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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ler antes de dormir faz bem


Ler antes de dormir é um hábito comum que geralmente tem origem na infância, quando pais sentam-se à cabeceiras de seus filhos e narram histórias para ninâ-los. Mas, será que o costume traz efeitos benéficos?

Pesquisadores apontam que sim. Desde a infância, o hábito da leitura feita pelos pais auxilia no desenvolvimento das habilidade linguísticas das crianças, tendo ainda efeito na coordenação motora (o manuseio do livro e suas páginas) e na memória dos pequenos, estimulando-a. A leitura também implicam na conduta da criança em sua vida. Conforme as palavras de Barry Zuckerman, professor universitário responsável pela pesquisa, “as crianças, por fim, aprender a amar os livros porque estão compartilhando-os com alguém que amam”.

Um dos muitos benefícios da leitura é a qualidade do sono. Quando se lê antes de dormir, tornando a atividade um hábito, a leitura age como um alarme para o corpo e emite o sinal de que aproxima-se a hora do sono. Calcula-se que de 30 a 40% da população adulta sofra com insônia e outros distúrbios do sono e a leitura pode ser um bom aliado para quem sofre destes maus. Especialistas indicam ainda que a forma da leitura deve ser feita de forma calma, tranquilo, com ritmo mais lento.

Além de facilitar o sono, a leitura é apontada por alguns como uma forma de melhor absorção de conteúdos e informações. Ao adormecer, o subconsciente está mais acessível e quando você lê, a mente tende a facilitar colocar seu psicossoma naquilo que está concentrando antes de dormir. Daí a maior absorção.

Mas cuidados. A leitura antes de dormir pode ser um agravante se feita sem alguns cuidados. Estar em uma posição confortável durante a leitura evita que haja dores nas costas e que problemas lombares sejam agravados. É preciso não ter um apoio confortável e que não se force o pescoço. Especialistas indicam ainda não fazer a leitura já deitado na cama, sendo preferível a escolha de uma poltrona confortável. Os novos tabletes e notebooks não são aconselháveis para a leitura que antecede imediatamente o sono. Especialistas afirmam que telas e displays muito brilhantes despertam a atenção de cérebro e olhos, impedindo que o hormônio melatonina, um dos grandes responsáveis por regular o sono, seja ativado no organismo.

Fonte: Blog Dicas.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Histórias inspiradoras de incentivo à leitura nas escolas



Se leitura vem bem próximo à palavra “inspiração”, conheça aqui atividades de algumas escolas que vão, sim, estimular educadores mas também todos os nós no incentivo à leitura. 
Podem copiar à vontade! E, se você tiver alguma história parecida para nos contar, aproveitem nosso espaço abaixo. 

Livro-presente 
No Colégio Cenecista Elias Moreira, em Joinville (SC), professores de crianças de 4 e 5 anos de idade pedem aos pais, no início do ano, uma quantia em dinheiro equivalente ao valor de um livro. No aniversário de cada criança da sala, então, presenteiam-na com um livro acompanhado de dedicatória feita por toda a turma. 

Personagem amigo 
Eleger um personagem como “amigo da turma”, para que vire tema de sala é outra iniciativa positiva praticada pelo Colégio Cenecista Elias Moreira. Histórias do personagem amigo são lidas, as crianças criam outras (em texto coletivo), vêm filme do personagem, discutem ilustrações que o caracterizam e criam quadrinhas para ele, de modo que se perceba a importância da pesquisa e do aprofundamento das leituras. 

Produção de livros 
Que tal as próprias crianças produzirem livros ao longo da vida escolar? Na escola Grão de Chão, os grupos produzem um diário de sala a cada ano, contando a sua história. Eles ainda fazem livros que sintetizam e registram projetos de trabalhos (dinossauros, casas, abelhas etc.) e têm a chance de produzir livros de reconto e criação de histórias.

O Prêmio: Vivaleitura! 
O Prêmio Vivaleitura acontece desde 2006 para promover e divulgar nos mais variados cantos do Brasil. No site do Prêmio, você encontra projetos relacionados à leitura em creches e escolas, que foram finalistas nos anos dos prêmios de 2006 ou 2007. 

Um berçário cheio de livros 
Os bebês do Berçário Municipal Mãe Cristina, de Marília (SP), estão aprendendo a amar a leitura. Dos clássicos da literatura infantil, como Branca de Neve, Pinóquio e a Bela e a Fera, às fábulas e histórias do folclore brasileiro, como O Boto Cor-de-rosa e o Negrinho do Pastoreio, os livros da escola são lidos para os bebês e também manuseados por eles.
A lição de casa é distribuída toda sexta-feira, na hora da saída, para os pais, um contingente de diaristas, comerciários, secretárias, vigias, operários e estudantes. Cada família recebe um livro da biblioteca da escola, que deve ser lido para os filhos durante o fim de semana e devolvido na segunda, com um relato da reação dos bebês.
Batizado de Meu Broto de Leitura... Leitura de Histórias, Contos, Poesias... Para Bebês, o projeto foi idealizado pela professora Creuza Prates Galindo Soares. Muitas vezes, os próprios pais são apresentados aos livros por causa do programa. Além disso, o Meu Broto de Leitura fortalece os vínculos entre os bebês e os pais e também aproxima a família da escola. 

Rimas com a Literatura de Cordel 
O projeto vencedor na categoria Escolas Públicas ou Privadas, Cordel: rimas que encantam, nasceu da necessidade de conhecer o repertório dos alunos da Escola de Ensino Fundamental João Pinto Magalhães, localizada em São Gonçalo do Amarante (zona rural do Ceará), para entender a melhor maneira de estimulá-los no processo de aprendizagem.
Ao perceber a passividade e a desmotivação com que seus alunos encaravam o ato de ler, Francisca das Chagas Menezes Sousa, idealizadora do projeto, resolveu investigar os motivos de tamanho desencanto pela literatura. Descobriu que uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos estudantes era conciliar seu “falar cotidiano” com a “linguagem escolar”. Concluiu que os jovens simplesmente não compreendiam um texto normativo por ser muito diferente de sua realidade lingüística. A solução? O cordel. Francisca apostou em textos que apresentassem uma oralidade familiar, isto é, a linguagem popular dos cordelistas da região, para desenvolver nos alunos as habilidades de leitura e escrita. “Não existe pessoa desmotivada, mas leitura que não agrada”, acredita Francisca. “Temos simplesmente que descobrir que tipo de texto conquista cada indivíduo.” 

Biblioteca no barco 
Uma biblioteca dentro do barco que leva diariamente os alunos para a escola, com acervo formado por doações. Foi assim que um mero meio de transporte se transformou em fonte de estudos e informação. Com o nome de Biblioteca Espumas Flutuantes, o projeto, iniciativa da prefeitura de Angra dos Reis (RJ), foi um dos cinco selecionados como finalistas do Prêmio VIVALEITURA, na categoria Bibliotecas Públicas, Privadas e Comunitárias.
A solução de incentivo à leitura funciona desde 1994 no barco Irmãos Unidos II, contratado pela prefeitura para levar diariamente crianças e jovens de praias da Baía da Ilha Grande para a Escola Municipal Silvestre Travassos, situada na Praia de Araçatiba. O barco sai do cais às 5h e chega à escola às 8h, depois de oito paradas. Na volta, deixa Araçatiba às 14h e ancora no cais ao entardecer. Durante as duas viagens, cerca de 100 alunos, monitorados por dois professores, podem fazer pesquisas escolares, empréstimos ou leitura livre. 

Estudantes gravam livros falados para deficientes visuais 
A descoberta da solidariedade a partir da tomada de consciência das diversas carências humanas. Foi o que aconteceu com os 46 alunos da 7º série de 2007 da escola particular Palmares, em Curitiba, Paraná.
A partir de uma série de reflexões feitas em sala de aula junto com a professora, eles foram para a ação. Instigados pela mestra, foram visitar a biblioteca pública do Paraná para conhecer o acervo público de livro falado, visitado no ano anterior. O responsável pelo setor, um deficiente visual, contou os meandros de produção deste acervo e suas principais carências. A artificialidade das narrações feitas por meio do computador, com voz sintetizada e a falta de voluntários para a gravação da leitura das obras, sensibilizou os alunos. “Meus alunos ficaram impressionados com a frieza dessa voz e pediram para ouvir um livro que tivesse sido gravado por voz humana”, afirma Vanessa Lopes Ribeiro, a professora de Português da turma, que havia iniciado um trabalho de gravações de livros com os estudantes da mesma série em 2006. O trabalho foi iniciado com ênfase em livros infanto-juvenis, os mais requisitados pelas bibliotecas do interior do Estado. Cada aluno escolheu dois livros, um para ser gravado na escola e outro em casa. Com isso, o número de livros falados do acervo da seção de braille da Biblioteca Pública do Paraná teve um incremento considerável. 

Os gibis como iniciação à leitura 
Utilizar o gibi como forma de iniciação à leitura. Essa foi a forma encontrada por três professores da rede municipal na cidade de Pompéia, localizada na região centro-oeste do Estado de São Paulo.
É o projeto Semeando o Prazer de Ler com as Histórias em Quadrinhos, que busca desenvolver nas crianças e nos pais o hábito e o gosto pela leitura, formando leitores por meio de momentos prazerosos de leitura nas unidades educacionais. Os quadrinhos mais utilizados são os da Turma da Mônica e os do Menino Maluquinho.
O projeto envolve diretamente 60 alunos da pré-escola e foi criado pelos professores Marcelo Campos Pereira, Rita de Cássia Souza Ribeiro Silva e Vilma Maria do Nascimento Vicentin, da EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil) Sonho de Criança.
Para ampliar o número de gibis disponíveis para os alunos, uma campanha batizada de Aqueça o Nosso Prazer de Ler foi difundida na cidade. Os organizadores conseguiram arrecadar 300 gibis pelos nos mais variados locais da cidade, como bancos, lojas e ginásios de esporte. 
Estava pronta a base da gibiteca de Pompéia, que inicialmente foi repartida entre três turmas da EMEI Sonho de Criança. Os alunos passaram retirar gibis e levar para a casa. O processo acabou por envolver de forma efetiva as famílias no projeto.
O passo mais importante foi levar os pequenos leitores e a gibiteca para outros lugares e contagiar outras crianças a desenvolverem o gosto e o prazer pela leitura. Foram criadas atrações à parte como o Trenzinho da Leitura, vagão que transporta as crianças caracterizadas de personagens da Turma da Mônica.
“Colocamos a gibiteca no trenzinho e saímos pela cidade visitando toda semana algumas unidades educacionais”, conta um dos mentores, Marcelo Campos Pereira. Segundo ele, essas ações, dentro e fora da unidade escolar, ajudaram a “semear” nas crianças o desejo pela leitura.


Texto de Marina Vidigal publicado originalmente no site Crescer.

domingo, 1 de maio de 2011

Iniciação à leitura


"Criar o hábito da leitura já perdeu o sentido. Queremos que as crianças leiam por prazer ou por costume?"


CRIANÇA PODE adorar livros e histórias, desde que os adultos não atrapalhem. E como temos atrapalhado o que poderia ser uma verdadeira paixão pelos livros!

Ler é bom, precisamos formar leitores, a vida sem a literatura não teria graça, temos de incentivar o hábito da leitura nas crianças e nos jovens etc. Afirmações como essas brotam da boca de pais e de professores assim, sem mais nem menos.


Temos gosto em pegar frases e repeti-las muito, até que elas percam seu sentido, não é verdade? Assim aconteceu com essas e outras afirmações que tratam da importância da leitura na vida dos mais novos: tanto fizemos que conseguimos esvaziar o que elas dizem.
Primeiramente quero falar dessa expressão horrorosa: "Criar o hábito da leitura". Ah! Vamos aproveitar e lembrar outra semelhante: "Criar hábito de estudo".
Nós queremos que as crianças tenham prazer com livros e histórias ou queremos que adquiram um hábito?

Leitura, tanto quanto estudo, não deve ser tratada assim. Um hábito se instala e pouco -quase nada- acrescenta à vida de uma pessoa.

Já o amor, o prazer, o gosto verdadeiro pela leitura ou pelo estudo são capazes de mudar a nossa vida. Ler e estudar devem ser uma escolha, uma vontade, uma busca por algo que não se tem.

O bebê já pode ser introduzido ao mundo dos livros e da leitura. Pais e professores podem começar contando histórias e oferecendo livros para que ele manuseie, explore, se entretenha com esse objeto. E não precisa ser livro de plástico, que produza som ou coisa semelhante. Livro de verdade mesmo, de papel, com figuras bonitas e letras, encanta o bebê.

O escritor Ilan Brenman, apaixonado pela literatura, afirma que um requisito importante para iniciar as crianças no universo da leitura é a beleza do livro. Sim: uma capa bonita já chama a atenção da criança, tanto quanto as ilustrações. Aliás, muitos livros sem palavras são lidos pelas crianças com a maior atenção.

Ainda falando de bebês e crianças muito pequenas: o papel do livro, suas diferentes texturas, odores e cores também já são alvo da curiosidade delas e objeto de pesquisa concentrada.

E o que dizer de livros de histórias que crianças já conhecem e adoram -"Peter Pan" e "Alice no País das Maravilhas", por exemplo- com adaptação em "pop-up"? Imperdíveis, já que encantam crianças e adultos.

Não devemos menosprezar as crianças quando o assunto é história: elas não gostam apenas daquelas que foram escritas para as crianças. Toda a literatura, principalmente a clássica, pode ser oferecida, sem censura.

Tornar a leitura um ato obrigatório é uma dessas manias que nós adotamos com as crianças que prejudicam a descoberta que elas poderiam fazer do prazer da leitura. Tudo bem: isso pode ser feito como tarefa escolar, mas depois, bem depois de oferecer a elas a oportunidade de ler por gosto e não por obrigação, no fim do ensino fundamental, por exemplo.

Finalmente: a literatura não deve servir para moralizar a vida dos mais novos.

Nada de contar histórias que só servem para tentar "ensinar" a criança a ter bons modos, escovar os dentes etc. A educação moral e para a higiene, por exemplo, deve usar outros recursos.

Que tal um programa com seu filho? Visitar uma biblioteca ou uma livraria para procurar um livro bonito e gostoso de ler e de ouvir?

Certamente você e seus filhos irão aprender muito sobre a vida e sobre vocês mesmos nesse programa. E boa viagem!


Texto de Rosely Sayão, psicóloga e autora do livro Como Educar Meu Filho?
Publicado originalmente no Caderno Equilíbrio (pág. 8), 
da Folha de São Paulo de 26/04/11.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Leitura e saúde - Conclusão


Confirmado: Ler no banheiro faz mal à saúde


É comum ouvir conselhos de que a leitura no banheiro ajuda a relaxar. Na verdade, a posição sentada, enquanto se aguarda o momento da evacuação, não é adequada, pois contribui com o surgimento de hemorróidas. O médico Renato A. Bonardi, chefe da Unidade de Coloproctologia do serviço de cirurgia geral do Hospital de Clínicas de Curitiba e professor adjunto do Departamento de Cirurgia da PUCPR e da UFPR, alerta para que "se evite o hábito de leitura no banheiro, pois pode desencadear a formação de hemorróidas pelo aumento de pressão sobre os vasos hemorroidários." A presença delas com ou sem acompanhamento de sangue faz parte do conjunto de afecções anorretais que estiveram presentes na história da humanidade. Os hábitos da vida moderna contribuem com o aumento de sua importância. Calcula-se atualmente que mais da metade da população a partir dos 30 anos tem hemorróidas.
Retrospectiva. De acordo com Quilici e Reis Neto (2000), em 2750 a.C. a medicina egípcia se mostrava adiantada e utilizava narcóticos para a sedação cirúrgica. Especialistas já atuavam em diversas áreas. Dentre os especialistas de doenças anais, um era médico pessoal do Faraó e tinha o título de O guardião do ânus do Faraó. A história escrita da medicina egípcia começou em 3000 a.C., conforme os papiros antigos que copiavam ensinamentos contendo fórmulas médico-místicas de anotações mais remotas. Na Índia, nos livros sagrados do budismo, está registrado o nome do médico Jivaka, lembrado pelas operações que realizava e pelas menções ao tratamento de hemorróidas. Na Grécia, Hipócrates descreve o tratamento das dilatações de veias anais por meio de sangria no braço para conter o fluxo hemorrágico.
Mas foi na primeira escola de medicina conhecida no mundo, a da cidade de Alexandria ao norte do Egito, que surgiu, no século IV a.C., o manuscrito apresentado por Paulus Aegineta (502-575), conhecido como Aécio de Constantinopla, que descreve uma técnica operatória para doença hemorroidária completa. Na Idade Média, entre os anos 1000 e 1400, o nome de homorróidas se tornou deselegante e passou a se chamar mal de São Fiacro. No século XVI, as hemorróidas com hemorragias passaram a ter a indicação absoluta de cirurgia devido à anemia que acarretavam. Nos séculos XVII e XVIII foi difundido o uso de laxativos para o tratamento de fístulas anais.
Hemorróidas já acometeram grandes figuras da humanidade como Tibério, o imperador romano e o educador Lutero. Os estudos sobre a doença hemorroidária realizados pelo patologista e anatomista Giovanni Batista Morgagni (1682-1771) indicam que elas não existem em animais e relacionam a sua etiologia à posição vertical do homem associada à ausência de válvulas venosas na circulação retal e à predisposição hereditária. No século XIX começou o avanço da medicina moderna. O pioneiro da proctologia brasileira, em 1914, foi o pernambucano Raul Pitanga Santos, que clinicava no Rio de Janeiro.
Prevenção. Existem meios para a prevenção. O médico proctologista, Renato A. Bonardi, comenta que "as lesões anais são interpretadas pela população como hemorróidas, mas nem sempre representam hemorróidas. Quando se tem um sintoma, principalmente o sangramento, ele deve ser sistematicamente avaliado, porque lesões graves como o câncer do reto surgem primeiramente com uma lesão, ou seja, as lesões precursoras do câncer colo-retal podem se manifestar com sangramento. Além do sangramento, outros sintomas são comuns. Por exemplo, a presença de muco ou catarro nas fezes, a presença de secreção purulenta como fístulas, a sensação de evacuação incompleta ou a necessidade imperiosa de evacuar repetidamente. Fatores predisponentes e desencadeantes de hemorróidas ocorrem no período gestacional, por esforço e aumento de pressão, como resultado de fatores anatômicos, e na posição sentada por tempo prolongado no vaso sanitário."
O paciente V. D. A., empresário que fez tratamento para se livrar de hemorróidas, acha que ficar muito tempo sentado diante de um computador poderia provocar o aparecimento dessas dilatações de veias anais, mas para o dr. Bonardi isso não é real. O que as provoca é a posição sentada no vaso sanitário, pois é como se um funil estivesse dentro de outro funil, facilitando seu aparecimento.
Dentre os cuidados higieno-dietéticos, o professor Bonardi destaca: a alimentação com fibras; a ingestão adequada de líquidos; a prática da não-leitura no banheiro no processo de evacuação; o uso adequado de papel higiênico que, se for de qualidade inferior, deve ser umedecido para não causar lesão à pele. Os lenços umedecidos são aconselhados no período de cicatrização de lesões cutâneas, mas podem ser utilizados diariamente. O papel higiênico industrializado colorido é mais agressivo à pele. O médico proctologista finaliza com a recomendação considerada o mais importante cuidado preventivo: todo e qualquer sangramento deve ser sistematicamente avaliado ou todo indivíduo que tem um sintoma deve procurar os profissionais da medicina.

Texto publicado no site Paraná Online, de autoria da jornalista Zélia Maria Bonamigo, especialista em Mídia e Despertar da Consciência Crítica e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. E-mail:zeliabonamigo@uol.com.br

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Frase (XVI)


"Quem não lê não pensa, e quem não pensa será para sempre um servo."
[Paulo Francis, jornalista brasileiro, já falecido]

terça-feira, 19 de abril de 2011

Leitura e saúde - Parte II


Dando continuidade à série de postagens iniciadas na terça passada e que se estenderão até a próxima, vamos saber um pouco mais a respeito da relação leitura X saúde. Semana passada abordamos a questão sob um ponto de vista preventivo. Hoje, damos prosseguimento ao tema falando a respeito de uma linha terapêutica em particular: a Biblioterapia.

Segue então um texto bem interessante escrito pela então doutoranda em Psicologia Lucélia Elizabeth Paiva que foi baseado em sua tese, intitulada "A arte de falar da morte: a literatura infantil como recurso para ser abordado com crianças e educadores)".

BIBLIOTERAPIA

Palavra originada do grego Biblion: todo tipo de material bibliográfico ou de leitura

Therapein: tratamento, cura ou restabelecimento.

A leitura é uma atividade que além do desenvolvimento cultural e de formação do cidadão, pode desempenhar um papel terapêutico.

A biblioterapia pode ser aplicada tanto num processo de desenvolvimento pessoal, educacional, como num processo clínico-terapêutico.


É um processo interativo que se utiliza da leitura e outras atividades lúdicas como coadjuvantes, inclusive em tratamentos de pessoas acometidas por doenças físicas e mentais. Pode ser aplicada na educação, na saúde e reabilitação de indivíduos em diversas faixas etárias.

As histórias podem levar a mudanças, pois auxiliam o indivíduo a enxergar outras perspectivas e distinguir opções de pensamentos, sentimentos e comportamentos, dando oportunidades de discernimento e entendimento de novos caminhos saudáveis para enfrentar dificuldades.

Pode ser aplacada no contexto escolar, no processo de hospitalização e de sociabilização.

Abrange quatro estágios:

- O leitor/ouvinte se envolve com a trama e/ou com o personagem da história (envolvimento), promovendo a identificação. Ao identificar-se, pode reconhecer e vivenciar de forma vicária seus sentimentos característicos. Os problemas resolvidos com sucesso farão com que o indivíduo realize uma tensão emocional associada aos seus próprios problemas, atingindo a catarse. Desta forma, pode chegar ao insight, que leva o leitor/ouvinte a aplicar o que aconteceu na história à sua vida pessoal. 


A semelhança do problema da história leva à aproximação da vida pessoal, tornando-o acessível, atingindo uma etapa final, que seria a universalidade, onde se podem compreender outros problemas similares.

Para que esse processo se realize com sucesso é importante a seleção criteriosas do material a ser utilizado, a apresentação e definição da duração do processo e dos materiais, assim como o acompanhamento através da exploração emocional dos materiais e o compartilhamento das experiências.

É importante ter em mente que, ao ler um texto, o indivíduo constrói um texto paralelo, intimamente ligado às suas experiências e vivências pessoais, o que o torna diferente para cada leitor. Assim, conceitos podem ser transmitidos, mas os significados são pessoais e instransferíveis.

Através da biblioterapia, o indivíduo pode ser ajudado a ganhar distanciamento de sua própria dor e expressar seus sentimentos, idéias e pensamentos, o que pode possibilitar uma percepção mais aguçada de sua própria situação de vida, desenvolvendo uma forma de pensar criativa e crítica, alem de diminuir o sentimento de solidão (de sentir-se único a se sentir daquela forma), validar seus sentimentos e pensamentos, desenvolver empatia com outras pessoas (quando a biblioterapia é aplicada em grupo). Isso favorece a diminuição da ansiedade.

No entanto, é importante que se perceba que a biblioterapia não é uma fórmula mágica, nem uma intervenção única para promoção de mudanças. É uma ferramenta ou recurso terapêutico que faz parte de um processo.

A biblioterapia constitui-se em uma atividade interdisciplinar, podendo ser desenvolvida em parceria com a Biblioteconomia, a Literatura, a Educação, a Medicina, a Psicologia, a Enfermagem..., que tem como objetivo a troca de informações entre as áreas relacionadas.


O resultado terapêutico ocorre pelo próprio texto, sujeito a interpretações diferentes por pessoas diferentes.

Desta forma, a biblioterapia constitui-se em um meio possível para se abordar temas existenciais (como a morte, por exemplo) com crianças tanto no contexto da saúde como da educação.

Na próxima semana concluiremos a questão leitura e saúde respondendo a 
uma pergunta bastante crucial: Ler no banheiro faz bem ou faz mal? Não percam.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Leitura e saúde - Parte I


Hoje e nas próximas terças-feiras (num total de três) trataremos excepcionalmente aqui no Pérolas a respeito dos benefícios que o hábito da leitura pode trazer à saúde dos indivíduos. Nesta, abordaremos a questão preventiva, ou seja, ações que podem ser feitas para a prevenção de doenças; na próxima, a questão terapêutica, relacionada ao tratamento de doenças e, finalmente, na última, sobre um hábito de um grande número de pessoas que é pouco recomendável pelos médicos (envolvendo a leitura, claro).

Interessou-se pelo assunto? Vamos a ele então.

O hábito de ler proporciona muitos benefícios à saúde, segundo reportagem do portal R7. A leitura ajuda a reduzir o estresse e estimular a memória. Sua prática age como uma musculação para o cérebro e os médicos recomendam que se leia um livro por mês.


Ao acompanhar um texto, exige-se do cérebro um conhecimento dos sistemas de linguagem, obrigando o leitor a realizar um trabalho ativo de compreensão e interpretação de texto. E isso ajuda a manter a funcionalidade intelectual ao longo da vida, mantendo a mente ativa e prevenindo déficits de memória e declínios das funções cognitivas.

O ato de ler envolve quatro processadores: o processador ortográfico, que diz respeito à maneira de escrever as palavras; o processador de palavras refere-se ao sentido de uma palavra; o processador fonológico refere-se à unidade menor que forma uma sílaba ou uma palavra; e o processador de contexto que se refere à sintaxe, ao papel de cada palavra numa frase, formando uma estrutura com um significado maior que a palavra, desenvolve noções lingüística e regras gramaticais.

Estudos mostram que hábeis leitores não necessitam mais do processador fonológico para entender o significado de uma palavra escrita. Já maus leitores apresentam dificuldades nos processadores visuais e/ou auditivos, cometendo distorções, inversões, trocas e omissões, as chamadas dislexias. Conforme os tipos de dislexia, estudos mostraram lesões nas áreas, occipital, temporal ou ainda parietal.

Impressionado? Caso não tenha o hábito de ler pelo menos um livro ao mês, comece a cultivá-lo. Como vimos neste post, será para seu próprio bem.

Na próxima terça, saberemos um pouco mais sobre o tema Biblioterapia. Não percam!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O que o hábito de ler pode fazer por você


Os livros podem mudar seu futuro. E bastam quinze minutos de leitura diários. Não é exagero!

Com poucos minutos você já aproveita os benefícios que a prática da leitura traz e nem é preciso ler textos complicados. Acompanhe um jornal, uma revista ou mesmo um blog.

A atriz Regina Casé, que é amiga dos livros, nos fala a respeito do hábito de ler: “Sempre leio algo relativo ao trabalho, a uma viagem, à entrevista que farei. Às vezes invento um programa só para estudar um assunto interessante”.

Veja então o que a leitura faz quando você a incorpora em sua vida:

  • Solta sua imaginação.
  • Estimula sua criatividade.
  • Aumenta seu vocabulário.
  • Facilita a escrita.
  • Simplifica a compreensão das coisas.
  • Melhora a comunicação com os outros.
  • Amplia seu conhecimento geral.
  • Mostra semelhanças em pessoas diferentes.
  • Revela novas afinidades.
  • Leva a mares nunca antes navegados.
  • Desenvolve seu repertório.
  • Emociona e causar impacto.
  • Liga seu senso crítico na tomada.
  • Muda sua vida e até amplia sua renda.
  • Melhora seu rendimento na escola (claro).

Portanto, leia.

Fonte: Revista Viva Mais, Abril/2009.
Ilustração: "Meninas lendo", de Pablo Picasso.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O que é Leitura Dinâmica?


A maioria das pessoas, quando perguntada, diz que não gosta de ler, porque isto lhe dá sono. Na verdade, não é a leitura que dá sono, e sim o modo como ela é realizada. Devido ao modo como aprendemos a ler, as pessoas ficam com hábitos prejudiciais de leitura , tais como:

1) Sub-vocalização(leitura como os lábios ou com a garganta).
2) Leitura Linear (palavra por palavra).
3) Leitura desatenta (com constantes re-leituras do mesmo trecho, e uma baixa retenção do conteúdo lido).


Também em razão deste tipo de leitura, as pessoas acostumam-se a ler pouco, o que acarreta na maioria dos casos num pequeno repertório de palavras. Assim, qualquer palavra que desconheçam (devido a pouca leitura) provoca-lhe um desconforto interno inconsciente, que elas (as pessoas) procuram justificar-se dizendo para si próprio e para os outros que não gosta muito de ler. Existem, então, dois motivos básicos pelos quais você lê errado:

01) O modo como aprendeu a ler.
02) Ler de modo inconstante.


Na verdade, um decorre do outro: você lê pouco, devido ao modo como aprendeu a ler. É claro que isto não significa que não saiba ler; isto significa apenas que, em sua aprendizagem, foi imposto um limite à sua velocidade de leitura, limite este que você jamais tentou superar.

Quando se ensina uma pessoa a ler, as palavras são divididas em sílabas, para facilitar a aprendizagem da leitura. Além disso, as palavras são lidas em voz alta, sílaba por sílaba. Infelizmente, depois de aprendida a leitura, as pessoas continuam a ler fazendo esta vocalização das palavras; mesmo que silenciosamente. Na verdade, este é o maior obstáculo à leitura rápida.

Para aprender a ler dinamicamente, de um modo veloz e produtivo, você deve mudar o seu método de leitura, o que se pode conseguir com um treinamento especial. Primeiro, você deve perder o hábito de subvocalizar as palavras. Depois, deve habituar-se a enxergar o conjunto de palavras, ao invés das palavras isoladas. À medida que progredir nos exercícios, você conseguirá enxergar blocos cada vez maiores de palavras de uma só vez. Com os exercícios, você conseguirá enxergar blocos cada vez maiores de palavras de uma só vez. Com os exercícios de atenção, aprenderá a aumentar a sua atenção durante a leitura, o que fará que retenha cada vez mais o conteúdo do que ler.

A velocidade que conseguir atingir, a par desta retenção de conteúdo, dará um prazer cada vez maior às suas leituras.

Leitura dinâmica passo a passo

Luiza Destri deu à Revista Superinteressante algumas dicas, que reproduzo aqui.

Elimine os ruídos: Desligue a TV, coloque o computador para descansar, prenda o cachorro e esqueça o celular. Sente-se confortavelmente sob um abajur e faça estes exercícios com um texto da SUPER que você já leu várias vezes, porque é importante treinar com uma informação que você domina.

Descubra a sua marca inicial: Cronometre um minuto no relógio e conte quantas palavras você consegue ler nesse tempo. Um leitor normal lê 150 palavras por minuto, com 60% de aproveitamento. Já um leitor dinâmico lê de 5 a 8 vezes melhor: 800 palavras, com compreensão de 80%.

Use os dedos: Tome cuidado para não pronunciar o que lê, mexendo a boca. Também tente evitar voltar sempre para a mesma linha do texto. Aí o jeito é acompanhar as linhas com o dedo. Agora é só acelerar e ler mais rápido. Você não vai entender nada no começo, mas seu cérebro vai ser forçado a absorver informações.

Visualize blocos: Com a aceleração, seu pensamento vai mudar e seus olhos aprenderão a focar em um único ponto da palavra. É aí que acontece a mágica: você não verá mais o texto como uma seqüência de letras, mas em unidades de pensamento. Para ler, você vai passar das sílabas para as palavras e das palavras para as idéias centrais do texto.

Troque de leitura: Vá aos poucos mudando o tipo de texto. Daquela reportagem que você já decorou, passe para notícias sobre celebridades, por exemplo, que são simples. Você conhecerá rapidamente as últimas bagunças de Paris Hilton talvez até antes de ela cometer outra. Depois procure algo mais denso. Quer ter uma noção exata? É possível ler Dom Casmurro, que tem mais de 65 mil palavras, em 80 minutos.

Fonte: Site Algo Sobre Vestibular.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Hábito de leitura e gosto por livros



Nem sempre o hábito de ler e o gosto por livros caminham juntos.  Assim sendo, precisamos diferenciar o hábito da leitura do hábito de consumir livros.  A leitura é um ato do intelecto e, se bem desenvolvida, pode tornar-se uma fruição estética e espiritual.

Volta e meia são publicadas pesquisas falando dos hábitos de leitura do brasileiro. São pesquisas que denunciam os baixos índices de alfabetismo, as dificuldades econômicas de acesso aos livros ou a pouca cultura livresca do país. Mas tais informações nem é preciso ser brasileiro para conhecer: elas não chegam a surpreender e evidenciam o que muitos já sabem há muito tempo.

De fato, o cidadão brasileiro carece de tempo, dinheiro e interesse para ler, e tais carências muito prejudicam a formação, manutenção e incremento do hábito de leitura no Brasil. Entre os jovens, geralmente, há pouca disposição para freqüentar livrarias e consumir livros, e a média de livros lidos mensalmente entre leitores jovens e adultos é bem pequena, se comparada à de outros países.

A estas informações (que soam alarmantes para muita gente), somem-se todas as decantadas pesquisas, previsões, sondagens e especulações sobre o futuro do livro e seu provável fim enquanto objeto de leitura, e então temos perspectivas ainda mais sombrias. Diante de tal cenário, não é à toa que a Câmara Brasileira do Livro está implantando uma política para a promoção do livro nacional, a fim de estimular o gosto de ler entre os jovens e, conseqüentemente, o consumo de livros.

Números tristes ou interessantes à parte, acho que se faz necessário dissociarmos o hábito da leitura do hábito de ler livros, começando por diferenciar uma coisa da outra. Leitura é algo muito mais abrangente do que ler livros, vai além do simples ato de fazer varredura visual de letras sobre folhas de papel.

A leitura, enquanto processo humano em constante evolução, é atitude complexa. Requer uma pré-disposição específica para a compreensão do mundo que nos cerca. Ultrapassa a mera apreensão do significado literal de palavras, estando ligada ao desenvolvimento de uma postura pensante ativa, humanística e integralizante. Em poucas palavras, ler é educar-se.


Para cada pessoa, um tipo de leitura

A leitura é um ato do intelecto e, se bem desenvolvida, pode transformar-se em fruição estética e espiritual. Quem tem o hábito freqüente de ler não faz diferença quanto ao objeto de leitura. Tanto faz se é livro, bula de remédio, panfleto entregue pela janela do carro nos semáforos urbanos, revista de variedades na sala de espera do consultório médico, apostila técnica, site na internet ou e-mails no palmtop.

Quem tem por hábito ler não se importa se chove ou faz sol, se está escuro ou claro, se está na biblioteca, no banheiro ou no metrô. Não se importa se o texto está em papel ou na tela, se o que lê é livro ou computador. Quem se interessa por ler lê tudo o que lhe cai nas mãos - e isto não é apenas "chavão demodé", mas fato facilmente observável. Quem gosta de ler lê tudo e lê sempre, em qualquer circunstância, desde que sinta necessidade e/ou prazer para tanto.

Já o amor pelos livros é outra história. Há, sem dúvida, os aficcionados do texto de papel, que estremecem de emoção ao sentir o cheiro de livro novo, recém-saído da gráfica. Ou a emoção paradoxal de cheiro de livro velho, curtido em sebos de qualidade, esperando o folhear leve, típico do slow food... Roçar os dedos por folhas de papel de boa qualidade, ouvindo o estalar de páginas virgens de um livro ainda não lido, é um prazer estético. Gostar de livros é experiência sensorial - tátil, visual, auditiva, olfativa. Amar livros é uma experiência sinestésica quase sexual, tão relacionada que está aos sentidos e ao prazer extraído através deles.

Também não podemos nos esquecer daqueles que adoram tanto os livros que quase chegam a enquadrá-los, colocando-os como objetos de puro adorno em estantes, colecionando-os a metro. São pessoas que se extasiam com os livros enquanto objetos estéticos, extáticos, materiais, fetichistas até, independentemente de seu teor. Mas que, no entanto, não se interessam pelo seu conteúdo potencialmente dinâmico.

Por outro lado, conheço pessoas que lêem vários livros técnicos e de cunho estritamente profissional, impressos no velho e bom papel, que facilmente engrossariam a estatística de leitores e, no entanto, não lêem mais nada além disso. Até se irritam ao ouvir falar em livros fora do expediente ou dos bancos escolares. Aí eu me pergunto: será que podemos considerar essas pessoas efetivamente "leitoras"? Será que elas gostam mesmo de ler, têm a leitura como modo de vida, no sentido mais amplo? Ou seriam apenas leitores funcionais (fazendo-se uma analogia com os analfabetos funcionais), que até lêem, mas não estão acostumados a ler, a não ser quando absolutamente necessário?


Ler é educar-se

Eu, sem dúvida, estou incluída no rol dos que amam os livros e o texto impresso. Sou uma colecionadora de papéis de mão cheia e também adoro navegar sem pressa pelas estantes de livros, sejam elas de livrarias da moda ou estantes empoeiradas de sebos repletos de relíquias ou esquecimentos. Reverencio tanto as novas edições (ainda mais se são caprichadas edições de arte) quanto os livros antigos, que armazenam ácaros de segredo e saudade.

Confirmando o clichê, leio tudo o que me cai na mão. Todas as paixões legíveis me divertem. Entretanto, para mim há claramente uma distinção entre o ler, enquanto modus vivendi, e o gostar de livros, enquanto fixação amorosa ou hobby. Amar livros não é necessariamente amar a leitura; mas amar a leitura é, conseqüentemente, amar (também) os livros.

Falo por experiência própria. Sou uma leitora compulsiva, às vezes obsessiva, e o que me interessa sempre é o texto - não importa como ele venha. O que eu quero é o conteúdo, a mensagem. O suporte, a forma como ele é formatado ou embalsamado, é apenas um detalhe, uma questão transitória.

Insisto como importante esta distinção entre o hábito da leitura e o consumo de livros pois vejo como absolutamente necessário nos adaptarmos aos novos tempos e às novas tecnologias. Ao longo de toda a história do homem, antes e depois da criação da escrita, é assim que temos evoluído socialmente - engendrando novas formas de leitura e aprendizado através das tecnologias que fabricamos. E é assim que, desde os primórdios da comunicação humana, acostumamo-nos a ler e interpretar sinais de fumaça, toques de tambores, cantos de guerra, máscaras, pinturas corporais, tatuagens, papiros, pergaminhos, códices feitos do couro de ovelhas jovens, iluminuras medievais até chegarmos aos livros impressos pós-Gutemberg.

Da mesma forma, devemos hoje estar preparados para ler tanto livros de bolso e edições de arte & luxo quanto histórias em quadrinhos, revistas, jornais, outdoors, neons, painéis eletrônicos urbanos, grafites, programações televisivas, canções e trilhas sonoras, música ambiente, filmes, anúncios publicitários, telas de máquinas de raios catódicos ou de cristal líquido, telefones celulares ou quaisquer outros dispositivos híbridos móveis de comunicação telemática, e tudo o mais que apresentar algum conteúdo informativo a ser transmitido, não importa em qual formato ou suporte tecnológico ele se mostre.

Enquanto não diferenciarmos o hábito da leitura (enquanto estilo e paradigma de vida) do hábito de ler livros de papel; enquanto continuarmos insistindo em considerar leitores só aqueles que lêem "x livros/ano", numa abordagem meramente formal e quantitativa, continuaremos a assistir ao definhamento das estatísticas oficiais que indicam quantos são os reais leitores existentes.

Pois, se continuarmos nos portando desta forma míope, continuaremos a tapar o sol com as mãos diante do fato de que o universo da leitura é muito mais complexo e abrangente do que o universo letrado dos livros, e não seremos nós mesmos leitores-intérpretes honestos da realidade.
Enquanto não encararmos o fato de que hoje, parodiando o escritor brasileiro Monteiro Lobato, uma nação se faz de homens e leitura, não importa qual seja a fonte da leitura, não cumpriremos a missão cidadã de orientar as novas gerações de leitores que estão surgindo, pois estaremos negando um futuro prescrito que já se faz presente.


Para saber mais

Câmara Brasileira do Livro: http://www.cbl.org.br

Associação Brasileira de Editores de Livros - ABRELIVROS: http://www.abrelivros.org.br/abrelivros/

Amigos do Livro: http://www.amigosdolivro.com.br

Sobre Monteiro Lobato: http://www1.uol.com.br/folha/almanaque/monteirolobato.htm


Texto de autoria de Rosy Feros para o Site Recanto das Letras

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