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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Resenha: O vampiro que ri


O princípio dos "prazeres"

Dos três mangás de Suehiro Maruo lançados no Brasil, O Vampiro que ri é o mais raro de se encontrar no mercado. Suas edições estão esgotadas.

A história narra os acontecimentos macabros que antecedem a trama do ótimo Paraíso - O sorriso do Vampiro, já resenhado aqui no blog.  Nele, descobrimos a origem da repulsiva e misteriosa Corcunda, assim como os detalhes por trás das metamorfoses de seus servos sugadores de sangue, Konosuke Mori e Runa Miyawaki, outrora pacatos estudantes de ensino médio da região de Tóquio.

Personagens como Sotoo Henmi, rapazinho piromaníaco e com fortes tendências psicóticas e Kan, um palhaço pedófilo e estuprador dão à trama um tom mais sádico e doentio que deixaria o Marquês de Sade orgulhoso. Até onde o ser humano é capaz de ir quando a satisfação de seus impulsos e instintos são suas metas primordiais?

Descubra lendo esta obra se os temas nela retratados lhe apetecerem e se o encontrar disponível para venda em algum lugar especializado. Trata-se de um verdadeiro tesouro do mangá underground japonês. Raro e indispensável.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Resenha: Sombras da Noite



Contos de mestre


Stephen King é um sujeito que dispensa apresentações caso você tenha vivido neste planeta nas últimas cinco décadas e seja do tipo antenado com as novidades do cinema, da televisão e principalmente da literatura fantástica. Mas caso ainda não saiba de quem se trata, farei um breve resumo sobre algumas coisas que fez ou que estão de certa forma ligadas a ele, a fim de refrescar-lhe a memória. 

Já ouviu falar em um certo cemitério maldito, onde quem nele foi enterrado acabou voltando à vida de forma estranha? E em Carrie, uma garota esquisita e sem graça que, com poderes inexplicáveis, dizimou todos os alunos e professores de sua escola na noite do baile de formatura? Ou então já deve ter ouvido falar em uma certa cidade perdida no interior dos Estados Unidos onde as pessoas nunca envelhecem graças a um poder oriundo de um milharal demoníaco, que exige como pagamento de seus préstimos a sua periódica adubagem com sangue humano fresco.

E então? Estas histórias lhe soam familiares? A última, em particular, se trata de um dos vinte contos que integram este livro. E sim, Sombras da Noite é um livro de contos, um dos melhores de Stephen King, o mestre máximo do terror na literatura, apesar de algumas poucas e enfadonhas exceções que podem ser encontradas nesta obra. Publicada originalmente na terra natal de King em 1978, faço então um breve resumo das histórias que classifiquei como as melhores:

Jerusalem's Lot: atualmente, uma cidade fantasma da qual ninguém ousa se aproximar, principalmente à noite (leia o livro A Hora do Vampiro, também de King, para saber mais). Mas este conto (escrito na forma de cartas trocadas entre alguns personagens) narra acontecimentos decisivos e sinistros que ocorreram no local antes que o mal se espalhasse completamente por ele.

Último turno: é o conto que justifica a ilustração da capa da atual edição brasileira do livro (a que ilustra o post) e que foi produzido em filme em 1990 sob o título de A Criatura do Cemitério. Um grupo de pessoas que trabalham com limpeza pública e esgotos resolvem explorar a fundo um de seus locais de serviço e acabam encontrando o inimaginável...

Ondas noturnas: a humanidade inteira é, aparentemente, dizimada por um vírus mortal. Mas existem alguns sobreviventes...

A máquina de passar roupas: é o conto de King que deu origem a uma das histórias relatadas no filme Mangler - O grito de terror. E se passa em uma lavanderia que possui em seu mobiliário uma máquina de passar roupas com um apetite voraz por carne humana.

O bicho-papão: homem discute com seu psicoterapeuta fatos macabros e inexplicáveis do seu passado que sempre lhe assombraram. Existiria mesmo o ser sobrenatural que dá nome ao título do conto?

Massa cinzenta: uma bebida com efeitos sinistros. Um homem que, repentinamente, pára de ser visto em sua vizinhança e agora vive recluso em seu apartamento. Que segredos ele e seu único filho guardariam?

Campo de batalha: este conto foi adaptado com êxito para um dos episódios da série Nightmares & Dreamscapes. Um talentoso assassino profissional chega em casa após mais um dia de sucesso em suas empreitadas escusas. A mais recente? Assassinar o proprietário de uma fábrica de brinquedos. Porém, o que ele jamais poderia prever era a vingança do morto, na forma de simples soldadinhos que lhe são enviados de presente...

Caminhões: este deu origem às duas versões de Comboio do Terror, uma de 1986 (dirigida pelo próprio King) e um remake de 1997. Imagine pessoas entrando em uma lojinha numa estrada de fim de mundo e descobrindo, logo depois, que todos os caminhões ao redor criaram vida própria e decidiram fazer uma rebelião contra os humanos.

Primavera Vermelha: não poderia faltar neste livro uma história envolvendo assassinos em série, não é? Esta também fez parte do filme Mangler - O grito de terror e narra a volta de um deles à ativa, depois de longos anos de inatividade. E nos mesmíssimos arredores da universidade na qual, anteriormente, causou terror entre os estudantes, sem jamais ser capturado pelas autoridades.

O Ressalto: Conto que foi adaptado para o filme Olhos de Gato. Um magnata resolve acertar as contas em definitivo com o amante tenista de sua esposa, mas de uma forma inusitada: se o sujeito conseguir dar a volta no prédio em que estão, usando apenas o ressalto, ele sairá vivo da história, ainda por cima com a mulher e com uma boa quantidade de dinheiro. Será que ele aceitou?

Ex-fumantes LTDA: também adaptado para Olhos de Gato, narra os métodos pouco ortodoxos que uma empresa utiliza para coagir fumantes a largar seus vícios em cigarros e charutos.

As crianças do milharal: é a história do filme Colheita Maldita, a qual já descrevi aqui na resenha, sobre o milharal e as crianças que nunca envelhecem e como um casal de namorados arca com as consequências quando chegam ao local sem serem convidados.

O último degrau da escada: é o único conto que destoa dos demais do livro por ser triste, melancólico. É a história de dois irmãos e um acidente trágico que muda suas vidas. Tocante.

O homem que adorava flores: Um rapaz feliz andando pelas ruas, carregando um buquê de flores. As pessoas ao redor logo o imaginam apaixonado, feliz com alguma namoradinha. Mas as aparências enganam...

A saideira: De volta à maldita Jerusalem's Lot, ficamos cara a cara com o mal supremo que vive escondido nos subterrâneos da insuspeita igrejinha da cidade.

Impressionado com as histórias? Há outras, claro, mas se não foram do meu gosto, podem ser do seu. Então, o que está esperando? Leia. King é rei!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Resenha: 13 dos Melhores Contos de Vampiros


Indispensável para fãs de vampiros

Flávio Moreira da Costa reuniu em uma antologia 13 contos vampirescos que supostamente deveriam representar o que há de melhor dentro deste popular gênero de ficção narrativa, já que, desde tempos imemoriais, vampiros são assunto na literatura e nas rodas de conversas das mais diversas culturas e povos, especialmente os europeus.

Entretanto, apesar de ter gostado muito de alguns contos da obra, não há como qualificar todos eles como os melhores. Neste livro o autor resgata textos escritos em épocas e culturas diversas, frutos de movimentos culturais aparentemente sem ligação, constituindo assim uma salada de múltiplos sabores para os mais diversos paladares. O diferencial é que uma grande parte destes contos jamais havia sido publicada no Brasil, sem falar em alguns de seus autores, famosos lá fora, mas completamente desconhecidos em território nacional, como o irlandês Sheridan Le Fannu.

Por conta disso, muitos dos vampiros desta coletânea apresentam algo inédito, diferente. Destaco com louvor as criaturas que aparecem nos contos "O estranho misterioso" (de autor anônimo), "Carmilla" (do já citado Le Fannu), "Luella Miller" (Mary Eleanor Wilkins-Freeman), "A transferência" (Algernon Blackwood - guarde bem esse nome), "O quarto da torre" (Edward Frederic Benson), e "A história de Chugoro" (de Lafcadio Hearn, que possui lançada no mercado brasileiro uma boa coletânea de contos de horror japoneses chamada Kwaidan - Assombrações).

Entretanto, as maiores pérolas do livro são "O hóspede de Drácula", de Bram Stoker, que na verdade se trata de um capítulo inédito de sua obra-prima "Drácula" que, por razões desconhecidas, acabou não entrando nos originais do livro e "O Senhor de Rampling Gate", conto inédito de Anne Rice.

Mais interessado agora? Embora as tramas destes contos sejam mais sutis do que sanguinolentas, creio que este livro deixaria sua biblioteca de livros de horror bem mais interessante, até pelo caráter clássico e influente que cada uma de suas histórias carrega. Portanto, saia logo em busca do seu porque ele é um pouco difícil de ser encontrado por aí.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Resenha: O caso de Charles Dexter Ward


Cabalístico

Eis um livro recomendadíssimo para os fãs da literatura de horror. Se você ainda não conhece as obras de  H. P. Lovecraft, já é hora de fazê-lo, iniciando então com este O Caso de Charles Dexter Ward.

Trata-se de um livro não muito longo, tanto que a única edição brasileira em circulação no momento saiu pela L&PM Pocket, ótima editora especializada em livros de bolso. Mas, embora pequeno, a obra é dotada de um conteúdo poderoso que vai mexer bastante com os seus nervos.

A história do livro gira em torno da existência de um misterioso homem chamado Joseph Curwen, que viveu em Providence no século XVIII e que era possuidor de hábitos bastante estranhos e cabalísticos. Suspeitava-se, entre as pessoas da povoação, que Curwen realizava rituais satânicos ou coisas do tipo em sua fazenda, como vampirismo e canibalismo. Por conta destes boatos e do crescente número de fenômenos sobrenaturais em torno de sua morada, acabou sendo morto por populares em circunstâncias que durante séculos foram guardadas a sete chaves e esquecidas.

Porém, cerca de duzentos anos depois, um de seus descendentes diretos, o Charles Dexter Ward do título, promissor e apaixonado estudante de história de Providence, descobre por um acaso seu parentesco com o temido Curwen.  A vida do antepassado o intriga de tal forma que ele passa a investigar, por conta própria, os acontecimentos que cercaram o indivíduo e a comunidade há séculos atrás. Porém, depois de certo tempo, a vida de Charles, que outrora era promissora e feliz, muda radicalmente de rumo quando ele começa a adotar os mesmos estranhos hábitos de seu ‘ilustre’ familiar.

Para um primeiro contato com as obras de Lovecraft, este livro pode ser um pouco cansativo, pela quase inexistência de diálogos, já que se trata de um relato minucioso da vida de dois homens que se entrelaçam de tal forma que fica difícil, às vezes, distinguir quem é quem. Um livro perfeito, que prende o leitor, especialmente aquele que possui nervos de aço e que não se incomoda com mistérios e atmosferas sombrias.

Howard Phillips Lovecraft, o autor, é nascido em Providence, Rhode Island (1890-1937), interessava-se pela ciência e suas conquistas modernas e pelo ocultismo. Tão cultuado como Edgar Allan Poe, é autor de admiráveis histórias de terror e sobrenatural que influenciaram decisivamente o desenvolvimento da science fiction. Além deste O caso de Charles Dexter War, publicou, entre outros, The Tomb, The Lurking Fear, The Cream-Quest of Unknown Kadath e The Doom that Came to Sarnath. E alguns destes títulos estão disponíveis no Brasil, no idioma pátrio. Caso tenha curiosidade por eles, procure-os nas melhores livrarias ou sebos.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Resenha: Clube dos vampiros


Sookie adquire mais experiências e... hematomas

Inicio esta resenha fazendo uma crítica um pouco ácida a esta edição brasileira do livro. Se você não leu ainda os livros anteriores, não leia o próximo parágrafo, que está em itálico. Vá direto ao próximo depois dele, pois este em questão contém um SPOILER., uma revelação importante do livro anterior a qual com certeza você não quer saber se ainda não o leu. Por isso, não quero ser mais um dos inúmeros estraga-prazeres espalhados pela internet que ficam contando, inconsequentemente e em riquezas de detalhes, as passagens importantes e até mesmo finais de diversos livros que nem todos conhecem ainda.

Não sei se está de acordo com a editora original, mas a Benvirá (selo editorial recente do Grupo Saraiva), no afã de relacionar o livro com a série, colocou uma foto com todo o elenco de True Blood na capa, o que constitui um equívoco terrível. Mas como, se a Tara que conhecemos na série sequer aparece nos livros e seu primo Lafayette, também presente nela, já até morreu no segundo? Sei que na série ele continua vivíssimo, mas convenhamos: livro é livro e série é série. E se há algo que realmente tenho estranhado muito nas edições nacionais da série em livro é esse troca-troca de editoras. Morto Até o Anoitecer, o primeiro livro, saiu pela Ediouro. Vampiros em Dallas, o segundo, saiu pela ARX. Sabe por onde o próximo sairá se essa Benvirá não se estabelecer como a Editora definitiva dos livros de Charlaine Harris em terras brasileiras.

Mas, focando agora no livro, Clube dos vampiros é o terceiro livro de Charlaine sobre as aventuras da garçonete telepata Sookie Stackhouse e dos companheiros nada convencionais que a acompanham nessas empreitadas, como os vampiros Bill (namorado), Eric, Pam, Bubba e uma uma infinidade de outras criaturas estranhas, como mutantes e lobisomens, que cruzam seus caminhos na pequena e aparentemente pacata cidade de Bon Temps, na Louisina (EUA).

A história se inicia com fortes indícios de que a relação de Bill e Sookie não é mais a mesma, desde que se conheceram. Distante, frio, desinteressado por climas românticos, Bill anda às voltas com missões secretas que lhe foram designadas pela rainha vampira da Louisiana, tão secretas que nem mesmo Eric, seu superior imediato, sabe de suas existências. Ou talvez desconfie.

Um rompimento entre os dois então é inevitável e mesmo arrasada, Sookie tenta retomar sua vida do zero, como se isso fosse possível. Após certo tempo, recebe a visita do próprio Eric, em pessoa e de Pam, sua assistente, que lhe noticiam o desaparecimento de Bill, e interessadíssimos, claro, em  saber também o que poderia ter ocasionado esse súbito e inexplicado desaparecimento.

Ainda fiel a Bill, Sookie diz aos vampiros desconhecer os motivos que levaram ao seu desaparecimento, mas se compromete em ajudar a encontrá-lo, ainda mais quando é informada de que Bill pode estar prisioneiro nos domínios do rei vampiro do Mississipi. 

Como Eric e nem Pam, sendo vampiros de outro território não podem circular no outro Estado, resolvem designar então um novo companheiro de aventuras para a telepata, que acaba um tanto abalada em suas estruturas quando conhece o sujeito em questão.

Trata-se de Alcide Herveaux: sujeito alto, moreno, musculoso e sensual que possui as qualidades que uma donzela casadoira e aspirante a uma vida normal mais deseja em um marido, incluindo-se aí adjetivos como rico, trabalhador e supostamente honrado e honesto. Porém, no caso particular de Sookie nada em sua vida é perfeito. Mesmo livre e desimpedido no momento, Alcide, revela ser, na verdade, um lobisomem. E que deve favores a Eric.

Apresentações feitas e empatia imediata entre os novos parceiros, Alcide e Sookie dirigem-se imediatamente a Jackson, Mississipi onde o pai do jovem lobisomem possui negócios e onde Alcide também é bem conhecido no meio 'sobrenatural' do lugar. E se pretendem realmente descobrir o paradeiro de Bill, devem freqüentar o lugar mais barra pesada da cidade, o Club Dead. Mas esta missão não será nem um pouco fácil, ainda mais quando vampiros desconfiados, mutantes ciumentos e outros lobisomens, de índole vingativa, cruzam o caminho dos dois.

Mas o pior ainda está por vir quando Sookie descobrir que o que motivou Bill a deixá-la foi uma rival amorosa com cerca de dois séculos de idade...

Particularmente, acho que a série tem mantido o seu nível até aqui. Os personagens são sensuais, cativantes, mas os enredos deixam um pouco a desejar. Eu imaginava muito mais suspense e obstáculos a superar neste terceiro livro, o que não foi o caso. Tudo se resolveu tão facilmente.

Mesmo assim, acredito que os próximos volumes trarão novo frescor à série e talvez uma maior maturidade literária da autora, já que criatividade não lhe falta. Este, em particular, foi uma espécie de divisor de águas, porque agora Sookie está praticamente livre e desimpedida nas questões do amor e possui três magníficos pretendentes a seus pés, embora um deles tenha perdido completamente a sua confiança. Vamos ver então o que nos reserva a série num futuro próximo.

Até o próximo então!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Resenha: Livros de Sangue 1



Sangue, horror, escatologia e sexo


Já leu ou ouviu falar a respeito de Clive Barker? Se sua resposta for negativa, você precisa conhecê-lo imediatamente.


Nos anos 80, este escritor e cineasta inglês ganhou notoriedade por criar um estilo próprio de terror. Além da farta quantidade de sangue e cadáveres, ele empregava em suas histórias ingredientes como o sadomasoquismo e a escatologia. Exemplo disso é seu trabalho mais bem-sucedido como diretor de cinema, Hellraiser (1987), que acrescentou à galeria do horror classe B uma criatura que tinha o rosto crivado de pregos – o demoníaco Pinhead.

Hoje, no Pérolas da Compulsão conheceremos o primeiro volume de uma série de livros de contos bem-sucedida de Clive, os chamados Livros de Sangue. No total de seis volumes, estas obras possuem contos que incomodam, que são desconfortáveis e que enjoam o estômago do leitor antes mesmo de os amedrontarem. Fora Poe, Lovecraft e King (que muito elogia Barker), poucos autores do gênero "terror" conseguiram ter esse efeito duradouro ao longo dos últimos anos, pois as histórias destes livros permanecem em nossa mente durante muito tempo após terem sido lidos, pois Barker nos surpreende com novas nuances de maldades e terrores inéditos e inimagináveis, pois parece entender bem o medo e o mistério. O sexo também é bastante freqüente em suas obras, podendo deixar alguns leitores mais puritanos desconfortáveis.

Este primeiro volume de Livros de Sangue conta com seis contos. O primeiro dele, “O Livro de Sangue”, que se passa em uma casa com fama de assombrada, é curto e basicamente explica o título das obras. Funciona como uma espécie de introdução ao que está por vir.

"O Trem de Carne da Meia-Noite", o segundo conto, é o maior e um dos melhores da obra. Trata-se da história de um homenzinho comum, com uma rotina monótona e sem graça, que vê sua vida virar de cabeça para baixo no dia em que encontra em seu caminho um assassino em série que ataca suas vítimas no metrô e que possui um propósito macabro para justificar estes crimes. 

“O Yattering e Jack”, o terceiro conto, é particularmente o meu favorito do livro. Com doses generosas de humor negro, narra as desventuras de um sujeito às voltas com um pequeno demônio entocado dentro de sua própria casa, que insiste em perturbar a sua vida a fim de roubar-lhe a alma, porém, sem sucesso. Em meio a inúmeras sabotagens e destruições do imóvel, resistências de ambos os lados, fingimentos e teimosias, uma verdadeira batalha sem precedentes entre bem e o mal é vista neste conto. Que lado vencerá?

O quarto conto, “Blues do Sangue de Porco” se passa em um reformatório de rapazes infratores que recebe um novo professor de marcenaria, com tendências suspeitas. O que o professor não contava era que, por trás da fachada de instituição séria, forças terríveis estavam à sua espreita, especificamente na fazendinha de animais anexa ao local.

O quinto conto, “Sexo, morte e luz das estrelas”, é um dos mais profundos do livro. Recheado de divagações filosóficas e demais questionamentos, ele conduz o leitor a um clímax que o faz pensar a respeito de seu próprio destino, talvez em um futuro próximo e sobre este eu não entrarei em mais detalhes, para não estragar a surpresa.

Um casal de gays em crise de relacionamento e viajando pela Europa Oriental passa por sérios apuros em “Nas colinas, as cidades”, o conto que fecha o livro. De longe o mais surreal e fictício de todos. E na minha opinião um pouquinho complicado de se entender.

Livros de Sangue 1 não chega a ser excelente, mas 80% do seu teor é muito bom. A maior prova disto é que este primeiro volume é praticamente raro nas livrarias hoje em dia, mas podem ser encontrados ainda com certa facilidade em sebos. E se você ficou curioso, corra logo e adquira o seu, pois vale a pena conhecer as coisas que Barker escreve.

Até a próxima! 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Resenha: Drácula


O mestre de todos os vampiros

Esqueça Edward Cullen, Stefan Salvatore, Bill Compton ou outro qualquer vampiro bonzinho com quem você tenha tido contato no mundo literário recentemente. Visite agora uma biblioteca próxima de sua casa ou então procure em uma livraria o bom e velho Drácula, de Bram Stoker.


Publicado em 1897, Drácula recebeu uma acolhida pouco unânime entre a crítica da época, onde muitos elogiaram a obra como uma poderosa peça de fascinação lúgubre e outros a criticaram pela sua estranheza. O tema do vampiro, que parecia já estar desgastado e caindo no ridículo ou no esquecimento naquela época, tomou um impulso tão forte e firme, que até hoje em dia muitas pessoas pensam que o autor foi o primeiro a introduzi-lo na literatura.


Bram Stoker, que era irlandês, começou a escrever sua obra-prima em 1890 e, segundo o próprio, sua inspiração partiu de um pesadelo onde ele via um vampiro erguendo-se de sua tumba. Então, a partir deste seu episódio onírico, começou a pesquisar com avidez lendas da região da Transilvânia, na Romênia, e sua inspiração final surgiu particularmente relacionada a um certo nobre que viveu naquela região, no século XV, chamado Vlad Tepes, que foi  responsável em impedir a invasão do povo turco na Europa e que era conhecido como “O Empalador”, pois costumava empalar (perfurar com madeira pontuda, geralmente lanças) os inimigos que eram capturados em combate. E o nome Drácula, inclusive, foi tirado do pai de Vlad, chamado Vlad Dracul (cujo último termo significa diabo ou dragão).


Possuidor da força de vinte homens reunidos, capaz de comandar os mortos, os animais e o clima, dotado do poder de tomar inúmeras formas e ficar invisível, o Drácula de Bram Stoker é um ser extremamente inteligente e ardiloso, conseguindo ludibriar com sucesso os seus desafetos por mais que estes reúnam todos os recursos da modernidade da época para combatê-lo, alguns como transfusões de sangue, a taquigrafia e até estudos avançados de Psiquiatria para entender a sua mente. 


Ao contrário dos vampiros “românticos”, ele não mata por fúria, prazer ou capricho, mas movido por uma imensa avidez de poder, apoderando-se, portanto, de suas vítimas e colocando-as a seu serviço. Age também como um grande estrategista, reunindo em sua jornada macabra vastas fortunas que o ajudarão a realizar um possível plano de domínio mundial, e  no livro isto, está praticamente explícito, pois o propósito inicial de Drácula é dominar uma Londres onde o british way of life está em franca decadência. E, para se ter uma idéia desta decadência, as pacatas mulheres vitorianas que são mordidas por ele e que se metamorfoseiam em vampiresas, se tornam de uma hora para outra, vorazes dominadoras que fazem uso de uma sensualidade quase primitiva para abordarem com sucesso as suas vítimas em busca de alimento.


Ainda que este livro não tenha a linguagem fácil de entender das obras de Stephenie Meyer tampouco o estilo sombrio e sensual da Anne Rice ou o mais leve de Charlaine Harris, a sua narrativa é bastante original, pois Stoker escreveu a obra como se pensasse em uma peça de teatro, desprezando assim a exclusividade de um foco narrativo em primeira ou terceira pessoa, tão comuns em vários livros, utilizando assim os relatos de vários personagens e até de instituições presentes na obra, sejam estes em formato de cartas, relatórios, telegramas e até mesmo notícias de jornais, dando originalidade à obra.


Portanto, a misteriosa vida do Conde, é principalmente narrada através dos diários e cartas escritos por Jonathan Harker (rapaz contratado pelo vampiro para representá-lo no mundo exterior), Mina Murray (que depois se torna Mina Harker ao se casar com Jonathan) e do Dr. Seward, amigo pessoal do Dr. Van Helsing (o inimigo mais interessado em destruir Drácula e seu legado), que administra uma instituição para doentes mentais em Londres.

O Dr. Seward, em particular, e tudo o que se relaciona a seu mundo de enfermos dá um toque especial à obra, na minha opinião, dotando-a ainda mais de situações e conflitos que mexem bastante com o psicológico daqueles que a lêem. 


E esta, é basicamente dividida em três grandes atos: Jonathan Harker aprisionado no castelo de Drácula, a luta de amigos e parentes para salvar a vida de Lucy Western (melhor amiga de Mina) e a caçada ao vampiro, liderada pelo astucioso Dr. Van Helsing.

A narrativa poderá parecer um tanto lenta. A demora em acontecer fatos importantes e a quase ausência de seqüências de ação podem irritar um pouco o leitor. Mas se este tiver paciência e principalmente sangue frio durante a leitura, acabará usufruindo de um livro excelente onde o suspense e uma atmosfera psicológica envolvente ultrapassam as barreiras. 

Dica

Aos que já leram a obra, uma dica final: procurem nas livrarias um livro chamado "Os 13 melhores contos de Vampiros" organizado por Flávio Moreira da Costa. Entre estes contos, encontra-se um capítulo inédito de Drácula, que acabou não entrando na edição original e permaneceu inédito por um bom tempo. Nele, Jonathan Harker, a caminho do Castelo do conde, é atacado por lobos assustadores bem nas proximidades de um cemitério muito sinistro. 


Fonte pesquisada para a criação desta resenha: Wikipédia.
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