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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Resenha: O vampiro que ri


O princípio dos "prazeres"

Dos três mangás de Suehiro Maruo lançados no Brasil, O Vampiro que ri é o mais raro de se encontrar no mercado. Suas edições estão esgotadas.

A história narra os acontecimentos macabros que antecedem a trama do ótimo Paraíso - O sorriso do Vampiro, já resenhado aqui no blog.  Nele, descobrimos a origem da repulsiva e misteriosa Corcunda, assim como os detalhes por trás das metamorfoses de seus servos sugadores de sangue, Konosuke Mori e Runa Miyawaki, outrora pacatos estudantes de ensino médio da região de Tóquio.

Personagens como Sotoo Henmi, rapazinho piromaníaco e com fortes tendências psicóticas e Kan, um palhaço pedófilo e estuprador dão à trama um tom mais sádico e doentio que deixaria o Marquês de Sade orgulhoso. Até onde o ser humano é capaz de ir quando a satisfação de seus impulsos e instintos são suas metas primordiais?

Descubra lendo esta obra se os temas nela retratados lhe apetecerem e se o encontrar disponível para venda em algum lugar especializado. Trata-se de um verdadeiro tesouro do mangá underground japonês. Raro e indispensável.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Resenha: Olhos de pantera


Matador de feras à espreita

Um novo assassino em série está a solta em Bon Temps, Louisiana. E novamente temos a garçonete telepata Sookie às voltas com mistérios, crimes aparentemente insolúveis e claro, seres sobrenaturais.

Aliás, em Olhos de Pantera, o quinto volume das aventuras de Sookie Stackhouse (escritas por Charlaine Harris), as criaturas sobrenaturais são as vítimas da vez, não mais mulheres e jovens indefesas. E indefesa, definitivamente, não é mais um rótulo que se aplica à protagonista da história, pois, mais à vontade com seus poderes psíquicos e também mais experiente no quesito defesa pessoal, Sookie quer provar a todos e principalmente a ela própria de que pode cuidar de si, ainda mais depois de estar oficialmente livre de compromisso com seu vizinho vampiro e ex-amor, Bill Compton.

Porém, desta vez, não será fácil pegar o assassino. Ele também é de origem sobrenatural e Sookie não consegue ler com clareza seus pensamentos. Mas sabe, lá no fundo que ele está completamente obcecado em destruir mutantes metamorfos como ele, colocando assim em perigo o único irmão da própria Sookie, Jason, um recém-criado homem-pantera.

A trama é concisa, envolvente, mas em comparação ao livro anterior é um pouco fraca e confusa em algumas passagens. Mesmo assim, a diversão é garantida, ainda mais para os fãs desta série de livros em particular e do seriado de TV a qual ela deu origem, True Blood.

Portanto, leia sem culpa. E descubra que no mundo de Sookie, repleto de seres e acontecimentos estranhos,   os temíveis vampiros são apenas uma pequena ponta de iceberg.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Resenha: Procura-se um vampiro


Um novo amor para Sookie?


Procura-se um vampiro é o quarto livro das crônicas de Sookie Stackhouse, escrito por Charlaine Harris, e de longe o melhor de todos até o momento, embora eu ache que ainda falta um pouco mais de empolgação e evolução à trama, que ainda está morna.

Em Morto até o anoitecer, primeiro livro da série, conhecemos Sookie, seu dom para telepatia, encrencas e a sua nova rotina ao iniciar namoro com um vampiro suspeito, em potencial, num caso de assassinatos em série que andam acontecendo na pequena cidade onde ela e sua família vivem, Bon Temps, Louisiana, Estados Unidos.

Em Vampiros em Dallas, o segundo, vemos Sookie e seu namorado Bill Compton em uma das principais cidades do Texas às voltas com investigações sobre uma seita de fanáticos religiosos que querem a eliminação de todos os vampiros do mundo, mesmo estes tendo saído da obscuridade desde que cientistas japoneses, munidos de grande astúcia, inventaram o sangue sintético que lhes garante a sobrevivência sem que precisem matar pessoas para saciar a sede.

No terceiro livro, Clube dos Vampiros, Bill desaparece misteriosamente em uma missão secreta e cabe a Sookie encontrá-lo, mesmo que seja preciso a sua involuntária infiltração no meio de um dos principais pontos de encontro das criaturas sobrenaturais que infestam os Estados Unidos, o Club Dead, e ainda por cima com a ajuda de mutantes, duendes, um lobisomem que mexe com a sua libido (o destemido Alcide Herveaux) e o chefe de seu namorado (o sedutor e aparentemente perigoso vampiro Eric Northman).

Agora, neste quarta aventura, encontramos uma Sookie fragilizada pelos acontecimentos ocorridos no terceiro livro, em especial com o rompimento definitivo de seu namoro com Bill. É véspera de ano novo e nossa heroína está firme em novas resoluções para a sua vida que não envolvam assassinatos, espancamentos e sangue derramado ou sugado.

O que ela não esperava, entretanto, já na volta para casa da festa de ano novo em que participa no seu trabalho, era encontrar na estrada um Eric Northman completamente desnorteado, desmemoriado e nu em pêlo, para seu mais secreto deleite. Piedosa como sempre (e um pouco excitada), mesmo que seu objeto de pena (e desejo) seja uma imprevisível máquina de matar, Sookie leva Eric para a sua casa onde ele se torna seu hóspede por tempo indeterminado, pois sondando posteriormente os motivos que o levaram até ali, ela acaba descobrindo que a cabeça dele foi posta a prêmio por um perigoso clã de bruxos recém-chegados a Louisiana e que querem tomar conta do poderio sobrenatural no local, também conhecido como Área 5 e onde Eric é o xerife.

Indo contra as suas resoluções de ano novo, Sookie decide ajudar Eric a recobrar sua memória e também ajudar a comunidade sobrenatural da Área 5 a combater os indesejáveis invasores. Mas desta vez Sookie não poderá mais contar com a outrora certeira ajuda de Bill em suas aventuras, por conta do rompimento da relação entre eles e também por causa da mais nova viagem secreta de Bill, sob as ordens da Rainha Vampira da Louisiana, à América do Sul.

Outros acontecimentos que Sookie não poderia prever no decorrer da história são o súbito e misterioso desaparecimento de seu irmão Jason e os sentimentos novos que começa a nutrir por Eric. Mas não o Eric debochado, rude e frio que ela conhece e despreza, mas um Eric novo, mais amável, protetor, carinhoso e provavelmente mais verdadeiro em sua essência, que talvez jazia adormecida nele ao longo dos anos, o que é de se estranhar, já que vampiros não possuem almas.

Apesar das histórias mornas até o momento, é muito difícil não se apaixonar por Sookie e seus amigos. Talvez seja isso que ainda me mantenha preso a estes livros, sempre ansiando pelo lançamento de novos títulos da série, que nos Estados Unidos já totalizam dez.

Se você é fã, já sei que irá correndo atrás do seu. Se não é, esqueça um pouco seus preconceitos literários e procure conhecer as crônicas de Sookie, nem que seja por mera diversão.

E até a próxima resenha!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Resenha: 13 dos Melhores Contos de Vampiros


Indispensável para fãs de vampiros

Flávio Moreira da Costa reuniu em uma antologia 13 contos vampirescos que supostamente deveriam representar o que há de melhor dentro deste popular gênero de ficção narrativa, já que, desde tempos imemoriais, vampiros são assunto na literatura e nas rodas de conversas das mais diversas culturas e povos, especialmente os europeus.

Entretanto, apesar de ter gostado muito de alguns contos da obra, não há como qualificar todos eles como os melhores. Neste livro o autor resgata textos escritos em épocas e culturas diversas, frutos de movimentos culturais aparentemente sem ligação, constituindo assim uma salada de múltiplos sabores para os mais diversos paladares. O diferencial é que uma grande parte destes contos jamais havia sido publicada no Brasil, sem falar em alguns de seus autores, famosos lá fora, mas completamente desconhecidos em território nacional, como o irlandês Sheridan Le Fannu.

Por conta disso, muitos dos vampiros desta coletânea apresentam algo inédito, diferente. Destaco com louvor as criaturas que aparecem nos contos "O estranho misterioso" (de autor anônimo), "Carmilla" (do já citado Le Fannu), "Luella Miller" (Mary Eleanor Wilkins-Freeman), "A transferência" (Algernon Blackwood - guarde bem esse nome), "O quarto da torre" (Edward Frederic Benson), e "A história de Chugoro" (de Lafcadio Hearn, que possui lançada no mercado brasileiro uma boa coletânea de contos de horror japoneses chamada Kwaidan - Assombrações).

Entretanto, as maiores pérolas do livro são "O hóspede de Drácula", de Bram Stoker, que na verdade se trata de um capítulo inédito de sua obra-prima "Drácula" que, por razões desconhecidas, acabou não entrando nos originais do livro e "O Senhor de Rampling Gate", conto inédito de Anne Rice.

Mais interessado agora? Embora as tramas destes contos sejam mais sutis do que sanguinolentas, creio que este livro deixaria sua biblioteca de livros de horror bem mais interessante, até pelo caráter clássico e influente que cada uma de suas histórias carrega. Portanto, saia logo em busca do seu porque ele é um pouco difícil de ser encontrado por aí.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Resenha: Clube dos vampiros


Sookie adquire mais experiências e... hematomas

Inicio esta resenha fazendo uma crítica um pouco ácida a esta edição brasileira do livro. Se você não leu ainda os livros anteriores, não leia o próximo parágrafo, que está em itálico. Vá direto ao próximo depois dele, pois este em questão contém um SPOILER., uma revelação importante do livro anterior a qual com certeza você não quer saber se ainda não o leu. Por isso, não quero ser mais um dos inúmeros estraga-prazeres espalhados pela internet que ficam contando, inconsequentemente e em riquezas de detalhes, as passagens importantes e até mesmo finais de diversos livros que nem todos conhecem ainda.

Não sei se está de acordo com a editora original, mas a Benvirá (selo editorial recente do Grupo Saraiva), no afã de relacionar o livro com a série, colocou uma foto com todo o elenco de True Blood na capa, o que constitui um equívoco terrível. Mas como, se a Tara que conhecemos na série sequer aparece nos livros e seu primo Lafayette, também presente nela, já até morreu no segundo? Sei que na série ele continua vivíssimo, mas convenhamos: livro é livro e série é série. E se há algo que realmente tenho estranhado muito nas edições nacionais da série em livro é esse troca-troca de editoras. Morto Até o Anoitecer, o primeiro livro, saiu pela Ediouro. Vampiros em Dallas, o segundo, saiu pela ARX. Sabe por onde o próximo sairá se essa Benvirá não se estabelecer como a Editora definitiva dos livros de Charlaine Harris em terras brasileiras.

Mas, focando agora no livro, Clube dos vampiros é o terceiro livro de Charlaine sobre as aventuras da garçonete telepata Sookie Stackhouse e dos companheiros nada convencionais que a acompanham nessas empreitadas, como os vampiros Bill (namorado), Eric, Pam, Bubba e uma uma infinidade de outras criaturas estranhas, como mutantes e lobisomens, que cruzam seus caminhos na pequena e aparentemente pacata cidade de Bon Temps, na Louisina (EUA).

A história se inicia com fortes indícios de que a relação de Bill e Sookie não é mais a mesma, desde que se conheceram. Distante, frio, desinteressado por climas românticos, Bill anda às voltas com missões secretas que lhe foram designadas pela rainha vampira da Louisiana, tão secretas que nem mesmo Eric, seu superior imediato, sabe de suas existências. Ou talvez desconfie.

Um rompimento entre os dois então é inevitável e mesmo arrasada, Sookie tenta retomar sua vida do zero, como se isso fosse possível. Após certo tempo, recebe a visita do próprio Eric, em pessoa e de Pam, sua assistente, que lhe noticiam o desaparecimento de Bill, e interessadíssimos, claro, em  saber também o que poderia ter ocasionado esse súbito e inexplicado desaparecimento.

Ainda fiel a Bill, Sookie diz aos vampiros desconhecer os motivos que levaram ao seu desaparecimento, mas se compromete em ajudar a encontrá-lo, ainda mais quando é informada de que Bill pode estar prisioneiro nos domínios do rei vampiro do Mississipi. 

Como Eric e nem Pam, sendo vampiros de outro território não podem circular no outro Estado, resolvem designar então um novo companheiro de aventuras para a telepata, que acaba um tanto abalada em suas estruturas quando conhece o sujeito em questão.

Trata-se de Alcide Herveaux: sujeito alto, moreno, musculoso e sensual que possui as qualidades que uma donzela casadoira e aspirante a uma vida normal mais deseja em um marido, incluindo-se aí adjetivos como rico, trabalhador e supostamente honrado e honesto. Porém, no caso particular de Sookie nada em sua vida é perfeito. Mesmo livre e desimpedido no momento, Alcide, revela ser, na verdade, um lobisomem. E que deve favores a Eric.

Apresentações feitas e empatia imediata entre os novos parceiros, Alcide e Sookie dirigem-se imediatamente a Jackson, Mississipi onde o pai do jovem lobisomem possui negócios e onde Alcide também é bem conhecido no meio 'sobrenatural' do lugar. E se pretendem realmente descobrir o paradeiro de Bill, devem freqüentar o lugar mais barra pesada da cidade, o Club Dead. Mas esta missão não será nem um pouco fácil, ainda mais quando vampiros desconfiados, mutantes ciumentos e outros lobisomens, de índole vingativa, cruzam o caminho dos dois.

Mas o pior ainda está por vir quando Sookie descobrir que o que motivou Bill a deixá-la foi uma rival amorosa com cerca de dois séculos de idade...

Particularmente, acho que a série tem mantido o seu nível até aqui. Os personagens são sensuais, cativantes, mas os enredos deixam um pouco a desejar. Eu imaginava muito mais suspense e obstáculos a superar neste terceiro livro, o que não foi o caso. Tudo se resolveu tão facilmente.

Mesmo assim, acredito que os próximos volumes trarão novo frescor à série e talvez uma maior maturidade literária da autora, já que criatividade não lhe falta. Este, em particular, foi uma espécie de divisor de águas, porque agora Sookie está praticamente livre e desimpedida nas questões do amor e possui três magníficos pretendentes a seus pés, embora um deles tenha perdido completamente a sua confiança. Vamos ver então o que nos reserva a série num futuro próximo.

Até o próximo então!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Resenha: Vampiros em Dallas


Vampiros em Dallas é o segundo dos livros da série de Charlaine Harris dedicados às aventuras da garçonete telepata Sookie Stackhouse e de seus amigos sobrenaturais, residentes do Estado da Louisiana, nos Estados Unidos. Os mesmos, como já se sabe, serviram de inspiração ao produtor Alan Ball para criar a consagrada série de TV do canal HBO chamada “True Blood”.

No primeiro livro da série, já resenhado aqui no blog, conhecemos as origens de Sookie, sua família, o cotidiano de sua cidade natal Bon Temps, abalado pela ação de um assassino em série e, claro, seu inusitado dom de ler os pensamentos das pessoas, que parecia-lhe mais uma maldição até a chegada do estranho e fascinante vampiro Bill Compton à cidade.

Neste segundo volume, Sookie e Bill já assumem um relacionamento a dois, mesmo com a estranheza e o preconceito das pessoas ao redor. A vida dos dois, mesmo com estas adversidades, poderia estar fadada à calma completa se não fossem o misterioso assassinato de um amigo de Sookie (com direito à cadáver encontrado em circunstâncias esdrúxulas), o surgimento de uma criatura sobrenatural dos tempos mitológicos nos bosques de Bon Temps e a convocação de Bill e sua amada por Eric, o xerife vampiro da Louisiana, para uma perigosa missão na cidade de Dallas, no Texas.

A missão consiste em encontrar um vampiro do alto escalão daquela cidade, que foi aparentemente seqüestrado e cujo paradeiro é completamente ignorado pelos demais. O que Sookie e Bill não contavam era o fato do mesmo estar em poder de uma seita religiosa anti-vampiros, disposta a tudo para destruir todos os sugadores de sangue da face da terra, mesmo que eles se encontrem em situação legal em dias atuais.

Eu particularmente achei esse volume mais fraco em relação ao primeiro, mas quem busca diversão e entretenimento, Vampiros em Dallas pode ser classificado como boa diversão.

De tudo o leitor encontrará nesse livro além de vampiros. Nele, tomamos mais conhecimento a respeito de outras criaturas fantásticas que fazem parte do cotidiano e da realidade de Sookie, como mutantes, lobisomens e até mesmo seres humanos que demonstram ser assassinos frios e cruéis, escondendo-se por trás da fachada de cidadãos perfeitos da pequena Bom Temps.

Em breve, a resenha do terceiro livro, O Clube dos Vampiros.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Resenha: Drácula


O mestre de todos os vampiros

Esqueça Edward Cullen, Stefan Salvatore, Bill Compton ou outro qualquer vampiro bonzinho com quem você tenha tido contato no mundo literário recentemente. Visite agora uma biblioteca próxima de sua casa ou então procure em uma livraria o bom e velho Drácula, de Bram Stoker.


Publicado em 1897, Drácula recebeu uma acolhida pouco unânime entre a crítica da época, onde muitos elogiaram a obra como uma poderosa peça de fascinação lúgubre e outros a criticaram pela sua estranheza. O tema do vampiro, que parecia já estar desgastado e caindo no ridículo ou no esquecimento naquela época, tomou um impulso tão forte e firme, que até hoje em dia muitas pessoas pensam que o autor foi o primeiro a introduzi-lo na literatura.


Bram Stoker, que era irlandês, começou a escrever sua obra-prima em 1890 e, segundo o próprio, sua inspiração partiu de um pesadelo onde ele via um vampiro erguendo-se de sua tumba. Então, a partir deste seu episódio onírico, começou a pesquisar com avidez lendas da região da Transilvânia, na Romênia, e sua inspiração final surgiu particularmente relacionada a um certo nobre que viveu naquela região, no século XV, chamado Vlad Tepes, que foi  responsável em impedir a invasão do povo turco na Europa e que era conhecido como “O Empalador”, pois costumava empalar (perfurar com madeira pontuda, geralmente lanças) os inimigos que eram capturados em combate. E o nome Drácula, inclusive, foi tirado do pai de Vlad, chamado Vlad Dracul (cujo último termo significa diabo ou dragão).


Possuidor da força de vinte homens reunidos, capaz de comandar os mortos, os animais e o clima, dotado do poder de tomar inúmeras formas e ficar invisível, o Drácula de Bram Stoker é um ser extremamente inteligente e ardiloso, conseguindo ludibriar com sucesso os seus desafetos por mais que estes reúnam todos os recursos da modernidade da época para combatê-lo, alguns como transfusões de sangue, a taquigrafia e até estudos avançados de Psiquiatria para entender a sua mente. 


Ao contrário dos vampiros “românticos”, ele não mata por fúria, prazer ou capricho, mas movido por uma imensa avidez de poder, apoderando-se, portanto, de suas vítimas e colocando-as a seu serviço. Age também como um grande estrategista, reunindo em sua jornada macabra vastas fortunas que o ajudarão a realizar um possível plano de domínio mundial, e  no livro isto, está praticamente explícito, pois o propósito inicial de Drácula é dominar uma Londres onde o british way of life está em franca decadência. E, para se ter uma idéia desta decadência, as pacatas mulheres vitorianas que são mordidas por ele e que se metamorfoseiam em vampiresas, se tornam de uma hora para outra, vorazes dominadoras que fazem uso de uma sensualidade quase primitiva para abordarem com sucesso as suas vítimas em busca de alimento.


Ainda que este livro não tenha a linguagem fácil de entender das obras de Stephenie Meyer tampouco o estilo sombrio e sensual da Anne Rice ou o mais leve de Charlaine Harris, a sua narrativa é bastante original, pois Stoker escreveu a obra como se pensasse em uma peça de teatro, desprezando assim a exclusividade de um foco narrativo em primeira ou terceira pessoa, tão comuns em vários livros, utilizando assim os relatos de vários personagens e até de instituições presentes na obra, sejam estes em formato de cartas, relatórios, telegramas e até mesmo notícias de jornais, dando originalidade à obra.


Portanto, a misteriosa vida do Conde, é principalmente narrada através dos diários e cartas escritos por Jonathan Harker (rapaz contratado pelo vampiro para representá-lo no mundo exterior), Mina Murray (que depois se torna Mina Harker ao se casar com Jonathan) e do Dr. Seward, amigo pessoal do Dr. Van Helsing (o inimigo mais interessado em destruir Drácula e seu legado), que administra uma instituição para doentes mentais em Londres.

O Dr. Seward, em particular, e tudo o que se relaciona a seu mundo de enfermos dá um toque especial à obra, na minha opinião, dotando-a ainda mais de situações e conflitos que mexem bastante com o psicológico daqueles que a lêem. 


E esta, é basicamente dividida em três grandes atos: Jonathan Harker aprisionado no castelo de Drácula, a luta de amigos e parentes para salvar a vida de Lucy Western (melhor amiga de Mina) e a caçada ao vampiro, liderada pelo astucioso Dr. Van Helsing.

A narrativa poderá parecer um tanto lenta. A demora em acontecer fatos importantes e a quase ausência de seqüências de ação podem irritar um pouco o leitor. Mas se este tiver paciência e principalmente sangue frio durante a leitura, acabará usufruindo de um livro excelente onde o suspense e uma atmosfera psicológica envolvente ultrapassam as barreiras. 

Dica

Aos que já leram a obra, uma dica final: procurem nas livrarias um livro chamado "Os 13 melhores contos de Vampiros" organizado por Flávio Moreira da Costa. Entre estes contos, encontra-se um capítulo inédito de Drácula, que acabou não entrando na edição original e permaneceu inédito por um bom tempo. Nele, Jonathan Harker, a caminho do Castelo do conde, é atacado por lobos assustadores bem nas proximidades de um cemitério muito sinistro. 


Fonte pesquisada para a criação desta resenha: Wikipédia.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Resenha: Morto Até o Anoitecer


Este é apenas o início de uma fascinante jornada entre vampiros

Não é nenhuma novidade para um grande número de pessoas que os livros da escritora norte-americana Charlaine Harris, da série “Crônicas de Sookie Stackhouse” são a fonte de inspiração do produtor norte-americano Alan Ball para a criação de sua mais recente e bem-sucedida série de TV chamada “True Blood”, êxito de público e de crítica no mundo inteiro.

“Morto até o anoitecer” é o primeiro desta série de, até o momento, nove livros da autora, com três deles oficialmente lançados no Brasil. O mesmo narra o início das aventuras de Sookie Stackhouse, uma garçonete aparentemente simplória que mora em uma pequena cidade no norte do Estado da Louisiana, nos Estados Unidos e que se chama Bon Temps.

A Louisiana, por sinal, parece ser o berço das esquisitices em todos os Estados Unidos e já foi bastante retratada em livros de uma consagrada conterrânea de Charlaine, a escritora Anne Rice, cujo livro mais conhecido é “Entrevista com Vampiro”.

E vampiros, assim como nos livros de Rice, são seres que participam assiduamente dos livros de Charlaine. No universo da autora, eles e os seres humanos coexistem em um mundo atual aparentemente em paz. Tidos outrora como monstros e assassinos sanguinários, os vampiros agora gozam da liberdade de ir e vir entre os mortais graças à astúcia de cientistas japoneses que inventaram o sangue sintético para saciar-lhes a fome (o chamado True Blood), sem que seja necessária então a matança indiscriminada de humanos inocentes por eles quando sentem a inevitável vontade de se alimentar.

Este livro marca o encontro de Sookie com seu primeiro vampiro, o misterioso Bill Compton. E Sookie, soube, desde este primeiro contato que Bill é um vampiro, por conta de um misterioso dom que possui, que nasceu com ela e que esconde de todos os que não lhe são íntimos: a telepatia, que lhe possibilita ler, nem sempre com muita clareza, o pensamento das pessoas. Porém, com Bill é diferente: ela não consegue ler o que ele pensa, fato que a deixa imersa em um misto de intriga, curiosidade e fascinação.

A chegada de Bill à cidade onde nasceu há quase duzentos anos atrás não é muito bem tranqüila, pois no rastro dela acontecem mortes misteriosas que são logo atribuídas a vampiros que supostamente não estão nem um pouco interessados em manter trégua com os humanos, tornando então o próprio Bill um dos suspeitos em potencial dos óbitos das vítimas, todas elas mulheres. Ajudado então por Sookie, que inevitável e gradualmente se apaixona por ele, Bill resolve provar a sua inocência, já que é de sua natureza e vontade viver pacificamente entre as pessoas comuns.

Para os que apreciam a série de TV, “Morto até o anoitecer” praticamente equivale à primeira temporada da série, com a exceção de algumas situações não muito importantes e de da presença de alguns personagens que aparecem na produção televisiva, como a melhor amiga de Sookie, Tara e sua mãe alcoólatra Lettie Mae, que provavelmente não funcionariam bem no livro.

Ausências à parte, cada página lida é uma verdadeira viagem. E quem gosta de livros sobre vampiros em particular, apreciará com certeza a leitura deste livro e dos demais da série, que conforme evoluem, ganham mais elogios entre seus leitores e a crítica especializada.

E é claro que eu a acompanharei também. Portanto, não percam aqui no blog as cenas dos próximos capítulos. Aliás, dos próximos livros.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Tentação total para compulsivos!



Já pensou em ter as 10 Crônicas Vampirescas de Anne Rice de uma vez só e ainda levar os dois volumes de A Hora das Bruxas por um preço bem camarada? Corram! O Submarino fez um pacote com esses livros, que estão saindo todos juntos pelo preço de 199,90. Normalmente sairiam por R$ 623,80.

Corram! Abaixo o link para compra. Boa sorte!

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