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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Resenha: O amor não escolhe sexo


Um doloroso embate entre aceitação e discriminação

"Existe o lado escuro da Lua: preconceitos e discriminações. Mas existe o lado iluminado pelo Sol - um jeito feliz de viver, com solidariedade e respeito, apesar das diferenças."

É com essa premissa que Giselda Laporta Nicolelis (uma já veterana e consagrada autora de livros para jovens) dá o ponto de partida àquele que é  considerado, talvez, o primeiro livro infanto-juvenil pulicado em terras brasileiras (1997) a abordar, abertamente, a delicada e até então controversa questão da homossexualidade entre o meio juvenil.

O amor não escolhe sexo relata a história de um jovem bonito, rico, inteligente, encantador, bom aluno e muito popular na escola, Marco Aurélio, que se vê apaixonado pelo seu melhor amigo, Cristiano. Trata-se de uma obra sensível, que nos leva a refletir sobre o preconceito, mesmo que a autora demonstre, em alguns momentos da narrativa, uma certa insegurança em abordar o tema, o que numa época de incompreensão como aquela em que foi lançado é totalmente justificável, pois lá no fundo sabemos que as editoras querem que seus livros façam sucesso e vendam bem, muitas vezes desconsiderando entre seus livros temas espinhosos que venham lhe trazer possíveis prejuízos.

Marco Aurélio e Gislaine; Cristiano e Tamires. Aparentemente, dois casais de adolescentes apaixonados (especialmente o primeiro). Mas, até que ponto o amor resiste a pressões? Quando a  real orientação sexual se revela, como a pessoa reage para não sucumbir ao estigma?

Abordando o lado mais sentimental e romântico da questão e sem maiores resquícios de desejo carnal em suas páginas, a obra também convida seus leitores a uma reflexão mais profunda: é esse o mundo que queremos para nós mesmos, os outros e nossos descendentes? Um mundo que nos proíba amar a quem nosso coração desejar? Um mundo de barbárie, incompreensão e preconceito que no fundo é a herança indesejada de costumes antigos, geralmente oriundos de questões religiosas e nenhum pouco filosóficas, onde as pessoas têm o poder de exercer seu livre pensamento?

Sugiro com entusiasmo este clássico de Giselda Laporta Nicolelis a pais, a jovens que estejam em dúvida com suas sexualidades e a todas as pessoas em geral, especialmente àquelas que ainda estejam às voltas com velhos julgamentos relacionados à orientação sexual dos indivíduos, para que possam chegar a um entendimento a respeito do que foram condicionados a pensar ao longo de toda uma vida, no que diz respeito às relações amorosas entre as pessoas. 

E após a leitura, talvez aplicar novas atitudes sobre o que foi lido, preferencialmente no que tange ao próprio bem-estar (pois muitas vezes o preconceito se origina em algum conteúdo interior mal-resolvido) e ao bem estar das pessoas, já que afinal  de contas em um mundo onde um homem é condecorado por matar um semelhante e condenado por amar outro do mesmo sexo, todas as pessoas merecem ser felizes, não importa qual seja a forma com que elas busquem a felicidade.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Resenha: A marca de uma lágrima


O amor pode estar bem ao seu lado (preste atenção)

Adolescente que se acha feia, gorda, dona de um intelecto brilhante que se apaixona pelo menino mais bonito da escola que está na verdade interessado em sua melhor amiga, lindíssima e sem conteúdo. Parece até enredo de novela mexicana, não é?

Na verdade não. Trata-se de uma adaptação do francês Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand. A diferença com o original é que nele temos um exímio espadachim e poeta que é apaixonado por sua prima e vendo que ela  corresponde a seu melhor amigo, faz de tudo para ajudá-lo a conquistá-la. Não tem coragem de fazê-lo por causa de seu avantajado nariz.

Nunca li Cyrano, mas talvez um dia eu o faça. Só sei que este livro de Pedro Bandeira foi um dos que mais marcaram a minha adolescência, especificamente aos 14 anos de idade, a mesma de Isabel, a protagonista.

Isabel, como disse anteriormente, é genial, do tipo a melhor aluna da classe, especialmente em língua portuguesa, sua disciplina favorita. Escritora praticamente nata, seu passatempo preferido é dar asas à sua imaginação e escrever as mais belas poesias típicas de sua idade, que refletem seus anseios, medos, aflições e desejos, já que é filha de pais separados e seu convívio com a mãe não é dos melhores, pois esta vive com enxaqueca desde que o marido a largou por outra mulher.

No livro, estamos em mais um começo de ano letivo que prometia ser normal para Isabel, tirando o divórcio dos pais. O que ela não esperava (e acho que ninguém espera) era a chegada do primeiro amor, na pessoa de um primo distante que não via desde a infância, chamado Cristiano.  Filho único da tia Adelaide (irmã de sua mãe que vive de mudanças), Cristiano é a personificação da beleza perfeita, aos olhos de Isabel, isenta de quaisquer defeitos. 

A empatia entre os dois, a nível de amizade, é imediata. Porém, para a frustração de Isabel, Cristiano demonstra ter interesses românticos por sua melhor amiga, a bonitona porém simplória Rosana. Incapaz de manter um romance com o primo, por conta da baixa auto-estima e também por lealdade à melhor amiga, resolve ajudar esta a conquistar seu primo, escrevendo cartas e poesias de amor que Rosana assina como se fossem de sua autoria. E o que Isabel jamais imaginaria era que o seu trabalho se tornaria um diferencial na paixão entre os dois jovens.

Triste, Isabel pensa em morrer. Pais separados, amor não correspondido, aparência horrenda (que seu pior inimigo, o Espelho do Banheiro não cansa de apontar em detalhes sádicos), nada mais em sua vida tem sentido. E o que não andava bem acaba piorando quando, involuntariamente, acaba tornando-se testemunha de um crime em sua própria escola. Envenenada com cianureto (como descobriremos depois), a diretora da escola acaba sendo encontrada morta por Isabel e seu colega Fernando em seu gabinete.

Histórias mal-explicadas com relação ao assassinato, evidências, uma maior proximidade com Fernando e a adrenalina fazem com que Isabel esqueça por alguns momentos a vontade de morrer. A partir desse momento, tudo o que tem de fazer é evitar de ser morta, pois o assassino está em seu encalço.

Romance aliado ao suspense tornam A Marca de Uma Lágrima um livro bastante inesquecível. Afinal, quem um dia não foi um adolescente que se sentiu deslocado no mundo, que amou sem ser correspondido ou que até mesmo presenciou um assassinato? Hehehe! Brincadeiras à parte, é realmente difícil alguém ter presenciado uma morte tão trágica, mas as demais dores do adolescer e crescer já foram nossas um dia.

Recomendo este livro a todos. Aos saudosistas da juventude e principalmente aos jovens de agora. Enquanto muitos de vocês perdem seu precioso tempo focando em um amor impossível, de sonhos e devaneios, podem descobrir, com Isabel e com este livro, que ele pode estar bem ao seu lado, o tempo todo, bastando para isso prestar um pouco mais de atenção à própria vida. E que muitas de nossas inseguranças, especialmente aquelas relacionadas com uma baixa auto-estima, muitas vezes, são apenas coisas de nossa cabeça, valores deturpados que erroneamente enraizamos em nossos corações.

Eu, sempre que tenho vontade, releio esse livro e me sinto bem. Façam como eu.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Minha vida de leitor (IV)


Ninguém esquece do primeiro Vaga-Lume

Observando o blog nesta última semana, senti que nele faltava algo, que uma lacuna precisava ser preenchida o mais rápido possível, já que me propus a falar a respeito de livros sem quaisquer preconceitos ou limitações, a partir do momento que o criei.

Essa lacuna remete aos primeiros livros que li e as impressões que tive ao lê-los, mesmo que isso tenha acontecido há muito tempo atrás.

Aqui no Brasil, como forma de estimular a leitura entre os estudantes, é bastante comum e difundido no meio escolar a adoção das famosas leituras extraclasse, ou seja, livros que os professores recomendam ou impõem aos alunos e sobre os quais farão algum trabalho futuro, com eles relacionados, tais como uma prova, um trabalho de pesquisa ou até mesmo um seminário em sala de aula. Acredito que todos os brasileiros que tiveram a oportunidade de sentar em um banco de escola na vida já passaram por esta experiência.

Em 1972, a Editora Ática criou uma coleção de livros que tinha como função primordial atender à demanda desse mercado que começava a crescer. E essa coleção, que existe até hoje, é a velha e conhecidíssima Coleção Vaga-Lume, que felizmente, está longe de seu fim e cresce cada vez mais. Inicialmente contando com apenas algumas dezenas de livros, hoje os mesmos já formam centenas.

E como não lembrar então do primeiro Vaga-Lume?

O meu não foi fruto de nenhuma leitura extraclasse obrigatória, mas sim de um empréstimo de uma vizinha. Saturado de livros infantis e de histórias em quadrinhos, um dia, espontaneamente, resolvi ler algo diferente e esse título foi Um Cadáver Ouve Rádio, do Marcos Rey.

Não me sentiria tão desnorteado a princípio com a leitura. Acostumado com livros que sempre tinham inúmeras ilustrações, os livros da Vaga-Lume também tinham as suas, mesmo que poucas e espalhadas entre os capítulos. Bela forma de se introduzir leituras deste tipo aos leitores mais jovens e inexperientes. E sem saber, eu já começava o processo tendo em mãos um dos livros do autor mais popular de toda a coleção, justamente o Rey.

Marcos Rey (pseudônimo de Edmundo Donato) já é falecido, tanto que suas cinzas foram jogadas de helicóptero sobre a cidade que tanto amava, São Paulo, onde nasceu e que usou como cenário de várias de suas obras, inclusive a sua primeira que me propus a ler. Em vida, o autor se dedicou à várias atividades onde a escrita era sua guia. Foi tradutor, escritor, roteirista, dramaturgo. Um indivíduo bastante versátil nas letras e que faz falta aqui nesse nosso mundinho caótico.

Mas voltando ao livro, pode-se dizer que foi também o meu primeiro policial. E na época me causou tão boa impressão que, nos anos vindouros, o gênero passou a ser um dos meus favoritos. Ele narra os acontecimentos que giram em torno de um cadáver que é encontrado dentro de um prédio em construção, o corpo de bruços, com um rádio ligado. O cadáver era de um homem de que todos gostavam no Bairro do Bixiga, em São Paulo. Era o sanfoneiro chamado Alexandre, mais conhecido como ‘Boa-Vida’.

Deparando-se com essa situação inusitada e sem quaisquer pistas que o levem ao assassino ou assassinos do sanfoneiro, o delegado distrital, Doutor Arruda decide pedir então ajuda ao trio de jovens detetives conhecidos no bairro, Leo, Gino e Angela, famosos por desvendarem anteriormente o Mistério do Cinco Estrelas e também o Rapto do Garoto de Ouro, que além de casos também são títulos de outros livros do autor em que estes personagens aparecem e que também fazem parte da Coleção Vaga-Lume.

Quem teria motivos para matá-lo? Boa-Vida era casado, mas ele e a ex-mulher não moravam mais juntos. Para piorar a situação, dias depois de sua morte ela também morre, em circunstâncias misteriosas. Seria o mesmo assassino? Por que teria a matado também?

Vários suspeitos são colocados na roda do inquérito policial, como alguns vizinhos do tal prédio, vistos em circunstâncias misteriosas no dia do crime, a própria esposa do morto, antes de ser assassinada e até um sanfoneiro rival do Boa-Vida, por causa da acirrada concorrência entre ambos.

Mas o que parecia complicado se complica mais ainda quando a arma do crime é finalmente encontrada: um estranho sabre de procedência chinesa.

Ficou curioso para saber o desfecho? Procure pelo livro e faça como eu, leia-o sem compromisso. Não sei se terá a mesma magia e mistério que teve para mim em tempos de outrora, mas acredito que saciará sua curiosidade em saber quem é o criminoso da história.

E breve, por aqui, mais títulos da Vaga-Lume que li, aparecerão. Portanto, até a próxima!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Resenha: A gorda e a volta por cima


Este é o primeiro livro de Carlos Heitor Cony que leio, obviamente voltado para um público mais juvenil do que adulto. 

Cony escreve muito bem. É um mestre das palavras e dono de uma alma de poeta, intimamente ligada a assuntos relacionados ao sofrimento e à superação de problemas, pois tem experiência nesses assuntos. Para quem não sabe, o autor foi uma das inúmeras pessoas que sofreram com perseguições e torturas nos caóticos anos de ditadura militar no Brasil.

Mas deixando esse episódio vergonhoso de nossa história de lado, voltemos ao Cony escritor. Como bom conhecedor da causa, o sofrimento dá o tom também a esta sua obra, que mesmo sendo uma de suas menores, possui seus méritos. Talvez o maior deles seja conscientizar a juventude brasileira a respeito da ditadura da beleza e da busca desenfreada por status elevado na sociedade, que influenciam negativamente as pessoas hoje em dia, levando-as cada vez mais a descartar tudo aquilo que é diferente ou que não se encaixa em seus padrões pessoais cada vez mais exigentes e rígidos.

A gorda e a volta por cima é, na verdade, uma espécie de reinvenção, pelo autor, do conto infantil da Gata Borralheira, mas no contexto de nossos dias e retratado cuidadosamente em terras brasileiras. Trata-se da fictícia história de Gilmara, uma moça inteligente e estudiosa nascida e criada no subúrbio do Rio de Janeiro e que sofre com problemas que são muito comuns entre os jovens de hoje: obesidade, ansiedade, desatenção pela parte dos pais e baixa auto-estima.

Filha indesejada de um casal que cobiçava um terceiro filho do sexo masculino, após os nascimentos de duas filhas mais velhas, Gilmara vai levando a vida como pode, mas sempre em meio a um sofrimento silencioso, que a incapacita em revidar os insultos que recebe, suportando, então, resignada o desprezo dos pais e principalmente o de sua mãe, que a compara sempre de forma desfavorável em relação às suas irmãs, mais esbeltas e bonitas. 

Porém, como nada da vida é definitivo, sua vida começa a mudar quando sai do subúrbio e passa a morar em Copacabana, graças à ascensão profissional de seu indiferente e distante pai, no ramo imobiliário. Talvez inspirada pelas novas perspectivas de sua vida, resolve mudar de vida e de hábitos. Mas muitos desafios ainda a esperam, especialmente um inesperado interesse amoroso que a deixa bem intrigada. Seria mais uma brincadeira ou algo real, confiável?

Mais Cinderela do que isso é impossível, não é? Que tal ler então e tirar suas próprias conclusões? Ou então, que tal recomendar a alguém que esteja passando pelos mesmos problemas de Gilmara?

Boa leitura e até a próxima!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Resenha: A Fantástica Fábrica de Chocolate


Adquiri este livro de Roald Dahl e sua seqüência, O Grande Elevador de Vidro (que resenharei futuramente aqui) porque sou um fã incondicional dos filmes que foram feitos a respeito dele: o de 1971 estrelado por Gene Wilder e o mais recente, estreado por Johnny Depp e dirigido por Tim Burton. 

Quem viu os filmes, provavelmente notou diferenças marcantes entre ambos. Por conta disso, resolvi averiguar qual deles era mais fidedigno ao livro e, a conclusão que cheguei é que o de Depp é o que mais se aproxima da obra. Além do mais, li posteriormente em sites de cinema que a versão de 1971 irritou profundamente o autor, por conta de muitas deturpações que ele observou na trama.
Opiniões do autor à parte, continuo gostando das duas versões. E deixando o mundo do cinema de lado, vamos ao que interessa, o livro.

Se você é adulto e não tem o menor problema em ler livros infantis, pode mergulhar nas páginas deste sem maiores problemas. A questão é que “A fantástica fábrica de chocolate” – o livro – foi feito para crianças. Sua linguagem poética, suas ilustrações, suas lições, tudo remete ao mundo dos pequenos e desde já alerto que alguns adultos podem ficar frustrados ao perceberem que o livro não possui a mesma dinâmica dos filmes. E embora isto aconteça, as obras literária e cinematográficas tem a intenção louvável de ensinar às crianças a como se comportarem no dia-a-dia, demonstrando que aquelas mal-educadas, como Violeta Chataclete, mimadas como Veroca Sal, gulosas como Augusto Glupe e violentas como Miguel Tevel jamais se darão bem na vida.

Acima de tudo, os menores devem seguir o exemplo de Charlie Bucket, um garoto humilde, compreensivo, generoso e que trata todas as pessoas bem, constituindo assim o exemplo perfeito em que todas as crianças leitoras devem se espelhar.

Estranhou os nomes dados aos personagens? Coisas da tradução.

A Fantástica Fábrica de Chocolate, volto a ressaltar, adequa-se mais à apreciação de um público infantil. Recomendo-o também aos pais que gostam de motivar o hábito de leitura aos filhos. Mas se você é aquele adulto que gostou do que viu no cinema e que geralmente não dá muita vazão a criança dentro de si, o conselho que dou é: presenteie uma criança, mas não o leia. 

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Resenha: O menino do dedo verde



Antes de começar esta resenha, gostaria de expor uma frustração minha: Como eu gostaria de ter lido esse livro na infância! Acho que teria sido mais mágico e mais memorável.

Infelizmente, o fiz depois de adulto, pois jamais, em anos e anos de vida escolar, encontrei qualquer referência a esta obra de Maurice Druon em outros livros, especialmente os didáticos, que sempre trazem trechos de livros consagrados.

A primeira vez que ouvi falar de O Menino do dedo verde foi quando eu cursava a 8ª série do 1º Grau (atual 9º Ano do Ensino Fundamental). Ele foi recomendado com grande empolgação pelo nosso professor de Língua Portuguesa, o carrasco James, em um de seus poucos momentos de ternura. Sempre cínico e muito exigente com seus alunos, James tornou-se outra pessoa ao mencionar o livro e não deixei de notar essa mudança.

É claro que o procurei pelas livrarias da minha cidade, exaustivamente. Mas não o encontrei, para a minha frustração. Dificilmente encontrávamos bons livros em Manaus. A venda de títulos, até o começo dos anos 90, era focada em livros didáticos e leituras extraclasses obrigatórias adotadas pelas escolas e, aparentemente, O menino do dedo verde parecia não gozar de muito prestígio entre os docentes da época. Uma pena.

Não o encontrando também nas bibliotecas da vida, foi só depois de adulto, lidando com as facilidades do comércio via internet é que consegui ter o livro em mãos. E neste ano, para ser mais específico.

Em seu livro, Maurice Druon narra a história de um garoto chamado Tistu, nascido em berço esplêndido e que vive com seus pais em uma grande mansão, numa cidade fictícia chamada Mirapólvora, famosa por sua indústria bélica, comandada pelo pai do garoto, que sonha ver o filho único seguindo a mesma carreira. Porém, ao entrar na escola da cidade, Tistu acaba revelando-se um fiasco de estudante, por não conseguir adaptar-se às metodologias de ensino aplicadas no local, que lhe parecem constantemente monótonas e inúteis, levando-o ao sono involuntário durante as aulas. E com isso, acaba sendo expulso do local.

Alarmados, e cientes de que a formação intelectual de seu herdeiro não deve ser negligenciada, os pais de Tistu resolvem promover sua instrução de outra maneira, fazendo com que ele aprenda com os próprios olhos, levando-o assim aos locais que eles consideram apropriados ao conhecimento do menino, como o jardim da casa, os campos, os arredores da cidade, a fábrica de canhões, o hospital, considerando assim a vida como a melhor escola que existe.

Mesmo sendo um proeminente intelectual e acadêmico, autor de alguns romances históricos, Druon criou um livro infanto-juvenil perfeito, impregnado de ternura, sensibilidade e poesia que nos fala a respeito da busca de nossas verdadeiras vocações e convicções na figura de um garoto que, no decorrer da história, descobre ter um poder incomum: o ‘dedo verde’, onde tudo o que toca, floresce e frutifica, como se fosse mágica.

Recomendo com entusiasmo a leitura deste livro aos mais jovens. Não deixe que os mesmos vivenciem a mesma frustração que tive até poder finalmente tê-lo em mãos. O menino do dedo verde também é um livro para se ter sempre ao lado, para que, mesmo adultos, possamos relê-lo ao longo dos anos sempre que tivermos uma chance ou quando nos sentirmos desestimulados diante de nossas vidas, pois acredito que a missão desse livro é trazer de volta ao nosso convívio o encantamento pelas coisas novas e a paixão por um mundo mais belo e isento de conflitos. Maurice Druon criou uma obra cujo significado o leitor mais sensível será capaz de introjetar em si, descobrindo-se assim também um possuidor de um polegar verde capaz de revolucionar sua própria existência e o mundo ao seu redor.

Um livro lindo, que através da inocência dos olhos de uma criança, revela a beleza de uma vida feita de bondade, apontando, assim, soluções simples para grandes problemas que os adultos são incapazes de resolver.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Resenha: A morte tem sete herdeiros


A noite em que Agatha Christie visitou Jacuruçunga

Imagine um livro em que só pelo título já o idealizamos recheado de mistérios, mortes terríveis e situações de suspense que beiram a angústia. E logo depois que o lemos, acabamos descobrindo que o mesmo não era nada daquilo que aparentava ser antes e que, involuntariamente, acabamos mesmo foi rindo de sua trama, do início ao fim e até não poder mais.

Este é o caso de “A morte possui sete herdeiros” (ou A noite em que Agatha Christie visitou Jacuruçunga), de Stella Carr e Ganymedes José. O mesmo é o resultado da união feliz de dois autores distintos que legaram ao mundo literário infanto-juvenil uma verdadeira obra-prima do suspense e do nonsense, cheia de mistérios, mas com situações surreais que beiram o absurdo, o engraçado e fazem com que o leitor ria compulsivamente enquanto está avançando as páginas da obra.

O livro gira em torno de Rogério Matta Leitão, um riquíssimo fazendeiro de uma cidade fictícia do interior do Brasil que não teve filhos em seu casamento com sua amada esposa, Sabina, mas que por conta de laços de parentesco acabou acumulando durante sua vida sete indesejados sobrinhos, cada um mais irritante e cretino do que o outro, salva uma única exceção que o leitor descobrirá ao ler.

Rogério, viúvo já há muitos anos, bate as botas subitamente. E com isso, os ambiciosos parentes esperam herdar muito com a sua morte. Porém, o que não esperavam era a existência de uma estranha cláusula do testamento: todos, sem exceções, deverão pernoitar no casarão (supostamente mal-assombrado) da família em que Rogério vivia, na noite anterior à leitura do testamento.

O que ninguém esperava (incluindo-se aí alguns amigos próximos de Rogério, sua suposta amante caolha, os cônjuges esquisitos de alguns sobrinhos e a empregada da família) era que uma série de assassinatos começasse a acontecer noite a dentro, sendo os herdeiros os potenciais alvos da sanha assassina de alguém que está entre eles, eliminando um atrás do outro e todos por meio de crimes absurdos que beiram o ridículo.

Quem seria o assassino? Qual a sua motivação? Qual das sobrinhas vendia uísque falsificado do Paraguai? Qual dos sobrinhos posava de rico, mas comia carne de cachorro desidratada para não passar fome? Onde estaria o valiosíssimo anel de diamantes de vários quilates de Tia Sabina? Quem é o misterioso vulto que anda com a bengala que pertenceu a Tio Rogério pela casa e ainda por cima vestido de Carmem Miranda? E Agatha Christie, a dama do crime, realmente participa da história?

Participa. Mas não teria a menor graça se eu contasse aqui como e por que, não é?

Ficaram curiosos? Corram logo então atrás deste livro, uma sátira muito gostosa aos livros policiais ingleses. A leitura dele será tão prazerosa, prendendo-lhes tanto a atenção que duvido que muitos de você não consigam lê-lo em apenas um único dia. É batata!
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