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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Resenha: Almanaque da Telenovela Brasileira


As paixões nacionais retratadas em livro

Entre os brasileiros, mesmo em tempos de grande popularidade de tevês pagas e da internet, as telenovelas (exibidas em canais abertos) ainda são opções de entretenimento bastante populares, principalmente nas camadas mais simples da população. Outrora, já foram mania nacional, quando o leque de opções de diversão em horas vagas era ainda reduzido.

De salões de beleza a bares, as novelas sempre estão nas mentes e nas bocas dos brasileiros. E também difundidas entre pessoas de várias parte do mundo, para onde elas são importadas quando são sucesso de público e crítica em terras tupininquins. Portanto, é bastante comum o turista brasileiro ser abordado por nativos (geralmente estranhos) de Cuba, Rússia, China e Filipinas, ávidos em busca de maiores informações sobre o final de determinadas novelas brasileiras que estão sendo exibidas naquele momento em seus países.

Mas mudando um pouco de assunto, foi por conta da paixão de Nilson Xavier pelos folhetins que surgiu este Almanaque da Telenovela Brasileira. Quando era mais jovem, costumava ter o hobby de fazer anotações, em um caderno escolar, a respeito das novelas que assistia com avidez no conforto de seu lar e junto de sua família.

A primeira de muitas foi Marrom Glacê, de Cassiano Gabus Mendes, exibida pela Rede Globo entre os anos de 1979-1980. E o que de início era apenas um caderno, acabaram-se tornando vários, ao longo dos anos. Inclusive recheados de ilustrações de revistas da época. Neles, Nilson colocava informações relevantes como elencos, diretores, trilhas sonoras, curiosidades, além de outras minúcias que não escapavam de sua implacável observação, especialmente costumes de época.

Com isso, Nilson fez um trabalho digno de um historiador. E os resultados, anos mais tarde, foram um site na internet o qual ele batizou de Teledramaturgia e depois, claro, este livro, muito bom, por sinal, que se tratando de uma obra de autor iniciante, é um verdadeiro mérito.

No almanaque, o leitor interessado encontrará informações sobre novelas de várias emissoras, exibidas desde 1963 até o ano de publicação da obra (2007) e relembrará momentos emocionantes da teledramaturgia brasileira, endossados por Mauro Alencar, historiador da televisão brasileira (que escreveu o prefácio) e por Sílvio de Abreu, autor consagrado de vários folhetins (que escreveu a orelha da obra).

Você quer saber ou relembrar quem matou Odete Roitman, em Vale Tudo? Ou quem sabe descobrir que coisas Dona Lola fazia para ajudar o marido nas despesas do lar, em Éramos Seis? Sacie então a sua curiosidade. Busque por este livro e não se arrependerá. Obra muito bem planejada, feita por alguém que gosta mesmo do assunto para pessoas de semelhante gosto.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Amanda Hocking, a mais nova milionária do mundo literário


Amanda Hocking: guarde esse nome porque em breve você ouvirá falar muito dele em jornais e revistas.
Amanda tem 26 anos e recentemente atingiu a marca de 1 milhão de livros vendidos.
Até aí, apenas uma história de sucesso literário. Mas tem mais.
A história na verdade começa com um episódio de rejeição.
Depois de ter manuscritos recusados por inúmeras editoras nos Estados Unidos, Amanda decidiu que lançaria seus livros por conta própria para plataformas como as do Kindle e do Nook.
E, por cada um, cobraria 99 centávos de dólar (aproximadamente R$ 1,60).
Em um mês, vendeu 100 mil livros eletrônicos.
Em menos de um ano foi capaz de largar um emprego formal e passou a viver da venda de seus livros.
Em abril deste ano, comprou sua primeira casa e pagou em dinheiro, segundo ela.
A verdade é que Amanda está milionária.
Seus livros, romances juvenis que exploram a paranormalidade (ela já lançou inclusive uma trilogia –SwitchedTorn e Ascend), continuam vendendo aos milhares, e apenas eletronicamente. E agora ela está famosa. No mesmo mês em que comprou sua casa ela foi destaque na edição americana da revista Elle.

Amanda é hoje, provavelmente, a autora indie de e-books mais bem sucedida do mundo.

Fonte: Blog Livros, de Milly Lacombe. Reportagem reproduzida integralmente.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Resenha: Almanaque dos Seriados


Excelente opção para os nostálgicos


Nos últimos anos, em terras brasileiras, houve uma abundante e variada proliferação de almanaques que abordam os mais diversos temas, como televisão, novelas, cinema, quadrinhos, fusca, futebol, anos 70, 80, 90... E como não poderia deixar de ser, os seriados de TV teriam de ter o seu espaço também.

Verdadeiras manias nacionais, os seriados encantam inúmeras gerações Brasil afora, sejam os mesmos nacionais ou estrangeiros. E neste Almanaque dos Seriados, temos a oportunidade de recordar muitas produções que marcaram época ou que já caíram no esquecimento.

Diferente de seu trabalho posterior, o Animaq - Almanaque dos Desenhos Animados, que deixou um pouco a desejar, Paulo Gustavo Pereira faz um trabalho irrepreensível com este livro, na verdade sua estréia como autor. Nele você vai encontrar alguns seriados que muitos curtiram na infância, como o japonês Nacional Kid e o nacional Vigilante Rodoviário, sem falar em outros consagrados como Agente 86, Magnum, a Ilha da Fantasia, As Panteras e outros mais recentes como CSI, Barrados no Baile, Law & Order, Smallville, Sex and The City, Friends.... Com capítulos divididos por décadas, de 1950 a 2000, foram selecionadas as séries mais populares, com suas histórias, bastidores, dados sobre atores, produção e muitas outras curiosidades. 

Se eu fosse você não desperdiçaria a oportunidade de embarcar no túnel do tempo e recordar momentos marcantes que você um dia teve em frente a TV. Vamos nessa então?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger, ganha uma seqüência

Parece até mentira, mas Holden Caufield, o adolescente questionador e sem rumo criado por J. D. Salinger para a sua obra máxima, O apanhador no campo de centeio, continua vivo. E mais vivo do que nunca.
Foi preciso o autor passar desta para uma melhor para que isto fosse possível. Em vida, Salinger jamais pensaria em dar continuidade às aventuras de Holden, que seria na verdade um alter ego do próprio autor que o criou. Por isso, o escritor Fredrik Colting assumiu a ousada tarefa de continuar uma das principais narrativas da literatura norte-americana neste 60 Anos Depois: Do Outro Lado do Campo de Centeio  (Verus Editora, 2010).
Na obra, além de atualizar o clássico, ele promove o encontro entre Holden Caulfield, o já não tão jovem protagonista do livro original, com o seu criador, Salinger. Desta vez, Holden foge de um lar de idosos para se perder pelas ruas de Nova York. A metrópole começa a evocar lembranças importantes de sua vida.
No entanto, diferente do passado, o ativo aventureiro percebe que seus novos embates agora são contra a senilidade, que se mostra presente em suas ações. E, permeando a narrativa, a consciência de Salinger torna-se também personagem e tenta entender e controlar o protagonista que criou.
Holden Caufield é um dos mais conhecidos e admirados anti-heróis da ficção nos Estados Unidos. No livro original de Salinger, ele é um rebelde expulso da escola e que sai para se aventurar em Nova York encarnando assim a alienação, a inocência e a fantasia juvenis.
A obra, publicada originalmente em 1951, abriu caminho para a contracultura e rebeldia da década seguinte e tornou-se um contraponto ao conformismo do pós-Guerra. Antes de Salinger, como já escrevi antes aqui no blog, nenhum autor tinha mergulhado antes no universo dos jovens sem pensar como um.
Se você ficou curioso como eu fiquei, corra, leia e tire suas próprias conclusões sobre a obra.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Prêmio Jabuti 2010


Edney Silvestre derrota nomes como 
Chico Buarque e Luís Fernando Veríssimo

O jornalista Edney Silvestre é o ganhador do Prêmio Jabuti 2010 de melhor romance, com o livro "Se Eu Fechar os Olhos Agora", da editora Record. A obra já havia conquistado o Prêmio São Paulo de Literatura de autor estreante. O segundo e terceiro colocados na categoria foram, respectivamente, "Leite Derramado", de Chico Buarque, e "Os Espiões", de Luís Fernando Veríssimo.
O resultado foi anunciado nesta sexta-feira (1º) na sede da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Em poesia, a vencedora é Marina Colansanti, com "Passegeira em Trânsito", também da editora Record. O melhor livro reportagem é "O Leitor Apaixonado - Prazeres à Luz do Abajur", de Ruy Castro, e a melhor obra de contos e crônicas, "Eu Perguntei pro Velho Se Ele Queria Morrer (e outras histórias de amor)", escrito por José Rezende Jr.
O primeiro lugar de cada categoria recebe R$ 3 mil. No dia 04 de novembro, na Sala São Paulo, acontecerá a cerimônia de premiação, quando serão anunciados também o melhor livro do ano de ficção e o melhor livro do ano de não-ficção, escolhidos por um júri formado de editores. Os vencedores recebem um prêmio de R$ 30 mil.
Na mesma noite, também serão conhecidos os ganhadores do voto popular, que acontece pela primeira vez, através da internet. Neste ano, o Jabuti obteve número recorde de inscritos – 2.867 livros.
Confira abaixo os primeiros colocados no Prêmio Jabuti 2010:
- Romance: "Se Eu Fechar os Olhos Agora" (Record), de Edney Silvestre
- Tradução: "O Leão e o Chacal Mergulhador" (Globo), traduzido por Mamede Mustafa Jarouche
- Teoria/Crítica Literária: "A Clave do Poético" (Companhia das Letras), de Benedito Nunes
- Reportagem: "O Leitor Apaixonado - Prazeres à Luz do Abajur" (Companhia das Letras), de Ruy Castro
- Biografia: "Nem Vem que Não Tem - A Vida e o Veneno de Wilson Simonal" (Globo), de Ricardo Alexandre
- Poesia: "Passageira em Trânsito" (Record), de Marina Colasanti
- Ciências Humanas: "Viver em Risco" (Editora 34), de Lucio Kowarick
- Contos e Crônicas: "Eu Perguntei pro Velho Se Ele Queria Morrer" (7Letras), de José Rezende Jr.
- Infantil: "Os Herdeiros e o Lobo" (Comboio da Corda), de Nelson Cruz
- Juvenil: "Avó Dezanove e o Segredo do Soviético" (Companhia das Letras), de Ondjaki.

Notícia retirada integralmente do site Último Segundo / Cultura, do iG.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Resenha: Fome de Loba


Lobisomens à solta

A literatura fantástica, voltada ao sobrenatural, é uma realidade em nossos dias. Nas livrarias de todo país e de todo o mundo surgem cada vez mais novos autores e novas publicações dispostos a tornar o tema inesgotável entre o público leitor, especialmente os mais jovens, por serem ávidos pelo estilo, menos exigentes com o que lêem e pouco propensos a preconceitos literários.

Após lidar ultimamente com uma horda inteira de vampiros (os mais comuns seres sobrenaturais da literatura atual), resolvi encarar desta vez os lobisomens, neste “Fome de Loba”, o primeiro livro da canadense Kelley Armstrong.

Sua estréia, entretanto, não poderia ter sido a mais sem graça possível no mundo da literatura. Embora com ingredientes e argumentos que poderiam ter resultado em um livro brilhante, este deixou bastante a desejar, especialmente pela sua previsibilidade e situações manjadas.

A história da obra gira em torno da bela e atormentada Elena Michaels, único exemplar feminino de lobisomem no mundo. Quando criança, sofreu um acidente de carro que a deixou órfã e, criada por uma família que mais tarde a abandonaria, ela viu sua vida se modificar por completo após ser mordida por um namorado, o imprevisível Clay.

Após o fato, sobreviveu inexplicavelmente à mordida, ao contrário de muitas de suas antecessoras, que jamais resistiram à metamorfose lupina e por isso, acabou sendo adotada pelo grupo de homens-lobo do qual o próprio Clay fazia parte, um grupo fechado e cheio de regras cujos principais preceitos consistem na preservação da espécie, no controle monitorado dos "desgarrados" (os que não pertencem ao Bando), na proteção dos demais lobisomens e do território e no principal deles, a determinação de não matar por prazer e não interferindo na vida humana.

Kelley Armstrong, portanto, conferiu aos lobisomens, seres fantásticos que alimentaram lendas e histórias na cultura de vários povos uma história, moral e sentimentos, a exemplo do que a escritora Anne Rice faz com os vampiros. A autora, porém, foge de estereótipos e cria uma trama de suspense que explica os códigos de conduta, regras e conflitos de identidade dessas criaturas, a partir da experiência pessoal da protagonista.

Os lobisomens com os quais Elena interage possuem força física e habilidades impressionantes: são capazes de matar um homem com apenas um golpe e podem perceber a presença de um intruso pelo olfato mesmo a quilômetros de distância. Elena, que no Bando tinha a função de controlar os "desgarrados", a fim de impedi-los de ameaçar a segurança dos demais, é convocada por Jeremy, o alfa do grupo, um ano depois de tentar viver entre os humanos. Ele precisa da ajuda dela para entender os mais recentes acontecimentos misteriosos em Stonehaven, a propriedade isolada nos arredores de Nova York e sede do Bando, que podem colocá-los numa situação de perigo. O apelo fará com que a protagonista enfrente não apenas o atentado às normas, mas também sua própria decisão de identidade, pois Elena, mulher inteligente e segura de si, decidiu há alguns anos atrás viver como humana, o que implicou na tentativa de sufocar seus instintos animais. Vive em Toronto, no Canadá, trabalha como jornalista e namora o arquiteto Philip, com quem divide o apartamento e do qual tenta esconder seu segredo, mesmo que isto implique em um estranho hábito de sumir uma vez por semana, na madrugada, para "correr", o que no código lobisomem significa completar uma metamorfose e matar algum animal.

Como o leitor do blog pode perceber, o livro possui um enredo de grande potencial à primeira vista, mas, no entanto, o mesmo não me agradou conforme eu ia avançando em suas páginas, talvez pelo fato da heroína, aparentemente segura de si, demonstrar ser, no fundo, uma mulher submissa, emocionalmente instável e insegura, mudando toda hora as suas vontades e suas opiniões, em especial a respeito de sua relação afetiva com Clay, que achei um grandíssimo chato de galochas que fica fazendo o tempo todo a linha rebelde sem causa.

A trama, portanto, é morna e sem maiores surpresas, lembrando muito os filmes policiais que vemos exaustivamente na TV porque basicamente este “Fome de Loba” enfoca um confronto entre duas gangues rivais, uma de “lobisomens bonzinhos” e outra de lobisomens malvados.

E é isto. Apesar de elementos criativos bem promissores, a história no fundo é fraca e banal, do tipo esquecível após a leitura. Portanto, se você quiser correr o risco de lê-la, fica então um último conselho: empreste-a de alguém, pois um possível investimento financeiro em um livro como este não vale tanto a pena assim. Relato isto de experiência.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Conhecendo Dr. Guto


Leste do Rio



Vejo o Rio verde limão, azul turquesa, goiabeira, a jaca da bicicleta. Micos que descem da mata e vêm comer banana na mão, e mordem seu dedo, barulho de riacho que corre e vira pedra. Sou eu, caminhando, caminhando, que falo a vocês parados no céu: desce daí sacolé, paçoca de amendoín! Sorvete de abacate de trem vem ser feliz, ouça os bobos não, que martelam as cruzes na areia. Areia já levou as tristezas pra Yemanjá, que volta na garrafa de sidra. É, sei que é sidra pelo rótulo, mas podia ser pindorama, batida de umbu ou água do mar. Rolou e a praia virou noite. Que medo de praia. Índio de fora não tem sua Iracema ou brucutu, se for índio no fim da fila...

Barbie, baitola, isso tem no Rio? E o jacaré vem comer os bago deles? Xô caipora feia – violência. Deixa elas namorar, deixa o pastor orar e mendigo mendigar. Sua inimiga aqui é alegria! O bafo do churrasco, os bêbedos da Lapa. Carioca é a Prainha, a maconha na Maré, o Solar da Imperatriz! Hoje ela é senhora de anágua, que censura tudo que censurar. Quer Pan não, quer fumando na escada não, abaixa o som! Vai chamar a polícia! Uuuuuuuuu, pan, pan, pan, cadê o mastercard? Chama Lula, tira do mar, faz alguma coisa cabeça de camarão!!! Tu também é culpado sr. promotor,  preguiçou, ganha vinte mil por mês! O camelô vinte tostão... Grafittei errado excelência: tu dormiu na arquibancada paulista trouxa! Ah, nem turista branquelo tu é, veio de busão São Geraldo, cheio de gaiola, vencer no Maracanã.

O Janeiro é tolerante, redentor, calçadão bordado, pagode com Jazz encima da laje, zona norte, zona sul, e a oeste mata. Gente que chega no tom do avião: ser feliz e nem acordar, porque sono aqui ninguém quer, só ser marimbá! Índio pescador e pescar gente bonita, forasteira, ruiva de shoppings, uma mulata de silicone! Oh negão, qual o problema? Vejo o Rio verde limão, pedalando, sambista e pouco leitor, mas um dia a gente ainda estuda e aprende a pescar manjuba! Moro no mar, no leste do Rio, pra lá dos canhões... Pelas ondas até o Costa brava posso afirmar: o Rio mesmo é a rádio Roquete Pinto!  Beijo em todos.


Dr. Guto é um novo escritor que dá banana aos macacos e veneno a quem precisa de veneno... na definição do próprio.

Pacato advogado da cidade do Rio de Janeiro, pode ser encontrado através de duas formas no vasto mundo virtual: pelo twitter (twitter.com/drgutorj) e no site abaixo, onde o leitor interessado pode fazer o download de seu primeiro livro de crônicas, no formato e-book, cuja capa ilustra esse post.


Não deixe de conhecê-lo e de conhecer suas obras. É amigo e super gente boa. 

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Resenha: 1808


Vale a pena ser conferido


O livro surpreende seu leitor pela riqueza de detalhes graças ao rigoroso processo de pesquisas que lhe deram vida, envolvendo fontes oficiais (do Brasil e de Portugal) e não-oficiais, retiradas de diários particulares de pessoas importantes ou semi-anônimas que viveram no século XIX, como artistas, marujos e comerciantes, a maior parte deles com ligações estreitas com a família real portuguesa.

E falando nesta, confesso que ri bastante com ela e demais pessoas da corte, com seus hábitos estranhos, suas manias e peculiaridades bizarras, como as possíveis infidelidades da princesa Carlota Joaquina, os surtos de D. Maria I e as gulodices de D. João VI, que mesmo carregando má fama, foi um soberano exemplar em alguns momentos.


Também refleti bastante lendo o livro, principalmente sobre as influências destes primeiros anos de civilização brasileira que, de certa forma, refletem o que somos hoje. A postura pacata diante das injustiças sociais, o moralismo exacerbado com algumas questões (principalmente quando envolvem costumes e religião), o descaso com educação, a produção científica e com o pensamento livre são heranças indesejadas do povo português.


A colonização portuguesa em si foi uma via de mão dupla. Da mesma forma que eles nos tiraram muitas riquezas, sugamos da metrópole as bases que tornaram o Brasil uma grande civilização. Se D. João VI e sua família não tivessem vindo para o Brasil, provavelmente estaríamos bastante atrasados na escala evolutiva das nações, ou na pior das hipóteses, nem seríamos uma.


O livro só peca com algumas repetições desnecessárias do autor em alguns assuntos. No geral, excede as expectativas. Recomendo a todos que gostam do tema História ou que gostam de fugir um pouco de livros de ficção.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Resenha: Um mundo perfeito



Decepcionante. Um dos piores livros que li na vida.

Vi tantas resenhas positivas a respeito deste livro em uma rede de relacionamento de leitores que fiquei bastante empolgado em lê-lo, mas sem tanta prioridade a princípio. Tomei conhecimento de sua existência por meio de um recado de punho do próprio autor que, polidamente, pediu-me que adquirisse “Um mundo perfeito” e conhecesse seu primeiro trabalho.

Após alguns meses onde priorizei outras leituras e já bastante intrigado com a insistência dele para que eu lesse logo a sua obra, adquiri o livro, alimentando as melhores expectativas possíveis a seu respeito, ainda mais por conta da capa, um trabalho de arte muito bonito. Porém, a cada página lida, fui decepcionando-me gradativamente com o teor da obra, que, sinceramente, achei MUITO fraca e limitada. Por pouco não parei de lê-la completamente.

Das duas hipóteses, uma: ou alguns resenhistas daqui da rede de relacionamentos que mencionei fizeram uma espécie de propaganda previamente combinada do livro com o autor ou então são, na verdade, amigos dele que não quiseram ou que tiveram a vergonha de magoá-lo com críticas verdadeiras como esta que faço. Não consigo entender como estas pessoas podem ter achado esta obra digna de cinco estrelas e uma obra-prima do suspense e do terror.

O livro, na verdade, pertence à literatura fantástica de baixa qualidade. Leonardo Brum, o autor, como já citei, é iniciante, e me passa a impressão de que não sabe realmente o que quer escrever em determinados momentos. Demonstrou ser bastante inseguro, escondendo-se atrás de vocabulário limitado, de um padrão irritante de parágrafos curtos, típicos de livros paradidáticos e de personagens que não são e jamais serão nem um pouco cativantes. Sua sintaxe de redação é bastante primária e os erros de concordância saltaram constantemente aos meus olhos durante toda a leitura.

Na pior das hipóteses, acredito eu, os perfis que elogiam a obra são falsos, mas não tenho certeza disso, embora outros usuários da rede de leitores que freqüento, que não gostaram do livro, tenham esta mesma desconfiança, já que foram atacados sem dó e nem piedade por lá . Posso até estar sendo injusto, mas sei que, para vender seu peixe e obter lucro irrestrito, as pessoas são capazes de criar as mais ardilosas artimanhas para conseguirem seu objetivo.

Porém, considerando que muitas pessoas leram e gostaram, tudo o que nos resta dizer ou pensar é aquela velha frase que diz “gosto é gosto, não é?” Mas mesmo assim fiquei pasmo com toda essa unanimidade em torno do livro, cuja narrativa primária, crua e óbvia é claramente "inspirada" em filmes e séries de TV que quase todo mundo já conhece ou assistiu, tipo “Lost”, "Predador" ou “A Ilha da Fantasia”.

O pior de tudo é que a história deixou muitas lacunas e situações inacabadas, especialmente o destino de alguns personagens e a origem de uma misteriosa criatura monstruosa que rondava a Ilha de Pedra-Luz, o lugar onde se passa a história, que apareceu pouquíssimas vezes e depois sumiu do nada. O final, então... um verdadeiro clichê de ruindade, muito mal feito.

Indico a leitura de “Um mundo perfeito” a um público mais infanto-juvenil e principiante em literatura, que com certeza o apreciará mais, por pura diversão e/ou sem maiores neuras. Para quem faz leituras mais elaboradas e densas como eu, o conselho que dou é: fique longe.

“Um mundo perfeito" só não é um fiasco completo porque possui alguns pequenos momentos memoráveis, como o capítulo do menino que é transformado em melão, que particularmente, achei até um pouco poético.

Espero que no futuro Leonardo conscientize-se de suas limitações e passe a escrever melhor. Ou então desista de escrever de uma vez por todas, caso não tenha a humildade de reconhecer as suas limitações.

Por fim, jamais escolha um livro apenas pela sua capa. Você pode se decepcionar amargamente com isto.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Resenha: Inspiração à Beira do Abismo


Realmente: uma grande surpresa vinda de um talento bastante promissor.




Se eu fosse julgar este livro pela sua "cara", diria com a maior sinceridade que jamais o leria, pois o título e sua ilustração de capa me remetem aos famosos e terrivelmente previsíveis livros de auto-ajuda.

Mesmo assim, resolvi adquirí-lo, a título de curiosidade e a fim de prestigiar um novo talento em nossa literatura. E agora, depois que o li, desafio os leitores do blog a irem além, assim como eu, vencendo o preconceito inicial para conhecer, sem temores o "Inspiração à beira do abismo", do gaúcho Jocir Prandi.

Trata-se de um excelente livro de contos de um autor iniciante dotado de grande potencial, que precisa ser urgentemente conhecido pelo grande público. Cada página lida foi uma surpresa agradável para mim. Prandi, se for realmente notado por mais leitores, terá um futuro grandioso pela frente.

A facilidade com que escreve, o lirismo, a simplicidade, a sensibilidade presente em suas palavras tiveram o poder de comover meu coração com seus contos. Basicamente, os mesmos tratam de pessoas que se encontram deprimidas, desesperançadas e à margem de cometer atitudes extremas que podem custar suas próprias vidas ou imensos prejuízos às pessoas que amam.

Há finais felizes? Você precisa ler para saber.

Voltando ao terreno das primeiras impressões, jamais julgue um livro pela capa. A melhor forma de avaliá-lo é notar, enquanto lê o quanto ele consegue prender a sua atenção e a intensidade de batidas cardíacas que ele lhe causa, pois é por meio delas que você descobrirá se a obra em questão é boa ou não.

O livro de Jocir, volto a ressaltar, possui essa qualidade. Cada palavra escrita, cada idéia, cada personagem, nos remete fundo ao mundo de nossas emoções mais humanas, às mais belas virtudes de nossas almas. Nosso coração facilmente se agita ao contato com suas páginas.

Recomendo com louvor a leitura desta obra. Para quem anda precisando de doses de otimismo em sua vida, ela é perfeita.
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