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sábado, 23 de abril de 2011

Dia Internacional do Livro



Dia Internacional do Livro teve a sua origem na Catalunha, uma região semi-autônoma da Espanha.
A data começou a ser celebrada em 7 de outubro de 1926, em comemoração ao nascimento de Miguel de Cervantes, escritor espanhol. O escritor e editor valenciano, estabelecido em Barcelona, Vicent Clavel Andrés, propôs este dia para a Câmara Oficial do Livro de Barcelona.
Em 6 de fevereiro de 1926, o governo espanhol, presidido por Miguel Primo de Rivera, aceitou a data e o rei Alfonso XIII assinou o decreto real que instituiu a Festa do Livro Espanhol.
No ano de 1930, a data comemorativa foi trasladada para 23 de abril, dia do falecimento de Cervantes.
Mais tarde, em 1996, a UNESCO instituiu  23 de abril como o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, em virtude de 23 de abril se assinalar o falecimento de outros escritores, como Josep Pla, escritor catalão, e William Shakespeare, dramaturgo britânico.
No caso de Shakespeare, tal data não é precisa, pois que na Inglaterra, naquele tempo, ainda utilizava-se o calendário juliano, pelo que havia uma diferença de 10 dias para o calendário gregoriano, usado na Espanha. Portanto, Shakespeare faleceu efetivamente 10 dias depois de Cervantes.

Fonte consultada: Wikipédia.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Leitura e saúde - Parte II


Dando continuidade à série de postagens iniciadas na terça passada e que se estenderão até a próxima, vamos saber um pouco mais a respeito da relação leitura X saúde. Semana passada abordamos a questão sob um ponto de vista preventivo. Hoje, damos prosseguimento ao tema falando a respeito de uma linha terapêutica em particular: a Biblioterapia.

Segue então um texto bem interessante escrito pela então doutoranda em Psicologia Lucélia Elizabeth Paiva que foi baseado em sua tese, intitulada "A arte de falar da morte: a literatura infantil como recurso para ser abordado com crianças e educadores)".

BIBLIOTERAPIA

Palavra originada do grego Biblion: todo tipo de material bibliográfico ou de leitura

Therapein: tratamento, cura ou restabelecimento.

A leitura é uma atividade que além do desenvolvimento cultural e de formação do cidadão, pode desempenhar um papel terapêutico.

A biblioterapia pode ser aplicada tanto num processo de desenvolvimento pessoal, educacional, como num processo clínico-terapêutico.


É um processo interativo que se utiliza da leitura e outras atividades lúdicas como coadjuvantes, inclusive em tratamentos de pessoas acometidas por doenças físicas e mentais. Pode ser aplicada na educação, na saúde e reabilitação de indivíduos em diversas faixas etárias.

As histórias podem levar a mudanças, pois auxiliam o indivíduo a enxergar outras perspectivas e distinguir opções de pensamentos, sentimentos e comportamentos, dando oportunidades de discernimento e entendimento de novos caminhos saudáveis para enfrentar dificuldades.

Pode ser aplacada no contexto escolar, no processo de hospitalização e de sociabilização.

Abrange quatro estágios:

- O leitor/ouvinte se envolve com a trama e/ou com o personagem da história (envolvimento), promovendo a identificação. Ao identificar-se, pode reconhecer e vivenciar de forma vicária seus sentimentos característicos. Os problemas resolvidos com sucesso farão com que o indivíduo realize uma tensão emocional associada aos seus próprios problemas, atingindo a catarse. Desta forma, pode chegar ao insight, que leva o leitor/ouvinte a aplicar o que aconteceu na história à sua vida pessoal. 


A semelhança do problema da história leva à aproximação da vida pessoal, tornando-o acessível, atingindo uma etapa final, que seria a universalidade, onde se podem compreender outros problemas similares.

Para que esse processo se realize com sucesso é importante a seleção criteriosas do material a ser utilizado, a apresentação e definição da duração do processo e dos materiais, assim como o acompanhamento através da exploração emocional dos materiais e o compartilhamento das experiências.

É importante ter em mente que, ao ler um texto, o indivíduo constrói um texto paralelo, intimamente ligado às suas experiências e vivências pessoais, o que o torna diferente para cada leitor. Assim, conceitos podem ser transmitidos, mas os significados são pessoais e instransferíveis.

Através da biblioterapia, o indivíduo pode ser ajudado a ganhar distanciamento de sua própria dor e expressar seus sentimentos, idéias e pensamentos, o que pode possibilitar uma percepção mais aguçada de sua própria situação de vida, desenvolvendo uma forma de pensar criativa e crítica, alem de diminuir o sentimento de solidão (de sentir-se único a se sentir daquela forma), validar seus sentimentos e pensamentos, desenvolver empatia com outras pessoas (quando a biblioterapia é aplicada em grupo). Isso favorece a diminuição da ansiedade.

No entanto, é importante que se perceba que a biblioterapia não é uma fórmula mágica, nem uma intervenção única para promoção de mudanças. É uma ferramenta ou recurso terapêutico que faz parte de um processo.

A biblioterapia constitui-se em uma atividade interdisciplinar, podendo ser desenvolvida em parceria com a Biblioteconomia, a Literatura, a Educação, a Medicina, a Psicologia, a Enfermagem..., que tem como objetivo a troca de informações entre as áreas relacionadas.


O resultado terapêutico ocorre pelo próprio texto, sujeito a interpretações diferentes por pessoas diferentes.

Desta forma, a biblioterapia constitui-se em um meio possível para se abordar temas existenciais (como a morte, por exemplo) com crianças tanto no contexto da saúde como da educação.

Na próxima semana concluiremos a questão leitura e saúde respondendo a 
uma pergunta bastante crucial: Ler no banheiro faz bem ou faz mal? Não percam.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Dicas preciosas para organizar e conservar sua biblioteca



Montando a sua biblioteca? Substituindo uma estante pequena por outra mais espaçosa? Não faz a menor idéia de como arrumar seus livros? Hoje, no Pérolas da Compulsão algumas dicas preciosas para organizar seu canto literário e conservá-lo intacto e livre de perigos e ameaças. Vamos a elas então?

01) Grandes quantidades de livros são pesadas. Dê atenção à espessura das prateleiras.

02) O livro deve ser constantemente manuseado. O virar das páginas oxigena o material, impede a acumulação de microrganismos que atacam o papel e colabora para que as folhas não fiquem ressecadas e quebradiças.

03) Folheie rápida e cuidadosamente o livro, sempre que for colocá-lo de volta na prateleira. Isso vai arejá-lo.

04) Não guarde os livros acondicionados em sacos plásticos, pois isto impede a respiração adequada do papel.

05) Evite encapar os livros com papel pardo ou similar. Essa aparente proteção contra a poeira causa, na realidade, mais dano do que benefício ao volume em médio e curto prazo. O papel tipo pardo, de natureza ácida, transmite seu teor ácido para os materiais que estiver envolvendo (migração ácida).

06) Livros com a capa danificada pedem encadernação nova - menos que se trate de uma raridade. Há quem encape vários livros com papel de uma mesma cor para dar à estante um aspecto mais organizado. Mas os verdadeiros amantes de livro ficam de cabelo em pé ao ouvir isso. Assumir que os livros têm cores e tamanhos diferentes é mais rico, sincero e benéfico para a sua decoração.

07) Não utilizar fitas adesivas tipo durex e fitas crepes, cola branca (PVA) para evitar a perda de um fragmento de um volume em degradação. Esses materiais possuem alta acidez, provocam manchas irreversíveis onde aplicados.

08) Faça uma vistoria anual. Retire todos os livros, limpe-os com um pano seco. Limpe a estante com um pano úmido. Evite passar produtos fortes do tipo lustra-móveis, já que seus resíduos podem infiltrar no papel.

09) A profundidade ideal para uma estante de revistas é de 25 cm. Uma medida maior deixaria um espaço vazio bom para acumular pó. Já os livros de arte pedem 35 cm. Deixe 40 cm de altura entre uma prateleira e outra - assim você acomoda desde pilhas de revistas até as edições maiores.

10) Deixe sempre um espaço entre estantes e parede. A parede pode transmitir umidade aos livros. E, com a umidade, surgem os fungos.

11) Armários e estantes devem ser arejados. Estantes fechadas devem ser periodicamente abertas.

12) Estantes de metal são preferíveis do ponto de vista da conservação dos livros.

13) Não use clipes como marcadores de páginas. O processo de oxidação do metal mancha e estraga o papel.

14) Em estantes de madeira, pense em revestir as prateleiras com vidro. Não use tintas a base de óleo.

15) Bibliotecas devem ser freqüentadas. Nem pense em porões. Baixa freqüência de pessoas aumenta a incidência de insetos. Considere um tratamento anual contra traças.

16) Não guarde livros inclinados. Aparadores podem mantê-los retos.

17) Encadernações de papel e tecido não devem ser guardadas em contato direto com as de couro.

18) Na prateleira, os livros devem ficar folgados. Sendo fáceis de serem retirados, duram mais. Comprimidos nas prateleiras induzem a sua retirada de maneira incorreta, o que danifica as lombadas e fatalmente leva ao dano da encadernação. Livros apertados também favorecem o aparecimento de cupins.

19) Quando tirar um livro da prateleira, não o puxe pela parte superior da lombada, pois isso danifica a encadernação. O certo é empurrar os volumes dos dois lados e puxar o volume desejado pelo meio da lombada.

20) A melhor posição para um livro é vertical. Livros maiores devem ter prateleiras que permitam isso. Em último caso deixe-os horizontalmente, tomando-se o cuidado de não sobrepor mais de três volumes.

21) Luz do sol direta nem pensar. O sol desbota e entorta as capas.

22) Se for um livro antigo ou de algum outro valor ou de maior sensibilidade, lave as mãos antes de folheá-lo, já que mãos engorduradas contribuem para a aceleração da decomposição do papel. Evite umedecer as pontas dos dedos com saliva para virar as páginas do livro.

23) Ao ler um livro, evite abri-lo totalmente, como por exemplo, em cima de uma mesa. Isto pode comprometer a estrutura de sua encardenação.

24) Livros podem estar agrupados por gênero (romances policiais, literatura latino-americana), por autor ou por ordem alfabética (de nome ou de título). Mas você precisa descobrir como se sente melhor para procurar e encontrar sem demora os seus livros.

25) Livros de arte, como fotografia, dão volume e sempre são um prazer ao alcance dos olhos. Dê movimento à sua estante escolhendo alguns deles para deixar com a capa à mostra.

26) Coloque alguns volumes deitados e outros de pé. Essa disposição dá movimento à estante. Evite a monotonia.

27) Empilhe as revistas por título, em ordem de lançamento - assim, a mais nova sempre estará em cima. Revistas de assinatura mensal não devem formar pilhas de mais de três anos (36 exemplares) ou a consulta fica muito complicada. 

28) Quanto às edições mais antigas das revistas, estas precisam ceder espaço às mais novas. Faça uma doação. Em escolas e hospitais elas são sempre bem-vindas. Edições avulsas podem ser agrupadas. Se possível faça o agrupamento respeitando o tamanho e o assunto de que elas tratam.

29) Porta-retratos, bolas de vidro e outras peças queridas trazem equilíbrio quando dispostas junto aos livros. Agrupe os itens semelhantes e observe a simetria: se há um nicho com porta-retratos de um lado, faça um nicho de volume parecido do outro - com livros ou uma caixa.


Dicas retiradas do site Casa.com.br e do Blog Livros e Afins, de Alessandro Martins.
Ilustração do post: Ziraldo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Hábito de leitura e gosto por livros



Nem sempre o hábito de ler e o gosto por livros caminham juntos.  Assim sendo, precisamos diferenciar o hábito da leitura do hábito de consumir livros.  A leitura é um ato do intelecto e, se bem desenvolvida, pode tornar-se uma fruição estética e espiritual.

Volta e meia são publicadas pesquisas falando dos hábitos de leitura do brasileiro. São pesquisas que denunciam os baixos índices de alfabetismo, as dificuldades econômicas de acesso aos livros ou a pouca cultura livresca do país. Mas tais informações nem é preciso ser brasileiro para conhecer: elas não chegam a surpreender e evidenciam o que muitos já sabem há muito tempo.

De fato, o cidadão brasileiro carece de tempo, dinheiro e interesse para ler, e tais carências muito prejudicam a formação, manutenção e incremento do hábito de leitura no Brasil. Entre os jovens, geralmente, há pouca disposição para freqüentar livrarias e consumir livros, e a média de livros lidos mensalmente entre leitores jovens e adultos é bem pequena, se comparada à de outros países.

A estas informações (que soam alarmantes para muita gente), somem-se todas as decantadas pesquisas, previsões, sondagens e especulações sobre o futuro do livro e seu provável fim enquanto objeto de leitura, e então temos perspectivas ainda mais sombrias. Diante de tal cenário, não é à toa que a Câmara Brasileira do Livro está implantando uma política para a promoção do livro nacional, a fim de estimular o gosto de ler entre os jovens e, conseqüentemente, o consumo de livros.

Números tristes ou interessantes à parte, acho que se faz necessário dissociarmos o hábito da leitura do hábito de ler livros, começando por diferenciar uma coisa da outra. Leitura é algo muito mais abrangente do que ler livros, vai além do simples ato de fazer varredura visual de letras sobre folhas de papel.

A leitura, enquanto processo humano em constante evolução, é atitude complexa. Requer uma pré-disposição específica para a compreensão do mundo que nos cerca. Ultrapassa a mera apreensão do significado literal de palavras, estando ligada ao desenvolvimento de uma postura pensante ativa, humanística e integralizante. Em poucas palavras, ler é educar-se.


Para cada pessoa, um tipo de leitura

A leitura é um ato do intelecto e, se bem desenvolvida, pode transformar-se em fruição estética e espiritual. Quem tem o hábito freqüente de ler não faz diferença quanto ao objeto de leitura. Tanto faz se é livro, bula de remédio, panfleto entregue pela janela do carro nos semáforos urbanos, revista de variedades na sala de espera do consultório médico, apostila técnica, site na internet ou e-mails no palmtop.

Quem tem por hábito ler não se importa se chove ou faz sol, se está escuro ou claro, se está na biblioteca, no banheiro ou no metrô. Não se importa se o texto está em papel ou na tela, se o que lê é livro ou computador. Quem se interessa por ler lê tudo o que lhe cai nas mãos - e isto não é apenas "chavão demodé", mas fato facilmente observável. Quem gosta de ler lê tudo e lê sempre, em qualquer circunstância, desde que sinta necessidade e/ou prazer para tanto.

Já o amor pelos livros é outra história. Há, sem dúvida, os aficcionados do texto de papel, que estremecem de emoção ao sentir o cheiro de livro novo, recém-saído da gráfica. Ou a emoção paradoxal de cheiro de livro velho, curtido em sebos de qualidade, esperando o folhear leve, típico do slow food... Roçar os dedos por folhas de papel de boa qualidade, ouvindo o estalar de páginas virgens de um livro ainda não lido, é um prazer estético. Gostar de livros é experiência sensorial - tátil, visual, auditiva, olfativa. Amar livros é uma experiência sinestésica quase sexual, tão relacionada que está aos sentidos e ao prazer extraído através deles.

Também não podemos nos esquecer daqueles que adoram tanto os livros que quase chegam a enquadrá-los, colocando-os como objetos de puro adorno em estantes, colecionando-os a metro. São pessoas que se extasiam com os livros enquanto objetos estéticos, extáticos, materiais, fetichistas até, independentemente de seu teor. Mas que, no entanto, não se interessam pelo seu conteúdo potencialmente dinâmico.

Por outro lado, conheço pessoas que lêem vários livros técnicos e de cunho estritamente profissional, impressos no velho e bom papel, que facilmente engrossariam a estatística de leitores e, no entanto, não lêem mais nada além disso. Até se irritam ao ouvir falar em livros fora do expediente ou dos bancos escolares. Aí eu me pergunto: será que podemos considerar essas pessoas efetivamente "leitoras"? Será que elas gostam mesmo de ler, têm a leitura como modo de vida, no sentido mais amplo? Ou seriam apenas leitores funcionais (fazendo-se uma analogia com os analfabetos funcionais), que até lêem, mas não estão acostumados a ler, a não ser quando absolutamente necessário?


Ler é educar-se

Eu, sem dúvida, estou incluída no rol dos que amam os livros e o texto impresso. Sou uma colecionadora de papéis de mão cheia e também adoro navegar sem pressa pelas estantes de livros, sejam elas de livrarias da moda ou estantes empoeiradas de sebos repletos de relíquias ou esquecimentos. Reverencio tanto as novas edições (ainda mais se são caprichadas edições de arte) quanto os livros antigos, que armazenam ácaros de segredo e saudade.

Confirmando o clichê, leio tudo o que me cai na mão. Todas as paixões legíveis me divertem. Entretanto, para mim há claramente uma distinção entre o ler, enquanto modus vivendi, e o gostar de livros, enquanto fixação amorosa ou hobby. Amar livros não é necessariamente amar a leitura; mas amar a leitura é, conseqüentemente, amar (também) os livros.

Falo por experiência própria. Sou uma leitora compulsiva, às vezes obsessiva, e o que me interessa sempre é o texto - não importa como ele venha. O que eu quero é o conteúdo, a mensagem. O suporte, a forma como ele é formatado ou embalsamado, é apenas um detalhe, uma questão transitória.

Insisto como importante esta distinção entre o hábito da leitura e o consumo de livros pois vejo como absolutamente necessário nos adaptarmos aos novos tempos e às novas tecnologias. Ao longo de toda a história do homem, antes e depois da criação da escrita, é assim que temos evoluído socialmente - engendrando novas formas de leitura e aprendizado através das tecnologias que fabricamos. E é assim que, desde os primórdios da comunicação humana, acostumamo-nos a ler e interpretar sinais de fumaça, toques de tambores, cantos de guerra, máscaras, pinturas corporais, tatuagens, papiros, pergaminhos, códices feitos do couro de ovelhas jovens, iluminuras medievais até chegarmos aos livros impressos pós-Gutemberg.

Da mesma forma, devemos hoje estar preparados para ler tanto livros de bolso e edições de arte & luxo quanto histórias em quadrinhos, revistas, jornais, outdoors, neons, painéis eletrônicos urbanos, grafites, programações televisivas, canções e trilhas sonoras, música ambiente, filmes, anúncios publicitários, telas de máquinas de raios catódicos ou de cristal líquido, telefones celulares ou quaisquer outros dispositivos híbridos móveis de comunicação telemática, e tudo o mais que apresentar algum conteúdo informativo a ser transmitido, não importa em qual formato ou suporte tecnológico ele se mostre.

Enquanto não diferenciarmos o hábito da leitura (enquanto estilo e paradigma de vida) do hábito de ler livros de papel; enquanto continuarmos insistindo em considerar leitores só aqueles que lêem "x livros/ano", numa abordagem meramente formal e quantitativa, continuaremos a assistir ao definhamento das estatísticas oficiais que indicam quantos são os reais leitores existentes.

Pois, se continuarmos nos portando desta forma míope, continuaremos a tapar o sol com as mãos diante do fato de que o universo da leitura é muito mais complexo e abrangente do que o universo letrado dos livros, e não seremos nós mesmos leitores-intérpretes honestos da realidade.
Enquanto não encararmos o fato de que hoje, parodiando o escritor brasileiro Monteiro Lobato, uma nação se faz de homens e leitura, não importa qual seja a fonte da leitura, não cumpriremos a missão cidadã de orientar as novas gerações de leitores que estão surgindo, pois estaremos negando um futuro prescrito que já se faz presente.


Para saber mais

Câmara Brasileira do Livro: http://www.cbl.org.br

Associação Brasileira de Editores de Livros - ABRELIVROS: http://www.abrelivros.org.br/abrelivros/

Amigos do Livro: http://www.amigosdolivro.com.br

Sobre Monteiro Lobato: http://www1.uol.com.br/folha/almanaque/monteirolobato.htm


Texto de autoria de Rosy Feros para o Site Recanto das Letras

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Conhecendo Dr. Guto


Leste do Rio



Vejo o Rio verde limão, azul turquesa, goiabeira, a jaca da bicicleta. Micos que descem da mata e vêm comer banana na mão, e mordem seu dedo, barulho de riacho que corre e vira pedra. Sou eu, caminhando, caminhando, que falo a vocês parados no céu: desce daí sacolé, paçoca de amendoín! Sorvete de abacate de trem vem ser feliz, ouça os bobos não, que martelam as cruzes na areia. Areia já levou as tristezas pra Yemanjá, que volta na garrafa de sidra. É, sei que é sidra pelo rótulo, mas podia ser pindorama, batida de umbu ou água do mar. Rolou e a praia virou noite. Que medo de praia. Índio de fora não tem sua Iracema ou brucutu, se for índio no fim da fila...

Barbie, baitola, isso tem no Rio? E o jacaré vem comer os bago deles? Xô caipora feia – violência. Deixa elas namorar, deixa o pastor orar e mendigo mendigar. Sua inimiga aqui é alegria! O bafo do churrasco, os bêbedos da Lapa. Carioca é a Prainha, a maconha na Maré, o Solar da Imperatriz! Hoje ela é senhora de anágua, que censura tudo que censurar. Quer Pan não, quer fumando na escada não, abaixa o som! Vai chamar a polícia! Uuuuuuuuu, pan, pan, pan, cadê o mastercard? Chama Lula, tira do mar, faz alguma coisa cabeça de camarão!!! Tu também é culpado sr. promotor,  preguiçou, ganha vinte mil por mês! O camelô vinte tostão... Grafittei errado excelência: tu dormiu na arquibancada paulista trouxa! Ah, nem turista branquelo tu é, veio de busão São Geraldo, cheio de gaiola, vencer no Maracanã.

O Janeiro é tolerante, redentor, calçadão bordado, pagode com Jazz encima da laje, zona norte, zona sul, e a oeste mata. Gente que chega no tom do avião: ser feliz e nem acordar, porque sono aqui ninguém quer, só ser marimbá! Índio pescador e pescar gente bonita, forasteira, ruiva de shoppings, uma mulata de silicone! Oh negão, qual o problema? Vejo o Rio verde limão, pedalando, sambista e pouco leitor, mas um dia a gente ainda estuda e aprende a pescar manjuba! Moro no mar, no leste do Rio, pra lá dos canhões... Pelas ondas até o Costa brava posso afirmar: o Rio mesmo é a rádio Roquete Pinto!  Beijo em todos.


Dr. Guto é um novo escritor que dá banana aos macacos e veneno a quem precisa de veneno... na definição do próprio.

Pacato advogado da cidade do Rio de Janeiro, pode ser encontrado através de duas formas no vasto mundo virtual: pelo twitter (twitter.com/drgutorj) e no site abaixo, onde o leitor interessado pode fazer o download de seu primeiro livro de crônicas, no formato e-book, cuja capa ilustra esse post.


Não deixe de conhecê-lo e de conhecer suas obras. É amigo e super gente boa. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Aprenda a conservar e restaurar os seus livros


Sabe aquele livro que você adora mas que já começa a dar sinais de cansaço? A lombada não está mais totalmente intacta. As páginas, de tão soltas, já fizeram a história mudar de rumo: o começo no fim, o início no meio – sabe-se lá! E não é que até um inseto mais ousado decidiu fazer da sua obra literária, a morada dele.
A boa notícia é que o desfecho desta história pode ter um final feliz. Com alguns truques e cuidados é possível fazer seu livro ganhar boa aparência novamente. Com o aprendizado e dedicação, os especialistas garantem: jamais o mesmo raio da “má conservação” irá cair duas vezes na mesma estante de livros. Experimente!

Contra invasores

Para não sofrer com as temíveis traças, cupins, brocas e outros invasores indesejáveis, anotem a primeira dica: “É bom abrir os livros uma vez a cada seis meses para ver se está com insetos. Como eles agem à noite, a pessoa não os encontrará durante o dia. Então, bata levemente no livro com as páginas abertas sobre uma folha de papel branco. Se cair uma espécie de poeira é porque os insetos andaram por ali”, ensina Tercio Gaudêncio, membro fundador da Associação Brasileira de Encadernação e Restauro. Vale ressaltar que também não é recomendável manter as obras perto de plantas já que elas atraem insetos – os maiores vilões dos livros depois, é claro, do homem.

Segundo Tercio, que no momento está restaurando uma bíblia do ano de 1555, quebrar a cadeia alimentar dos invasores é a chave para o sucesso! Nesse caso, a compra de um mata-mosquito elétrico pode ser a solução. Além disso, é preciso tomar algumas providências para que os fungos e insetos não migrem para outros exemplares. Coloque o livro infectado em um saco plástico, feche bem e ponha no freezer. Quinze dias depois, coloque o embrulho na parte mais quente da geladeira e deixe por uma semana. Ao retirar, ponha o livro em uma estante fresca e arejada. Dessa forma, mais de 90% dos insetos e fungos serão eliminados.

Páginas coladas

E se as páginas colarem? Se isso ocorreu por excesso de umidade e as páginas foram pressionadas umas contra as outras, esqueça. Nada vai funcionar. Se, ao contrário, elas não sofreram qualquer pressão deixe o livro secar naturalmente. “Aberto e em local arejado. Se possível, com um ventilador ligado. Se as folhas não forem pressionadas, o livro será recuperado”, garante Mario Luiz Gomes, restaurador e dono do Sebo Homo sapiens.

Cadernos soltos

Para evitar que as folhas do livro se soltem, quando tirá-lo da prateleira, evite puxá-lo pela parte superior. O certo é empurrar o exemplar e puxá-lo pelo meio da lombada. Se os cadernos já estiverem soltos, será preciso comprar uma cola metil celulose (livre de acidez) e tiras de papel mino para colar cada caderno e, posteriormente, fixá-los na lombada. Mas lembre-se: em alguns casos mais graves será preciso procurar um especialista em restauração.

Melhor prevenir que remediar

Se você não sofre com os males acima e seus livros estão conservados anote as dicas de prevenção: é importante guardá-los em local limpo, arejado e com pouca umidade. Isso significa que é fundamental lavar as mãos antes de manusear os livros, como recomendam as normas internacionais de biblioteconomia. Também se deve evitar lamber os dedos para passar as páginas já que a saliva é ácida e danifica a obra.
A luminosidade não pode ser excessiva e, tampouco, nula. Portanto, nada de caixas fechadas ou sol incidindo diretamente sobre o papel, o que causa reações químicas que atraem fungos e rompe as fibras da celulose. Se for importante encapar o livro, use apenas papel. Nada de durex, que deixa cola no livro e garante alimento para os fungos. Contact, então, nem pensar!

Texto retirado integralmente do Blog da Estante Virtual.

Se você conhece outra técnica para restaurar e/ou conservar livros não deixe de compartilhar conosco, comentando este post. Os demais leitores do blog e eu estamos aguardando suas dicas!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Notícia ótima para uns e para outros nem tanto...


Amazonas é o 4º em consumo de livros no país

Uma pesquisa do Ibope informa que o Amazonas ocupa hoje o 4º lugar no ranking dos Estados brasileiros onde os habitantes compram mais livros, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro, do Distrito Federal e de São Paulo.

Entre os cinco Estados que menos gastam, o Piauí aparece em primeiro lugar. Seus habitantes desenbolsam apenas R$ 7,89 por ano com livros. Em seguida vêm Alagoas (R$ 8,65) e Sergipe (R$ 9,09). Pernambuco e Roraima quase empatam na quarta posição com R$ 12,76 e R$ 12,92, respectivamente.

A informação é do Ibope Inteligência e foi citada recentemente no site www.divirta-se.uai.com.br. O instituto de pesquisa traz dados sobre a demanda por diferentes bens de consumo do Brasil.

Os habitantes do Amazonas gastam em média R$ 39,55 por ano com livros. A enquete foi feita entre agosto de 2009 a janeiro deste ano e foram ouvidas 19.456 pessoas em todos os Estados da Federação.

O Rio de Janeiro lidera o consumo de livros no Brasil e cada habitante da capital carioca gasta por ano R$ 95,90 em livros. São Paulo fica em segundo neste quesito.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Minha vida de leitor (I)


Hoje resolvi dar início a minha história como leitor. Estão prontos? Apertem os cintos e vamos viajar em uma máquina do tempo para os longínquos anos 70.

Desde que me entendo como pessoa, lembro de estar com um livro nas mãos. A prova mais concreta deste fato é uma foto que tenho, tirada em 1978, quando eu tinha quatro anos e freqüentava o Centro Educacional Mickey Mouse, aqui perto de minha casa e há muito tempo já extinto.

Na foto, estou ridiculamente vestido de coelhinho da páscoa, para a festa de mesma temática. Um dos muitos rituais (micos) que temos que pagar no árduo caminho para uma vida adulta totalmente desprovida de fantasia e fofura. E em minhas mãos, um livro: a representação máxima da rebeldia que perpetrei naquele dia, pois minhas lembranças dele ainda permanecem bastante nítidas em minha mente.

Nas escolas onde estudei eu nunca fiz a linha sociável quando o assunto eram festas e confraternizações (e sempre era criticado por isso, especialmente pela minha família). E aquela festa de criança, em particular, simbolizou para mim o início e simboliza o ápice das festividades mais ridículas do mundo que tive de encarar. Estava odiando estar vestido daquele jeito, ao contrário de meu melhor amigo, o Augusto Júnior, que vivia com sua família na casa que ficava de fundos para a minha e que também estudava na mesmíssima escola.

As regras para o evento eram bem claras. Os alunos deveriam chegar à escola, tirar os sapatos ou sandálias e ficar descalços no pátio para uma dança. E enquanto a dança não começava, ficariam sentadinhos em roda, aguardando o início do "show".

Eu, que já não ia com a cara de alguns colegas (especialmente um tal de Fabrício, um loirinho com cara de estrangeiro que era com certeza mentalmente insano), recusei-me terminantemente a tirar minhas sandálias. Achava estranho ficar descalço fora de casa. Achava estranho aquelas coisas que nos obrigavam a fazer. Eu mesmo (não se assustem) já era um absoluto estranho que precocemente não suportava a si próprio nessa época, sempre fazendo a linha chorão, desajeitado e esquisito para o horror de meus pais.

Então fiz o que poderia fazer de melhor. Calmamente, peguei um livro de historinhas, um que falava da história de uma flor que murchava por causa de maus-tratos de seu dono (lembro bem da história) e sentei-me numa cadeirinha de balanço que havia em frente à escola, bem longe dos outros. E lá fiquei.

Na hora do show, haja apelos de professoras e pais para me tirar da bendita cadeira e de me tomar o livro. De nada adiantaram.E minha mãe ficou tão fula da vida que me pegou pela mão e já queria me levar para casa. Mas as professoras, que eram pessoas compreensivas, persuadiram-na a ficar e apreciar mais a festa.

Esse foi o meu primeiro ato de rebeldia contra as figuras paternas de que eu me lembro. E nas mãos, um livro.

Só levantei da cadeira muito tempo depois, na hora de comer chocolate e doces e para tirar a bendita foto, com o Junior do meu lado.

E nas mãos ele, o livro. Companheiro e válvula de escape de um momento tenso, em que ser criança foi difícil para mim. Para sempre eternizado numa velha fotografia.

P.S.: Que só não posto aqui porque está muito maltratada pelo tempo. Precisa de restauro. Por causa disso, dou-lhes o fofíssimo dublê na foto aí acima.

;-)
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