pagamentos de um mecenas muito rico que patrocinava esse tipo de literatura para seu voraz consumo pessoal: uma espécie de colecionador de histórias picantes.

E Delta de Vênus é um dos muitos resultados da criação destes contos. Longe de serem românticos, por exigência do seu patrocinador (embora a autora tenha se esforçado por deixá-los mais sentimentais), os contos do livro são puro erotismo carnal, em suas mais diversas nuances, sejam dentro do tradicional papai-e-mamãe, passando por relações bi e homoafetivas e chegando às conhecidas e muitas vezes incompreendidas parafilias (perversões sexuais) descritas nas obras de Sigmund Freud, de quem Anaïs era muito fã e seguidora. Portanto, não estranhe e nem se acanhe com os relatos de voyeurismo, sadomasoquismo, exibicionismo, pedofilia, zoofilia, necrofilia, coprofilia, urofilia, bondage, frottage e incesto que você encontrará nesta obra tão peculiar.

Os melhores contos desta edição, na minha opinião, são “Artistas e Modelos” e os seis que finalizam o livro. Por si sós já valem a leitura do livro, que também possui seus momentos de fraqueza, caracterizados em alguns contos mornos, sem-graça ou repetitivos.

Portanto, se você gosta de sexo sem pudores e de literatura de qualidade que foge do convencional, originados na mente de uma mulher excepcional à frente de seu tempo, arrisque-se neste Delta de Vênus. Sua satisfação será garantida.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Resenha: Inspiração à Beira do Abismo


Realmente: uma grande surpresa vinda de um talento bastante promissor.




Se eu fosse julgar este livro pela sua "cara", diria com a maior sinceridade que jamais o leria, pois o título e sua ilustração de capa me remetem aos famosos e terrivelmente previsíveis livros de auto-ajuda.

Mesmo assim, resolvi adquirí-lo, a título de curiosidade e a fim de prestigiar um novo talento em nossa literatura. E agora, depois que o li, desafio os leitores do blog a irem além, assim como eu, vencendo o preconceito inicial para conhecer, sem temores o "Inspiração à beira do abismo", do gaúcho Jocir Prandi.

Trata-se de um excelente livro de contos de um autor iniciante dotado de grande potencial, que precisa ser urgentemente conhecido pelo grande público. Cada página lida foi uma surpresa agradável para mim. Prandi, se for realmente notado por mais leitores, terá um futuro grandioso pela frente.

A facilidade com que escreve, o lirismo, a simplicidade, a sensibilidade presente em suas palavras tiveram o poder de comover meu coração com seus contos. Basicamente, os mesmos tratam de pessoas que se encontram deprimidas, desesperançadas e à margem de cometer atitudes extremas que podem custar suas próprias vidas ou imensos prejuízos às pessoas que amam.

Há finais felizes? Você precisa ler para saber.

Voltando ao terreno das primeiras impressões, jamais julgue um livro pela capa. A melhor forma de avaliá-lo é notar, enquanto lê o quanto ele consegue prender a sua atenção e a intensidade de batidas cardíacas que ele lhe causa, pois é por meio delas que você descobrirá se a obra em questão é boa ou não.

O livro de Jocir, volto a ressaltar, possui essa qualidade. Cada palavra escrita, cada idéia, cada personagem, nos remete fundo ao mundo de nossas emoções mais humanas, às mais belas virtudes de nossas almas. Nosso coração facilmente se agita ao contato com suas páginas.

Recomendo com louvor a leitura desta obra. Para quem anda precisando de doses de otimismo em sua vida, ela é perfeita.
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