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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Resenha: O bom Jesus e o infame Cristo


O "salvador" e  a sombra que o acompanha


Phillip Pullman, um ateu confesso, é famoso no mundo inteiro por sua trilogia "Fronteiras do Universo", onde, por meio de uma espécie de fábula inserida no mundo real, questiona a religião cristã e suscita dúvidas sobre a onipresença, a onipotência e a onisciência de Deus.


Com este livro, não poderia ser diferente. Despreocupado com a repercussão negativa de seus livros entre fundamentalistas religiosos, desta vez ele resolve extrapolar um pouco e eleger, como alvo de suas críticas, o filho do "Homem" - Jesus Cristo. Ou melhor dizendo, os filhos do homem, os irmãos gêmeos Jesus e Cristo.


Hã? Como?


Isto mesmo, não estranhe. Nesta história de Philip, Maria dá à luz dois gêmeos – Jesus e Cristo. Um, descrito como “forte e saudável”, e o outro, como “pequeno, fraco e de aspecto doentio”.


As distinções entre os dois irmãos vão ficando mais evidentes no decorrer da história. Jesus é extrovertido, travesso e querido pelas outras crianças e Cristo, um menino reservado e meio misantropo que captura para si a preferência e a proteção da mãe.


Já adultos (já que pouco se conhece sobre a real juventude do filho de Deus) e após uma peregrinação no deserto, observamos Jesus iniciar suas pregações ao público, enquanto Cristo, sempre à sombra do irmão, dispõe-se a observar seus discursos e fazer anotações sobre tudo o que ele faz. E é a partir disto que o autor arquiteta a finalidade principal do livro: mostrar ao leitor a inconsistência da Bíblia e dos relatos nela contidos, especialmente os do Novo Testamento, que narram a vida do 'Messias'. Na história, observamos Cristo passar a ser orientado por um misterioso desconhecido para aumentar, manipular e até a inventar fatos grandiosos relacionados ao seu irmão, tornando-o assim cada vez mais popular.


O bom Jesus e o infame Cristo é um livro bem escrito, simples e de fácil leitura. Inspira reflexões sobre diversos mitos que se criaram em torno do cristianismo e apresenta uma versão diferente e plausível da vida terrena do filho de Deus, tornando-o justamente o que provavelmente sempre foi: um ser humano normal, com suas qualidades e seus defeitos.


Em uma época em que se acentua o conflito entre ateus e religiosos, entre os que acreditam ou não em Jesus Cristo, temos uma oportunidade preciosa para parar, ler e refletir sobre o tema.


O livro, portanto, é um meio de dar calor a um debate ou pode ser encarado como uma via que pode levar seus leitores a um caminho de luz, especialmente aqueles que ainda questionam sua religião (se for a cristã), sua fé ou até mesmo os seus propósitos neste mundo.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Resenha: O Livro de Ouro da Mitologia


Compilação de temas fascinantes

A mitologia grega, em nossos tempos, permanece mais viva do que nunca.

Basta verificar isto em livros como os da série Harry Potter e Percy Jackson, recheados de referências a deuses e criaturas mitológicas. Sem falar em filmes como Odisséia, Tróia e Fúria de Titãs, que lotam as salas de cinema mundo afora.

São histórias que praticamente já fazem parte do inconsciente coletivo das pessoas, de tão contadas e perpetuadas através dos tempos por meio das linguagens oral, escrita e visual. E mesmo assim continuam tão fascinantes quanto outrora, ou seja, desde a época em que surgiram.

Quem nunca temeu pela vida de Teseu quando este resolveu enfrentar o Minotauro dentro do Labirinto de Creta? Quem nunca torceu para que Eros (o Amor) e Psiquê (a Alma) terminassem juntos, mesmo com a ferrenha oposição de uma ciumenta e possessiva deusa Afrodite, mãe do próprio Eros? Sem falar nas aventuras de Jasão e dos Argonautas até a distante Cólquida, para conseguirem o lendário e valiosíssimo velocino de ouro.

Poderia contar em detalhes muitas outras histórias como o mito do belo Narciso, que se apaixonou pela sua própria imagem refletida nas águas de uma fonte. Ou então a do ambicioso Rei Midas, que sem medir as conseqüências de seu ato, pediu ao deus do vinho, Baco, para ter o poder de transformar em ouro tudo o que tocasse com as mãos. Entretanto, sugiro aos leitores desta resenha que mergulhem de cabeça nas páginas deste Livro de Ouro da Mitologia, de Thomas Bulfinch e deliciem-se por si mesmos com as narrativas que ele contém. Considero-o um dos melhores do gênero entre todos o que tive o privilégio de ler nesta vida, mesmo com algumas ressalvas.

A obra retrata a mitologia greco-romana de uma forma abrangente e rica em detalhes. Entretanto, os temas e narrativas tratados não estão muito bem agrupados, já que contos de origem latina encontram-se misturados com os de origem grega, sem qualquer critério, o que pode confundir o leitor caso ele não esteja familiarizado com as nomenclaturas de alguns personagens e lugares. O maior exemplo disso é que em alguns contos temos Apolo, deus da Luz e em outros, o deus Febo, que na verdade se trata do mesmíssimo Apolo, mas com outro nome.

Desorganizações à parte, o livro é um excelente apanhado de narrativas contadas com maestria, retratando deuses e heróis desde suas concepções até seus esquecimentos como divindades verdadeiras em lugares míticos como o Monte Olimpo. Além, disso, abrange também algumas histórias e informações sobre as mitologias nórdica, egípcia, hindu e outras mais. Pena que sejam poucas.

Nem todas as histórias têm finais felizes. De antemão aviso que o livro e a própria mitologia grega é um caldeirão de guerras, assassinatos, amores, ciúmes, maldições, feitiços, monstros, suicídios... Portanto, prepare-se para o melhor e o pior. Afinal de contas os próprios deuses, além de possuírem imagem e semelhança idênticas aos humanos também possuíam todos os seus (piores) defeitos e suas virtudes a tiracolo.

E é isso. Se você gosta de temas históricos, adora conhecer as cosmogonias de outros povos ou se é simplesmente fascinado pelos mitos gregos que talvez tenha conhecido um dia por outros meios como a TV, o cinema ou em referências de outros livros, invista no Livro de Ouro da Mitologia. Variedade de temas para se divertir e até para se aprofundar em questões que eles lhe trarão não lhe faltarão, pois cada uma de suas histórias também pode ser, lá no fundo, um fascinante ou intrigante convite à reflexão. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Resenha: Bórgia - Volumes 1 a 4


"A casa do Senhor" a serviço da devassidão

Em minha infância, assistindo a alguns programas de TV, descobri que nomes como Messalina, Agripina e Lucrécia Bórgia eram sinônimos de mulheres sedutoras, lascivas e que poderiam ser bastante traiçoeiras e perigosas, do tipo que deveriam ser mantidas à distância. Mas até então, não tive a menor inspiração ou timing para me aprofundar mais a respeito das pessoas por trás destes nomes. 


E foi apenas em anos recentes é que descobri o peso e a má fama confirmada que o pomposo nome Bórgia carrega no decorrer dos séculos, ao ler, em um livro do jornalista inglês Nigel Cawthorne (chamado A vida sexual dos papas, o qual recomendo) a respeito da vida do cardeal Rodrigo Bórgia, que desprovido de virtudes e alçado de forma ilícita ao posto de papa, comandou o vaticano no comecinho do século XVI com o nome de Alexandre VI.

Cobiça, poder, conspiração, política, luxúria, messianismo são, então, alguns dos ingredientes polêmicos da série de quadrinhos Bórgia, roteirizada pelo poeta, escritor e cineasta chileno Alejandro Jodorowsky e ilustrada pelo cartunista italiano Milo Manara, ambos conceituadíssimos no que fazem. Seus quatro volumes são uma espécie de biografia não autorizada da família, notória na exposição dos excessos e pecados da igreja católica do início do século supracitado (Alexandre era o papa quando o Brasil foi 'descoberto', em 1500) período que fez com que a própria instituição, numa tentativa patética de redimir seus erros, legasse a muitos papas do mesmo período e da mesma estirpe torpe de Alexandre, os vergonhosos título de anti-papas.


No primeiro volume da série,  Sangue Para o Papa, presenciamos os últimos dias de vida do infame papa Inocêncio VIII às voltas com inúteis tentativas de sobrevivência, sua morte e principalmente os artifícios sórdidos que o cardeal Rodrigo Bórgia utiliza para manipular as eleições papais de 1492 e chegar ao poder como Alexandre VI.

No segundo volume, O Poder e o Incesto, conhecemos melhor a beleza, os caprichos e a má índole da filha predileta do Papa, Lucrécia Bórgia, retirada de um convento para um casamento de conveniências com Giovanni Sforza, o duque de Pesaro, sua iniciação sexual pelo próprio irmão, César e a reação do rei da França frente à eleição fraudulenta do novo papa, planejando assim invadir a Itália com o apoio dos monarcas da Inglaterra, da Espanha e da Áustria. 

Em As Chamas da Fogueira, terceiro volume de Bórgia, conhecemos melhor os bastidores do Vaticano, que sob a administração de Alexandre VI, encontra-se constantemente maculado por orgias, compras de cargos e execuções arbitrárias de colaboradores. Também presenciamos a ascensão de César, filho mais velho do papa, ao cargo de cardeal sem possuir a menor vocação para tal. Em vida foi um ser tão perverso e torpe que inspirou Nicolau Maquiavel, escritor da época, a escrever seu livro mais famoso, O Príncipe., o manual predileto de nove entre cada dez seres corruptos deste mundo.

E finalmente, no quarto e último volume, intitulado Tudo é Vaidade, chegamos à conclusão da história acompanhando, finalmente, a decadência e os momentos finais de todos os Bórgia e suas consagrações definitivas como membros de uma das famílias mais repugnantes que existiram na face terrena. 

Se eu fosse você, corria logo atrás. E lembre-se que os volumes de Bórgia não são indicados para menores de 18 anos, caso você seja um deles.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Resenha: Londres, O Romance


2000 anos de História

Quem conhece Londres, costuma dizer que a mesma se trata de uma cidade fascinante.

Cosmopolita, moderna, acolhedora de várias culturas, mesmo com a fama de fleumática e formal. Não a conheço ainda, mas gostaria de realizar um dia este sonho. E foi por conta deste fascínio que também trago em meu espírito é que adquiri este livro de Edward Rutherfurd.

Em Londres, O Romance, pode-se dizer que, embora estática, a cidade é a protagonista incontestável das tramas e aventuras contidas na obra e seus inúmeros personagens, meros coadjuvantes.

Em 2000 anos de história, pessoas e situações (reais e fictícias) não faltam à obra. Dos primórdios da História, com tribos nômades até dias atuais, o autor relata a evolução e o crescimento de um pequeno vilarejo (Londinium) de forma bem criativa, dando vida a diversas gerações de famílias que ao longo do livro terão suas vidas reveladas e até entrelaçadas entre si (destacando-se clãs como os Duckett e os Silversleeves).

Você conhecerá então, ao lado e interagindo com personagens consagrados da história inglesa, indivíduos como Julius, fabricante romano de moedas, que arrisca sua vida para encontrar um tesouro enterrado; Dame Barnikel, dona da taverna freqüentada pelo renomado poeta Geoffrey Chaucer e seus peregrinos; Geoffrey Ducket, fundador de uma importante família da nobreza; Edmund Meredith e os atores da companhia de Shakespeare, no Teatro Globo; e a pequena Lucy, que vivia nas margens enlameadas do Tâmisa descrito por Charles Dickens em seus romances.

O livro é bastante volumoso, com mais de 1000 páginas. Mas se você gosta de cultura geral e assuntos de teor histórico, com certeza o apreciará bastante como eu apreciei. Confesso até que alguns capítulos me deixaram bastante empolgado com os acontecimentos narrados, a ponto de torcer fervorosamente pelo destino favorável de alguns personagens, bastante cativantes, como a bela e imponente Lady Elfgiva, que por ter se convertido ao cristianismo contra a sua vontade e por razões puramente políticas, saiu nua em pêlo em cima de um cavalo branco em protesto pelas ruas da cidade onde vivia, passando a ser conhecida historicamente como Lady Godiva.

Londres, O Romance também possui os méritos de ter ritmo leve e agradável de leitura (graças ao empenho de seu autor, que para meu alívio, pouco deixou-se levar pelo didatismo típico de livros de História) e de sincronizar, em perfeita harmonia, seus personagens às épocas retratadas em cada capítulo.

Recomendo sua leitura então com louvor. Se teve o poder de me empolgar, com certeza também poderá encantar você. Por isso, procure-o e tire suas próprias conclusões. Quanto a mim, mergulharei em planos mirabolantes para conhecer a cidade pessoalmente um dia.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Resenha: Calígula


Um romance histórico até interessante

Allan Massie, para quem não conhece, é um escritor estrangeiro relativamente conhecido na arte de escrever livros de fundo histórico em versões romanceadas. 

Pela sua (muito) fértil imaginação já foram retratadas entidades como o legendário rei Arthur, de Camelot, o sábio e real rei Carlos Magno, o passional rei bíblico David, a voluptuosa rainha Cleópatra e, como não poderia deixar de ser, quase todos os imperadores romanos de maior relevância para a história, como César, Tibério, Nero e claro, Calígula.

Neste livro, Massie dá vida a Lucius, um oficial do estado-maior veterano que conviveu com Calígula desde mais a tenra infância, por ser amigo do pai do imperador, o valente general Germânico e também de seu avô, o libertino e temperamental imperador Tibério. Por meio dos olhos deste personagem tomamos conhecimento de toda a trajetória desta figura histórica altamente controvertida, retratada unanimemente de forma negativa em filmes e principalmente e, livros de História Geral.

Incentivado por Agripina, tia de Calígula e mãe do pequeno Nero, Lucius começa a escrever a biografia do falecido Gaio (verdadeiro nome de Calígula), imperador-comandante do Império Romano, logo após a sua morte de forma trágica pelas mãos de sua guarda pessoal. 

Acompanhando os manuscritos de Lucius, descobriremos então que em apenas quatro anos de governo, Calígula  reuniu mais poderes do que seu mais famoso antecessor, o ditador Júlio César. Mas seria possível contar a história do imprevisível, louco, devasso, cruel e sedutor Gaio sem desnudar a história de Roma e da família imperial? Esse é o fio condutor do romance e, sem qualquer sombra de dúvida, o autor demonstra então ter um conhecimento quase que ilimitado sobre a história de Roma e de seus senhores, quando escreve.  Narrado em forma de biografia romanceada, o livro apresenta personagens e fatos reais, combinando assim conhecimento histórico com uma já citada fértil imaginação do autor. E sua ousadia é tanta que ele até questiona a versão da maioria dos historiadores e filósofos a respeito desse personagem símbolo da decadência romana. 

Particularmente achei um livro um pouco insosso, ainda mais quando comparado com o polêmico filme homônimo do cineasta italiano Tinto Brass que foi filmado na década de 1970, estrelado por nomes como Malcolm McDowell, Peter O'Toole e Helen Mirren.  Mas, mesmo assim, achei interessante a forma como Massie narrou a história. E para uma primeira leitura de suas obras, foi até interessante.

Agora, cabe a você decidir se quer ler ou não. Momentos fortes e picantes até existem na obra, mas não são muitos. O mais interessante, portanto, é tomar conhecimento da linha de pensamento do autor, muito bem expressa por meio de seus personagens. 

Recomendo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Resenha: Conspirações



Quase tudo o que não querem que você saiba

Conspirações, de Edson Aran é um livro bem descontraído, embora trate de temas fascinantes e intrigantes que, desde priscas eras, confundem e alarmam (muito) toda a humanidade. Se você quiser levar a sério tudo o que ele é escreve e descreve aqui, a escolha é totalmente sua.

O livro enfoca basicamente, de forma resumida e dinâmica (através de verbetes) as principais teorias da conspiração que surgiram e foram propagadas mundo afora no decorrer de dois milênios de história humana. E para quem ainda não sabe, teoria da conspiração é uma teoria que supõe que um grupo de conspiradores está envolvido num plano e suprimiu a maior parte das provas desse mesmo plano e do seu envolvimento nele. O plano pode ser qualquer coisa, desde a manipulação de governos, economias ou sistemas legais até a ocultação de informações científicas importantes ou assassinato de pessoas que se colocaram em seus caminhos.

Osama Bin Laden é um agente da CIA? A Terra é oca? Jesus Cristo teve filhos? Os nazistas tinham contato com extra-terrestres? Répteis alienígenas estão controlando tudo? Roberto Marinho estava morto desde 2001? Edgar Allan Poe era um assassino? Mulheres são de Urano? Homens são de Sírius? Estas e muitas perguntas povoam constantemente o imaginário das pessoas em todos os lugares.

Apesar de não ser um livro completamente original, pois existem outras publicações que podem ser consideradas mais sérias do que esta, o autor teve o mérito de torná-lo mais acessível e de fácil assimilação para seu leitor, de uma forma até divertida: logo após de apresentar uma teoria das conspiração, ele enumera, com muito humor e sarcasmo, tudo o que já se escreveu e se imaginou a respeito desta mesmíssima, incluindo-se então novas teorias e desdobramentos que muitas vezes não são nem um pouco ortodoxos, geralmente tirando sarro de alguém ou alguma instituição muito famosa.

Mas teorias de conspiração têm esse destino. Muitas delas são vistas com ceticismo e constantemente são ridicularizadas, já que boa parte delas se origina na mente de pessoas nem um pouco confiáveis e desprovidas de mentalidades sãs.

Se você gosta de livros sérios, é melhor não arriscar com este. Mas se gosta de estar antenado com as atualidades do mundo, mesmo que elas não gozem de credibilidade, este é seu livro. Achei tão gostoso de ler e tão descontraído que o conclui praticamente no mesmo dia em que adquiri.

É uma obra perfeita para aqueles momentos em que necessitamos fazer pausas em nossas leituras mais densas. Eu recomendo, mesmo sentindo falta de algumas teorias em seu texto, como o "terceiro segredo de Fátima", já que aquela história de atentado ao Papa João Paulo II até hoje não me convenceu.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Resenha: As mulheres mais perversas da História



A perversidade também usa esmalte e batom

As mulheres são consideradas por muitos como o sexo frágil, incapazes de ferir uma mosca. Entretanto, muitos leitores mudarão de idéia ao ler as páginas deste livro.

No decorrer da História sempre ficamos a par dos grandes feitos dos homens e do caráter deturpado de muitos deles. Com o gênero feminino não poderia ser diferente neste As mulheres mais perversas da História, da americana Shelley Klein.

Ele traz consigo histórias de crimes cometidos por um seleto rol de mulheres que viveram em várias épocas e lugares distintos. Grande parte de seus crimes foram realizados com tantos requintes de perfídia e crueldade que jamais atribuiríamos estas atrocidades às mesmas, tais como assassinatos de bebês, de familiares próximos, amigos, alguns assassinatos em série e cumplicidade em crimes que foram cometidos por seus parceiros de alcova.

Os casos do livro seguem um roteiro bem nítido, começando sempre com um relato breve da história da criminosa, como vida pessoal, as formas como iniciou e progrediu em sua carreira de crimes e a eles relacionados, que nem sempre são minuciosos, especialmente a respeito das investigações, o que fica bem notório nas trajetórias de criminosas como Agripina (a Jovem) e Valéria Messalina, que viveram no império romano.  

Algumas lacunas também podem ser verificadas também em certas passagens do livro, como o destino de algumas pessoas envolvidas em boa parte dos casos, detalhes importantes sobre alguns crimes, que foram narrados de forma superficial, sem falar no quesito tradução, que demonstrou algumas precariedades. Mas, no geral, o livro excede expectativas. Sua leitura é bem dinâmica e acredito que prenda o leitor interessado, pois me prendeu completamente. Curiosidade às vezes é algo muito mórbido.

Além de Messalina e Agripina, encontramos aqui as histórias das imperatrizes Catarina da Rússia, Tsi-Hi, da China, da Rainha Ranavalona I de Madagascar, da primeira-dama romena Elena Ceausescu (famosas por promoverem genocídios em suas nações), das cidadãs comuns Lizzie Borden (carrasca do próprio pai e da madrasta), Aileen Carol Wournos (a primeira assassina em série da história dos Estados Unidos), Rose West (famosa na Inglaterra por sua casa de horrores), Marie Noe (que matou envenenados todos seus sete filhos) e muitas outras mais, num total de quinze.

Fazendo um parênteses aqui, confesso que senti a falta de uma perversa bem notória neste livro, a condessa romena Erzsébet Báthory, famosa pela alcunha nada lisonjeira de ”Condessa Drácula”, graças a imensa crueldade com que matou centenas de mulheres residentes em seu condado e adjacências para beber-lhes o sangue, em busca de eterna juventude. Porém, notória ausência é explicada pelo fato de sua história ter entrado em outro livro similar, da mesma editora que foi lançado praticamente na mesma época, chamado Os mais perversos da História, da autora Miranda Twiss, que retrata tanto homens como mulheres que ficaram famosos por suas perversidades. E, pela variedade de títulos que se seguiram sobre seres perversos após estes livros, acredito que originalmente os mesmos fazem parte de uma mesma série de livros em seu país de origem, os Estados Unidos.

Por fim, fica um conselho para quem quiser arriscar a leitura desse livro: prepare seu estômago e prepare principalmente o seu espírito, pois o relato da vida destas mulheres nos causa repulsa, consternação e até mesmo piedade em alguns casos.  Suas existências e seus feitos servem apenas para provar que a maldade não tem sexo, idade, raça e nem orientação sexual. Ela existe. Nos espreita sorrateiramente  e cruza nossos caminhos quando menos se espera.

Este é um livro muito bom. Mas recomendado apenas para quem gosta do tema.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Resenha: Eu queria tanto, ainda viver



Entre em um sebo e busque por esse livro

"Eu queria tanto, ainda viver" é fruto de uma co-edição entre a Comunidade Luterana Letã e a Editora da Biblioteca do Exército do Brasil e há muito tempo não é editado no mercado literário de nosso país, sendo encontrado atualmente apenas em sebos.

Li este livro no finalzinho da minha infância, emprestado por uma amiga desta época e no decorrer dos anos nunca me esqueci dele, pois confesso que tocou tanto meu coração e mexeu tanto com as minhas emoções que muitas lágrimas derramei com a história. E agora, já depois de adulto, resolvi resgatá-lo das cinzas do tempo e lê-lo novamente a fim de saber se ele ainda me causaria a mesma impressão de outrora. 

Desta vez, o efeito que me causou foi bem mais ameno, talvez pela familiaridade que, infelizmente, tenho hoje em dia com questões que envolvem crimes e atrocidades que envolvem a raça humana. Embora esteticamente limitado, a mensagem deste livro ainda permanece intacta e mais atual do que nunca, afinal a crueldade humana e a obsessão pelo poder existem e parecem estar muito distantes de terem um fim.

A obra conta a história de Rutina U., chamada carinhosamente por seus familiares e amigos pelo hipocorístico 'Ruta'. Nascida na Letônia, uma das três províncias do Mar Báltico (ao lado de Estônia e Lituânia), Ruta e seus familiares foram forçosamente removidos de sua nação, dominada pelos Soviéticos, para ir trabalharem em condições escravas, exaustivas e desumanas em campos de concentração da Sibéria.

Assim, enfrentando o frio inclemente, a falta de uma moradia digna, de assistência médica, a luta pelo pão de cada dia, a perda de familiares no decorrer do processo, presenciamos o crescimento físico e psicológico de Ruta, que por meio de anotações em um diário rudimentar procura manter-se forte e mentalmente sã, registrando todos os horrores pelos quais passa, junto de parentes e amigos.

"Eu queria tanto, ainda viver" surgiu das páginas deste diário. Trata-se de uma obra pungente, que retrata como nenhuma outra os horrores de um regime totalitário e injusto, e sua influência nefasta na vida de pessoas que perderam, forçosamente, suas liberdades, vontades próprias e suas vidas. A publicação deste livro foi uma das últimas vontades de Ruta, antes de partir deste mundo.

Para quem quer conhecer profundamente aspectos sobre  a ambição, a sordidez, a crueldade e injustiça humanas, recomendo a procura e a leitura deste livro, impregnado de situações chocantes, revoltantes e comoventes. 

E que essa leitura traga a mente de quem lê a consciência dos males que assolam o mundo
 .

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Resenha: 1808


Vale a pena ser conferido


O livro surpreende seu leitor pela riqueza de detalhes graças ao rigoroso processo de pesquisas que lhe deram vida, envolvendo fontes oficiais (do Brasil e de Portugal) e não-oficiais, retiradas de diários particulares de pessoas importantes ou semi-anônimas que viveram no século XIX, como artistas, marujos e comerciantes, a maior parte deles com ligações estreitas com a família real portuguesa.

E falando nesta, confesso que ri bastante com ela e demais pessoas da corte, com seus hábitos estranhos, suas manias e peculiaridades bizarras, como as possíveis infidelidades da princesa Carlota Joaquina, os surtos de D. Maria I e as gulodices de D. João VI, que mesmo carregando má fama, foi um soberano exemplar em alguns momentos.


Também refleti bastante lendo o livro, principalmente sobre as influências destes primeiros anos de civilização brasileira que, de certa forma, refletem o que somos hoje. A postura pacata diante das injustiças sociais, o moralismo exacerbado com algumas questões (principalmente quando envolvem costumes e religião), o descaso com educação, a produção científica e com o pensamento livre são heranças indesejadas do povo português.


A colonização portuguesa em si foi uma via de mão dupla. Da mesma forma que eles nos tiraram muitas riquezas, sugamos da metrópole as bases que tornaram o Brasil uma grande civilização. Se D. João VI e sua família não tivessem vindo para o Brasil, provavelmente estaríamos bastante atrasados na escala evolutiva das nações, ou na pior das hipóteses, nem seríamos uma.


O livro só peca com algumas repetições desnecessárias do autor em alguns assuntos. No geral, excede as expectativas. Recomendo a todos que gostam do tema História ou que gostam de fugir um pouco de livros de ficção.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Resenha: Almanaque do Rock



Básico

Neste almanaque, Kid Vinil (jornalista musical e ex-membro da banda Magazine) fez um relato básico da história do Rock. Quem já está familiarizado com o tema, com certeza achará o livro em questão um tanto óbvio e repetitivo, sem maiores novidades e surpresas.


Mas trata-se de uma bibliografia indispensável aos que não são tão familiarizados assim com o assunto, ou seja os iniciantes, quando o assunto é a história e a evolução dessa vertente musical nascida nos Estados Unidos da América e que se popularizou mundo afora nas mais diferentes formas, sejam nas mais leves e populares como o rockabilly e o pop rock ou às mais pesadas e alternativas, como o heavy metal e o punk rock. 


Para mim, o único pecado do autor em relação ao livro foi a provável pressa dele em terminá-lo (tive essa nítida impressão), deixando alguns nomes relevantes do rock recente como Alanis Morissette, Roxette, Cranberries, Cardigans e Garbage (notórios ícones dos anos 90) de fora do livro. Artistas que eu particularmente aprecio e que obtiveram relativo sucesso em âmbito mundial.


Porém, mesmo com essas lacunas, recomendo a leitura do almanaque. E espero que em edições futuras, o autor faça as devidas retratações necessárias.


Abaixo, um pequeno vídeo da época do lançamento do livro: uma entrevista de Kid Vinil para o Programa de TV Pé na Porta. Aprecie.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Resenha: A descoberta do chocolate


Mediano



Quando li a sinopse de "A descoberta do chocolate" em um periódico que recebo bimestralmente da Editora Record em minha casa, achei que o livro possuía uma narrativa de grande potencial, daquelas que nos dão avidez e prazer em ler sem restrições e, por conta disso, resolvi adquiri-lo sem mais demora.

A obra de James Runcie conta a fictícia história de Diego de Godoy, um homem de origem espanhola contemporâneo da época das grandes navegações européias, que acompanha seus conterrâneos à América Central em busca de fama e fortuna instantâneas, presenciando assim todo o processo da conquista hispânica na região, caracterizada pelos famosos saques e genocídios a povos indígenas que já todos nós já conhecemos através do estudo da História em anos escolares. 

Entrando em contato com os nativos da região, em especial com uma misteriosa índia chamada Inácia, Diego acaba descobrindo o chocolate (oriundo das sementes de cacau) e todos os seus sabores, encantos e mistérios. O mais  especial deles é um elixir mágico a base de chocolate que lhe dá longa vida, assim como também ao seu cão de estimação, o galgo Pedro.

Inácia desaparece misteriosamente da vida de Diego. E em suas andanças pelo mundo afora em busca da amada,  ele resolve propagar aos quatro ventos as maravilhas do chocolate, sempre presenciando e interagindo com os mais diversos acontecimentos e personagens históricos dos últimos séculos, inclusive encontrando pelo caminho alguns personagens verídicos da História.



Porém, o livro fica só na promessa. As tramas são muito mornas e o conjunto da obra não empolga muito, tanto que uma das passagens mais interessantes que achei do  livro foi o insólito encontro do protagonista com o Marquês de Sade, em uma prisão francesa.



"A descoberta do chocolate" com certeza agradará a quem goste de História, especialmente aos que apreciam o tema das conquistas européias no continente americano. E provavelmente também comoverá os românticos de plantão, em especial os que acreditam em questões como destino e almas gêmeas.

Mas a mim, não convenceu muito. Achei apenas médio, justificando assim o título desta resenha.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Resenha: O segredo da bastarda





Uma grata surpresa

O livro de Cristina Norton, uma profícua historiadora argentina radicada em Portugal, é fruto de uma extensa pesquisa a respeito da família real portuguesa formada por, D. Maria (a louca), seu filho e sucessor, o príncipe regente D. João VI e sua consorte, a temperamental princesa de origem espanhola Carlota Joaquina.

Trata-se de do tipo livro de ficção que mistura personagens reais com personagens fictícios. Muito bem escrito (em português da terrinha), o livro tem os seus ótimos momentos e o que o torna diferenciado e especial é sua narrativa, contada através três pontos de vista distintos: o da própria autora, o de Eugénia (a bastarda em questão) e o de Nossa Senhora, mãe de Deus e madrinha de batismo da desafortunada mãe da protagonista. A princípio, os leitores poderão ficar um pouco confusos com a forma como a história é contada, assim como fiquei, mas logo saberão diferenciar quem é que conta a história no determinado momento em que lêem.

A história se passa em Portugal, na época do Brasil Colonial, quando a dinastia dos Bourbon estava no poder. Enfoca principalmente o triângulo amoroso inusitado que surgiu entre o insosso D. João, a mãe de Eugénia (uma fidalga de alta estirpe da corte) e  Carlota Joaquina, uma esposa traída vingativa e cruel, que não poupou esforços para acabar com a felicidade de seu marido e (supostamente) de sua rival, que ironicamente era uma de suas mais queridas damas de companhia.

Por conta destas situações, já é de se prever que o final da história não é muito feliz. O mesmo é frio, brusco e desesperançoso, especialmente para o vértice mais fraco do triângulo. Apesar disso, creio que muitos leitores provavelmente gostarão da obra e se afeiçoarão à protagonista, caso resolvam lê-la. Inevitavelmente se compadecerão de todo sofrimento pelo qual ela passou e que não foi fruto de sua vontade.

“O segredo da bastarda” possui uma história bastante rica, pois a autora soube, com grande maestria, reproduzir muito bem os ambientes, os personagens e os costumes da época, numa riqueza de detalhes de impressionar. Quem aprecia romances históricos como eu, ainda mais temperados com intrigas palacianas e momentos de suspense de tirar o fôlego, apreciará muito esta obra.

E é por isto que recomendo com entusiasmo a sua leitura.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Resenha: O menino do pijama listrado


Surpreendente e trágico

Confesso que fiquei chocado com o final inesperado deste livro. Chocado, mas totalmente ciente de que algo do tipo iria acontecer. Mesmo assim, passei o dia seguinte à conclusão da leitura sem conseguir dormir, pensando fixamente no acontecido.



Ouvi falar deste livro apenas neste ano e com um certo atraso. Descobri até que os estúdios Disney já fizeram um filme sobre o mesmo, que pretendo assistir em breve.

“O menino do pijama listrado”, segundo o autor, foi escrito em dois dias. Talvez isto justifique muito a sua simplicidade. O autor, mesmo escrevendo um livro para adultos, deu vida a um livro com uma linguagem muito infantilizada,apesar do protagonista ser uma criança com apenas 9 anos de idade.

Bruno, filho de um oficial do 3º Reich, vivia feliz e tranqüilo com sua família em uma grande e confortável casa na capital alemã, Berlim, até seu pai ganhar um cargo de confiança do ‘Fúria’ (ou melhor, Führer), Adolph Hitler e ser transferido para um novo domicílio nos arredores de um campo de concentração chamado por Bruno de ‘Haja-Vista’, que depois sabemos ser, na verdade, Auschwitz, na Polônia.

Completamente desinformado das coisas que acontecem ao seu redor, na Europa daquela época e das coisas que o pai faz, mesmo tendo um professor particular para si e sua irmã de 12 anos, Gretel, Bruno quer mais é curtir a sua infância, estar com amigos e parentes. Porém, na nova casa torna-se incapacitado de fazer as coisas que quer e gosta, como brincar e fazer explorações. Tudo isto, agora, faz parte de um passado já distante para ele.

Mas isso não o impede de tornar seu cotidiano menos tedioso. Intrigado com a grande cerca de ferro e arame farpado que separa a sua casa de muitas outras, onde se vê inúmeras pessoas vestindo pijamas listrados (o campo de concentração), resolve investigar as proximidades. E numa dessas andanças, conhece, próximo à cerca, um menino polonês (e judeu) da mesma idade chamado Shmuel, nascendo daí uma grande amizade, mesmo impedidos de interagir mais um com o outro por causa da cerca.

O livro de John Boyne é belíssimo, mas de antemão aviso que seu final não é feliz. Mas mesmo assim, trata-se de uma obra profundamente humana que nos convida a reflexão sobre assuntos ligados à Segunda Guerra Mundial que envolveram os povos que nela tomaram parte.

De cinco estrelas, dou apenas quatro ao livro. Profundo conhecedor de questões relacionadas a esta época, por conta de leituras e documentários que vi exaustivamente na televisão, sei que na realidade um personagem como Bruno jamais existiria, pois naquela época era costume os alemães bancarem os espartanos e separarem filhos de pais, para que estes fossem educados rigorosamente na disciplina nazista, em todas as áreas do conhecimento, pois segundo a concepção distorcida de Hitler, eles fariam parte da raça suprema e escolhida que iria repovoar a Terra, caso a Alemanha conseguisse sua intenção de dominar o mundo.

Mesmo assim, é um livro que vale a pena ser lido. Por questão de humanidade e de conhecimento. Por isso, saia um pouco da internet e o pegue para ler. Mesmo triste e realista, creio que você, leitor, apreciará.
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