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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Resenha: Procura-se um vampiro


Um novo amor para Sookie?


Procura-se um vampiro é o quarto livro das crônicas de Sookie Stackhouse, escrito por Charlaine Harris, e de longe o melhor de todos até o momento, embora eu ache que ainda falta um pouco mais de empolgação e evolução à trama, que ainda está morna.

Em Morto até o anoitecer, primeiro livro da série, conhecemos Sookie, seu dom para telepatia, encrencas e a sua nova rotina ao iniciar namoro com um vampiro suspeito, em potencial, num caso de assassinatos em série que andam acontecendo na pequena cidade onde ela e sua família vivem, Bon Temps, Louisiana, Estados Unidos.

Em Vampiros em Dallas, o segundo, vemos Sookie e seu namorado Bill Compton em uma das principais cidades do Texas às voltas com investigações sobre uma seita de fanáticos religiosos que querem a eliminação de todos os vampiros do mundo, mesmo estes tendo saído da obscuridade desde que cientistas japoneses, munidos de grande astúcia, inventaram o sangue sintético que lhes garante a sobrevivência sem que precisem matar pessoas para saciar a sede.

No terceiro livro, Clube dos Vampiros, Bill desaparece misteriosamente em uma missão secreta e cabe a Sookie encontrá-lo, mesmo que seja preciso a sua involuntária infiltração no meio de um dos principais pontos de encontro das criaturas sobrenaturais que infestam os Estados Unidos, o Club Dead, e ainda por cima com a ajuda de mutantes, duendes, um lobisomem que mexe com a sua libido (o destemido Alcide Herveaux) e o chefe de seu namorado (o sedutor e aparentemente perigoso vampiro Eric Northman).

Agora, neste quarta aventura, encontramos uma Sookie fragilizada pelos acontecimentos ocorridos no terceiro livro, em especial com o rompimento definitivo de seu namoro com Bill. É véspera de ano novo e nossa heroína está firme em novas resoluções para a sua vida que não envolvam assassinatos, espancamentos e sangue derramado ou sugado.

O que ela não esperava, entretanto, já na volta para casa da festa de ano novo em que participa no seu trabalho, era encontrar na estrada um Eric Northman completamente desnorteado, desmemoriado e nu em pêlo, para seu mais secreto deleite. Piedosa como sempre (e um pouco excitada), mesmo que seu objeto de pena (e desejo) seja uma imprevisível máquina de matar, Sookie leva Eric para a sua casa onde ele se torna seu hóspede por tempo indeterminado, pois sondando posteriormente os motivos que o levaram até ali, ela acaba descobrindo que a cabeça dele foi posta a prêmio por um perigoso clã de bruxos recém-chegados a Louisiana e que querem tomar conta do poderio sobrenatural no local, também conhecido como Área 5 e onde Eric é o xerife.

Indo contra as suas resoluções de ano novo, Sookie decide ajudar Eric a recobrar sua memória e também ajudar a comunidade sobrenatural da Área 5 a combater os indesejáveis invasores. Mas desta vez Sookie não poderá mais contar com a outrora certeira ajuda de Bill em suas aventuras, por conta do rompimento da relação entre eles e também por causa da mais nova viagem secreta de Bill, sob as ordens da Rainha Vampira da Louisiana, à América do Sul.

Outros acontecimentos que Sookie não poderia prever no decorrer da história são o súbito e misterioso desaparecimento de seu irmão Jason e os sentimentos novos que começa a nutrir por Eric. Mas não o Eric debochado, rude e frio que ela conhece e despreza, mas um Eric novo, mais amável, protetor, carinhoso e provavelmente mais verdadeiro em sua essência, que talvez jazia adormecida nele ao longo dos anos, o que é de se estranhar, já que vampiros não possuem almas.

Apesar das histórias mornas até o momento, é muito difícil não se apaixonar por Sookie e seus amigos. Talvez seja isso que ainda me mantenha preso a estes livros, sempre ansiando pelo lançamento de novos títulos da série, que nos Estados Unidos já totalizam dez.

Se você é fã, já sei que irá correndo atrás do seu. Se não é, esqueça um pouco seus preconceitos literários e procure conhecer as crônicas de Sookie, nem que seja por mera diversão.

E até a próxima resenha!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Resenha: 13 dos Melhores Contos de Vampiros


Indispensável para fãs de vampiros

Flávio Moreira da Costa reuniu em uma antologia 13 contos vampirescos que supostamente deveriam representar o que há de melhor dentro deste popular gênero de ficção narrativa, já que, desde tempos imemoriais, vampiros são assunto na literatura e nas rodas de conversas das mais diversas culturas e povos, especialmente os europeus.

Entretanto, apesar de ter gostado muito de alguns contos da obra, não há como qualificar todos eles como os melhores. Neste livro o autor resgata textos escritos em épocas e culturas diversas, frutos de movimentos culturais aparentemente sem ligação, constituindo assim uma salada de múltiplos sabores para os mais diversos paladares. O diferencial é que uma grande parte destes contos jamais havia sido publicada no Brasil, sem falar em alguns de seus autores, famosos lá fora, mas completamente desconhecidos em território nacional, como o irlandês Sheridan Le Fannu.

Por conta disso, muitos dos vampiros desta coletânea apresentam algo inédito, diferente. Destaco com louvor as criaturas que aparecem nos contos "O estranho misterioso" (de autor anônimo), "Carmilla" (do já citado Le Fannu), "Luella Miller" (Mary Eleanor Wilkins-Freeman), "A transferência" (Algernon Blackwood - guarde bem esse nome), "O quarto da torre" (Edward Frederic Benson), e "A história de Chugoro" (de Lafcadio Hearn, que possui lançada no mercado brasileiro uma boa coletânea de contos de horror japoneses chamada Kwaidan - Assombrações).

Entretanto, as maiores pérolas do livro são "O hóspede de Drácula", de Bram Stoker, que na verdade se trata de um capítulo inédito de sua obra-prima "Drácula" que, por razões desconhecidas, acabou não entrando nos originais do livro e "O Senhor de Rampling Gate", conto inédito de Anne Rice.

Mais interessado agora? Embora as tramas destes contos sejam mais sutis do que sanguinolentas, creio que este livro deixaria sua biblioteca de livros de horror bem mais interessante, até pelo caráter clássico e influente que cada uma de suas histórias carrega. Portanto, saia logo em busca do seu porque ele é um pouco difícil de ser encontrado por aí.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Resenha: Paraíso - O sorriso do vampiro


Vampiros nipônicos não costumam morder, mas...

Suehiro Maruo está de volta ao blog, desta vez com Paraíso - O sorriso do vampiro.

O periódico The Comics Journal define Maruo como um autor  que "deve ser lido por todos os que tiverem algum interesse quanto às possibilidades artísticas e literárias dos quadrinhos - desde que tenham estômago para encarar os temas abordados por ele." 

De fato, na resenha anterior que fiz sobre uma de suas obras (Ero-Guro: o Erótico Grotesco de Suehiro Maruo), isso ficou bem claro. Suas obras não são para fracos, mas em relação a essa podemos abrir uma breve exceção, já que achei mais leve que a anterior.

Os livros de Maruo são considerados verdadeiras obras de arte e a beleza de seu traço conquistou o Oriente e o Ocidente. Em "Paraiso - O Sorriso do Vampiro" Maruo cria um clima sombrio sobre o Japão. Adolescentes sedentos por violência assombram as ruas. A aristocracia libera toda sua bestialidade e depravação em festas particulares. Um menino procura desesperadamente a irmã desaparecida. Em meio a esse inferno criado por seres humanos, gangues de vampiros encontram um paraíso particular. Maruo apresenta o terror em momentos de beleza incomparável.

Leia e constate como diferem os vampiros de Maruo de seus 'parentes' ocidentais. Desprovidos de presas, mas dotados de superforça, eles precisam sangrar a vítima primeiro, com algum objeto cortante ou pontiagudo para depois servirem-se de seu sangue, nem sempre garantia de eterna beleza.

"Paraiso - O Sorriso do Vampiro" é a expressão máxima do gênio de Suehiro Maruo. Perturbador como Georges Bataille e Luis Buñuel, engenhoso como Hitchcock e Charles Burns, que são algumas de suas influências, Maruo conta uma história noir, repleta de toques expressionistas que eu recomendo aos fãs de mangás, especialmente os não-convencionais.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Resenha: O caso de Charles Dexter Ward


Cabalístico

Eis um livro recomendadíssimo para os fãs da literatura de horror. Se você ainda não conhece as obras de  H. P. Lovecraft, já é hora de fazê-lo, iniciando então com este O Caso de Charles Dexter Ward.

Trata-se de um livro não muito longo, tanto que a única edição brasileira em circulação no momento saiu pela L&PM Pocket, ótima editora especializada em livros de bolso. Mas, embora pequeno, a obra é dotada de um conteúdo poderoso que vai mexer bastante com os seus nervos.

A história do livro gira em torno da existência de um misterioso homem chamado Joseph Curwen, que viveu em Providence no século XVIII e que era possuidor de hábitos bastante estranhos e cabalísticos. Suspeitava-se, entre as pessoas da povoação, que Curwen realizava rituais satânicos ou coisas do tipo em sua fazenda, como vampirismo e canibalismo. Por conta destes boatos e do crescente número de fenômenos sobrenaturais em torno de sua morada, acabou sendo morto por populares em circunstâncias que durante séculos foram guardadas a sete chaves e esquecidas.

Porém, cerca de duzentos anos depois, um de seus descendentes diretos, o Charles Dexter Ward do título, promissor e apaixonado estudante de história de Providence, descobre por um acaso seu parentesco com o temido Curwen.  A vida do antepassado o intriga de tal forma que ele passa a investigar, por conta própria, os acontecimentos que cercaram o indivíduo e a comunidade há séculos atrás. Porém, depois de certo tempo, a vida de Charles, que outrora era promissora e feliz, muda radicalmente de rumo quando ele começa a adotar os mesmos estranhos hábitos de seu ‘ilustre’ familiar.

Para um primeiro contato com as obras de Lovecraft, este livro pode ser um pouco cansativo, pela quase inexistência de diálogos, já que se trata de um relato minucioso da vida de dois homens que se entrelaçam de tal forma que fica difícil, às vezes, distinguir quem é quem. Um livro perfeito, que prende o leitor, especialmente aquele que possui nervos de aço e que não se incomoda com mistérios e atmosferas sombrias.

Howard Phillips Lovecraft, o autor, é nascido em Providence, Rhode Island (1890-1937), interessava-se pela ciência e suas conquistas modernas e pelo ocultismo. Tão cultuado como Edgar Allan Poe, é autor de admiráveis histórias de terror e sobrenatural que influenciaram decisivamente o desenvolvimento da science fiction. Além deste O caso de Charles Dexter War, publicou, entre outros, The Tomb, The Lurking Fear, The Cream-Quest of Unknown Kadath e The Doom that Came to Sarnath. E alguns destes títulos estão disponíveis no Brasil, no idioma pátrio. Caso tenha curiosidade por eles, procure-os nas melhores livrarias ou sebos.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Resenha: O Natal de Poirot


Natal sangrento

Que data mais perfeita do que o Natal para estrear uma resenha sobre um livro da majestosa rainha do crime aqui no blog! E especialmente o seu livro mais natalino e tido como o mais 'sangrento'.

Este alerta sobre sangue é ela mesma quem faz, em uma espécie de mensagem-prefácio ao livro, dedicada ao seu cunhado:


"Meu Querido James


Você sempre foi um dos meus leitores mais fieis e bondosos e, por isso mesmo, fiquei seriamente perturbada ao receber seu comentário crítico.
Queixou-se de que meus assassinatos estariam ficando refinados demais – na verdade, anêmicos. Demonstrou, também, o desejo de “um assassinato dos bons, violento e cheio de sangue”. Um assassinato em que não houvesse dúvida de ser assassinato!
Pois esta aí a história que escrevi especialmente para você. Espero que lhe agrade.
Com todo o carinho, de sua cunhada."


É véspera de Natal. A reunião da riquíssima e poderosa família Lee é arruinada pelo barulho ensurdecedor de móveis sendo destroçados, seguido de um grito agudo e sofrido. No andar de cima, o tirânico Simeon Lee está morto, numa poça de sangue, com a garganta degolada. Mas quando Hercule Poirot, que está no vilarejo para passar o Natal com um amigo, se oferece para ajudar, depara-se com uma atmosfera não de luto, mas de suspeitas mútuas. Parece que todos tinham suas próprias razões para detestar o velho...

Isso inclui quatro de seus filhos, três cunhadas, um enfermeiro pessoal, um mordomo e uma recém-chegada e reconhecida neta do morto, que foi gerada pela sua única filha,há anos fugida de casa, junto a um aventureiro espanhol e  já falecida.

O interessante dos romances de Agatha são os personagens que nele desfilam, em especial este, todos envoltos no mais espesso véu da ambigüidade. São realmente bons ou maus? Quais suas verdadeiras intenções?

A história é basicamente esta. Não me aprofundarei mais porque acabo correndo o risco de falar mais a respeito da mesma e deixando possíveis leitores chateados com informações que estraguem a sua leitura. Afinal, mistério é mistério.

Mas confesso que diverti-me bastante com este livro. Tinha em mente ler algo mais leve e condizente com o clima natalino neste final de ano, como o fiz ano passado, lendo Cântico de Natal do Dickens, mas este ano calhou deste aparecer em minha pilha de livros por ler.

Corra então e leia o seu exemplar. Senão, terá de esperar até o próximo natal para saber quem é o assassino. E creio que isto seria algo que você não gostaria de perder, não é?

Até a próxima!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Resenha: Clube dos vampiros


Sookie adquire mais experiências e... hematomas

Inicio esta resenha fazendo uma crítica um pouco ácida a esta edição brasileira do livro. Se você não leu ainda os livros anteriores, não leia o próximo parágrafo, que está em itálico. Vá direto ao próximo depois dele, pois este em questão contém um SPOILER., uma revelação importante do livro anterior a qual com certeza você não quer saber se ainda não o leu. Por isso, não quero ser mais um dos inúmeros estraga-prazeres espalhados pela internet que ficam contando, inconsequentemente e em riquezas de detalhes, as passagens importantes e até mesmo finais de diversos livros que nem todos conhecem ainda.

Não sei se está de acordo com a editora original, mas a Benvirá (selo editorial recente do Grupo Saraiva), no afã de relacionar o livro com a série, colocou uma foto com todo o elenco de True Blood na capa, o que constitui um equívoco terrível. Mas como, se a Tara que conhecemos na série sequer aparece nos livros e seu primo Lafayette, também presente nela, já até morreu no segundo? Sei que na série ele continua vivíssimo, mas convenhamos: livro é livro e série é série. E se há algo que realmente tenho estranhado muito nas edições nacionais da série em livro é esse troca-troca de editoras. Morto Até o Anoitecer, o primeiro livro, saiu pela Ediouro. Vampiros em Dallas, o segundo, saiu pela ARX. Sabe por onde o próximo sairá se essa Benvirá não se estabelecer como a Editora definitiva dos livros de Charlaine Harris em terras brasileiras.

Mas, focando agora no livro, Clube dos vampiros é o terceiro livro de Charlaine sobre as aventuras da garçonete telepata Sookie Stackhouse e dos companheiros nada convencionais que a acompanham nessas empreitadas, como os vampiros Bill (namorado), Eric, Pam, Bubba e uma uma infinidade de outras criaturas estranhas, como mutantes e lobisomens, que cruzam seus caminhos na pequena e aparentemente pacata cidade de Bon Temps, na Louisina (EUA).

A história se inicia com fortes indícios de que a relação de Bill e Sookie não é mais a mesma, desde que se conheceram. Distante, frio, desinteressado por climas românticos, Bill anda às voltas com missões secretas que lhe foram designadas pela rainha vampira da Louisiana, tão secretas que nem mesmo Eric, seu superior imediato, sabe de suas existências. Ou talvez desconfie.

Um rompimento entre os dois então é inevitável e mesmo arrasada, Sookie tenta retomar sua vida do zero, como se isso fosse possível. Após certo tempo, recebe a visita do próprio Eric, em pessoa e de Pam, sua assistente, que lhe noticiam o desaparecimento de Bill, e interessadíssimos, claro, em  saber também o que poderia ter ocasionado esse súbito e inexplicado desaparecimento.

Ainda fiel a Bill, Sookie diz aos vampiros desconhecer os motivos que levaram ao seu desaparecimento, mas se compromete em ajudar a encontrá-lo, ainda mais quando é informada de que Bill pode estar prisioneiro nos domínios do rei vampiro do Mississipi. 

Como Eric e nem Pam, sendo vampiros de outro território não podem circular no outro Estado, resolvem designar então um novo companheiro de aventuras para a telepata, que acaba um tanto abalada em suas estruturas quando conhece o sujeito em questão.

Trata-se de Alcide Herveaux: sujeito alto, moreno, musculoso e sensual que possui as qualidades que uma donzela casadoira e aspirante a uma vida normal mais deseja em um marido, incluindo-se aí adjetivos como rico, trabalhador e supostamente honrado e honesto. Porém, no caso particular de Sookie nada em sua vida é perfeito. Mesmo livre e desimpedido no momento, Alcide, revela ser, na verdade, um lobisomem. E que deve favores a Eric.

Apresentações feitas e empatia imediata entre os novos parceiros, Alcide e Sookie dirigem-se imediatamente a Jackson, Mississipi onde o pai do jovem lobisomem possui negócios e onde Alcide também é bem conhecido no meio 'sobrenatural' do lugar. E se pretendem realmente descobrir o paradeiro de Bill, devem freqüentar o lugar mais barra pesada da cidade, o Club Dead. Mas esta missão não será nem um pouco fácil, ainda mais quando vampiros desconfiados, mutantes ciumentos e outros lobisomens, de índole vingativa, cruzam o caminho dos dois.

Mas o pior ainda está por vir quando Sookie descobrir que o que motivou Bill a deixá-la foi uma rival amorosa com cerca de dois séculos de idade...

Particularmente, acho que a série tem mantido o seu nível até aqui. Os personagens são sensuais, cativantes, mas os enredos deixam um pouco a desejar. Eu imaginava muito mais suspense e obstáculos a superar neste terceiro livro, o que não foi o caso. Tudo se resolveu tão facilmente.

Mesmo assim, acredito que os próximos volumes trarão novo frescor à série e talvez uma maior maturidade literária da autora, já que criatividade não lhe falta. Este, em particular, foi uma espécie de divisor de águas, porque agora Sookie está praticamente livre e desimpedida nas questões do amor e possui três magníficos pretendentes a seus pés, embora um deles tenha perdido completamente a sua confiança. Vamos ver então o que nos reserva a série num futuro próximo.

Até o próximo então!

Resenha: A marca de uma lágrima


O amor pode estar bem ao seu lado (preste atenção)

Adolescente que se acha feia, gorda, dona de um intelecto brilhante que se apaixona pelo menino mais bonito da escola que está na verdade interessado em sua melhor amiga, lindíssima e sem conteúdo. Parece até enredo de novela mexicana, não é?

Na verdade não. Trata-se de uma adaptação do francês Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand. A diferença com o original é que nele temos um exímio espadachim e poeta que é apaixonado por sua prima e vendo que ela  corresponde a seu melhor amigo, faz de tudo para ajudá-lo a conquistá-la. Não tem coragem de fazê-lo por causa de seu avantajado nariz.

Nunca li Cyrano, mas talvez um dia eu o faça. Só sei que este livro de Pedro Bandeira foi um dos que mais marcaram a minha adolescência, especificamente aos 14 anos de idade, a mesma de Isabel, a protagonista.

Isabel, como disse anteriormente, é genial, do tipo a melhor aluna da classe, especialmente em língua portuguesa, sua disciplina favorita. Escritora praticamente nata, seu passatempo preferido é dar asas à sua imaginação e escrever as mais belas poesias típicas de sua idade, que refletem seus anseios, medos, aflições e desejos, já que é filha de pais separados e seu convívio com a mãe não é dos melhores, pois esta vive com enxaqueca desde que o marido a largou por outra mulher.

No livro, estamos em mais um começo de ano letivo que prometia ser normal para Isabel, tirando o divórcio dos pais. O que ela não esperava (e acho que ninguém espera) era a chegada do primeiro amor, na pessoa de um primo distante que não via desde a infância, chamado Cristiano.  Filho único da tia Adelaide (irmã de sua mãe que vive de mudanças), Cristiano é a personificação da beleza perfeita, aos olhos de Isabel, isenta de quaisquer defeitos. 

A empatia entre os dois, a nível de amizade, é imediata. Porém, para a frustração de Isabel, Cristiano demonstra ter interesses românticos por sua melhor amiga, a bonitona porém simplória Rosana. Incapaz de manter um romance com o primo, por conta da baixa auto-estima e também por lealdade à melhor amiga, resolve ajudar esta a conquistar seu primo, escrevendo cartas e poesias de amor que Rosana assina como se fossem de sua autoria. E o que Isabel jamais imaginaria era que o seu trabalho se tornaria um diferencial na paixão entre os dois jovens.

Triste, Isabel pensa em morrer. Pais separados, amor não correspondido, aparência horrenda (que seu pior inimigo, o Espelho do Banheiro não cansa de apontar em detalhes sádicos), nada mais em sua vida tem sentido. E o que não andava bem acaba piorando quando, involuntariamente, acaba tornando-se testemunha de um crime em sua própria escola. Envenenada com cianureto (como descobriremos depois), a diretora da escola acaba sendo encontrada morta por Isabel e seu colega Fernando em seu gabinete.

Histórias mal-explicadas com relação ao assassinato, evidências, uma maior proximidade com Fernando e a adrenalina fazem com que Isabel esqueça por alguns momentos a vontade de morrer. A partir desse momento, tudo o que tem de fazer é evitar de ser morta, pois o assassino está em seu encalço.

Romance aliado ao suspense tornam A Marca de Uma Lágrima um livro bastante inesquecível. Afinal, quem um dia não foi um adolescente que se sentiu deslocado no mundo, que amou sem ser correspondido ou que até mesmo presenciou um assassinato? Hehehe! Brincadeiras à parte, é realmente difícil alguém ter presenciado uma morte tão trágica, mas as demais dores do adolescer e crescer já foram nossas um dia.

Recomendo este livro a todos. Aos saudosistas da juventude e principalmente aos jovens de agora. Enquanto muitos de vocês perdem seu precioso tempo focando em um amor impossível, de sonhos e devaneios, podem descobrir, com Isabel e com este livro, que ele pode estar bem ao seu lado, o tempo todo, bastando para isso prestar um pouco mais de atenção à própria vida. E que muitas de nossas inseguranças, especialmente aquelas relacionadas com uma baixa auto-estima, muitas vezes, são apenas coisas de nossa cabeça, valores deturpados que erroneamente enraizamos em nossos corações.

Eu, sempre que tenho vontade, releio esse livro e me sinto bem. Façam como eu.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Resenha: Livros de Sangue 1



Sangue, horror, escatologia e sexo


Já leu ou ouviu falar a respeito de Clive Barker? Se sua resposta for negativa, você precisa conhecê-lo imediatamente.


Nos anos 80, este escritor e cineasta inglês ganhou notoriedade por criar um estilo próprio de terror. Além da farta quantidade de sangue e cadáveres, ele empregava em suas histórias ingredientes como o sadomasoquismo e a escatologia. Exemplo disso é seu trabalho mais bem-sucedido como diretor de cinema, Hellraiser (1987), que acrescentou à galeria do horror classe B uma criatura que tinha o rosto crivado de pregos – o demoníaco Pinhead.

Hoje, no Pérolas da Compulsão conheceremos o primeiro volume de uma série de livros de contos bem-sucedida de Clive, os chamados Livros de Sangue. No total de seis volumes, estas obras possuem contos que incomodam, que são desconfortáveis e que enjoam o estômago do leitor antes mesmo de os amedrontarem. Fora Poe, Lovecraft e King (que muito elogia Barker), poucos autores do gênero "terror" conseguiram ter esse efeito duradouro ao longo dos últimos anos, pois as histórias destes livros permanecem em nossa mente durante muito tempo após terem sido lidos, pois Barker nos surpreende com novas nuances de maldades e terrores inéditos e inimagináveis, pois parece entender bem o medo e o mistério. O sexo também é bastante freqüente em suas obras, podendo deixar alguns leitores mais puritanos desconfortáveis.

Este primeiro volume de Livros de Sangue conta com seis contos. O primeiro dele, “O Livro de Sangue”, que se passa em uma casa com fama de assombrada, é curto e basicamente explica o título das obras. Funciona como uma espécie de introdução ao que está por vir.

"O Trem de Carne da Meia-Noite", o segundo conto, é o maior e um dos melhores da obra. Trata-se da história de um homenzinho comum, com uma rotina monótona e sem graça, que vê sua vida virar de cabeça para baixo no dia em que encontra em seu caminho um assassino em série que ataca suas vítimas no metrô e que possui um propósito macabro para justificar estes crimes. 

“O Yattering e Jack”, o terceiro conto, é particularmente o meu favorito do livro. Com doses generosas de humor negro, narra as desventuras de um sujeito às voltas com um pequeno demônio entocado dentro de sua própria casa, que insiste em perturbar a sua vida a fim de roubar-lhe a alma, porém, sem sucesso. Em meio a inúmeras sabotagens e destruições do imóvel, resistências de ambos os lados, fingimentos e teimosias, uma verdadeira batalha sem precedentes entre bem e o mal é vista neste conto. Que lado vencerá?

O quarto conto, “Blues do Sangue de Porco” se passa em um reformatório de rapazes infratores que recebe um novo professor de marcenaria, com tendências suspeitas. O que o professor não contava era que, por trás da fachada de instituição séria, forças terríveis estavam à sua espreita, especificamente na fazendinha de animais anexa ao local.

O quinto conto, “Sexo, morte e luz das estrelas”, é um dos mais profundos do livro. Recheado de divagações filosóficas e demais questionamentos, ele conduz o leitor a um clímax que o faz pensar a respeito de seu próprio destino, talvez em um futuro próximo e sobre este eu não entrarei em mais detalhes, para não estragar a surpresa.

Um casal de gays em crise de relacionamento e viajando pela Europa Oriental passa por sérios apuros em “Nas colinas, as cidades”, o conto que fecha o livro. De longe o mais surreal e fictício de todos. E na minha opinião um pouquinho complicado de se entender.

Livros de Sangue 1 não chega a ser excelente, mas 80% do seu teor é muito bom. A maior prova disto é que este primeiro volume é praticamente raro nas livrarias hoje em dia, mas podem ser encontrados ainda com certa facilidade em sebos. E se você ficou curioso, corra logo e adquira o seu, pois vale a pena conhecer as coisas que Barker escreve.

Até a próxima! 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Resenha: Vampiros em Dallas


Vampiros em Dallas é o segundo dos livros da série de Charlaine Harris dedicados às aventuras da garçonete telepata Sookie Stackhouse e de seus amigos sobrenaturais, residentes do Estado da Louisiana, nos Estados Unidos. Os mesmos, como já se sabe, serviram de inspiração ao produtor Alan Ball para criar a consagrada série de TV do canal HBO chamada “True Blood”.

No primeiro livro da série, já resenhado aqui no blog, conhecemos as origens de Sookie, sua família, o cotidiano de sua cidade natal Bon Temps, abalado pela ação de um assassino em série e, claro, seu inusitado dom de ler os pensamentos das pessoas, que parecia-lhe mais uma maldição até a chegada do estranho e fascinante vampiro Bill Compton à cidade.

Neste segundo volume, Sookie e Bill já assumem um relacionamento a dois, mesmo com a estranheza e o preconceito das pessoas ao redor. A vida dos dois, mesmo com estas adversidades, poderia estar fadada à calma completa se não fossem o misterioso assassinato de um amigo de Sookie (com direito à cadáver encontrado em circunstâncias esdrúxulas), o surgimento de uma criatura sobrenatural dos tempos mitológicos nos bosques de Bon Temps e a convocação de Bill e sua amada por Eric, o xerife vampiro da Louisiana, para uma perigosa missão na cidade de Dallas, no Texas.

A missão consiste em encontrar um vampiro do alto escalão daquela cidade, que foi aparentemente seqüestrado e cujo paradeiro é completamente ignorado pelos demais. O que Sookie e Bill não contavam era o fato do mesmo estar em poder de uma seita religiosa anti-vampiros, disposta a tudo para destruir todos os sugadores de sangue da face da terra, mesmo que eles se encontrem em situação legal em dias atuais.

Eu particularmente achei esse volume mais fraco em relação ao primeiro, mas quem busca diversão e entretenimento, Vampiros em Dallas pode ser classificado como boa diversão.

De tudo o leitor encontrará nesse livro além de vampiros. Nele, tomamos mais conhecimento a respeito de outras criaturas fantásticas que fazem parte do cotidiano e da realidade de Sookie, como mutantes, lobisomens e até mesmo seres humanos que demonstram ser assassinos frios e cruéis, escondendo-se por trás da fachada de cidadãos perfeitos da pequena Bom Temps.

Em breve, a resenha do terceiro livro, O Clube dos Vampiros.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Resenha: A morte tem sete herdeiros


A noite em que Agatha Christie visitou Jacuruçunga

Imagine um livro em que só pelo título já o idealizamos recheado de mistérios, mortes terríveis e situações de suspense que beiram a angústia. E logo depois que o lemos, acabamos descobrindo que o mesmo não era nada daquilo que aparentava ser antes e que, involuntariamente, acabamos mesmo foi rindo de sua trama, do início ao fim e até não poder mais.

Este é o caso de “A morte possui sete herdeiros” (ou A noite em que Agatha Christie visitou Jacuruçunga), de Stella Carr e Ganymedes José. O mesmo é o resultado da união feliz de dois autores distintos que legaram ao mundo literário infanto-juvenil uma verdadeira obra-prima do suspense e do nonsense, cheia de mistérios, mas com situações surreais que beiram o absurdo, o engraçado e fazem com que o leitor ria compulsivamente enquanto está avançando as páginas da obra.

O livro gira em torno de Rogério Matta Leitão, um riquíssimo fazendeiro de uma cidade fictícia do interior do Brasil que não teve filhos em seu casamento com sua amada esposa, Sabina, mas que por conta de laços de parentesco acabou acumulando durante sua vida sete indesejados sobrinhos, cada um mais irritante e cretino do que o outro, salva uma única exceção que o leitor descobrirá ao ler.

Rogério, viúvo já há muitos anos, bate as botas subitamente. E com isso, os ambiciosos parentes esperam herdar muito com a sua morte. Porém, o que não esperavam era a existência de uma estranha cláusula do testamento: todos, sem exceções, deverão pernoitar no casarão (supostamente mal-assombrado) da família em que Rogério vivia, na noite anterior à leitura do testamento.

O que ninguém esperava (incluindo-se aí alguns amigos próximos de Rogério, sua suposta amante caolha, os cônjuges esquisitos de alguns sobrinhos e a empregada da família) era que uma série de assassinatos começasse a acontecer noite a dentro, sendo os herdeiros os potenciais alvos da sanha assassina de alguém que está entre eles, eliminando um atrás do outro e todos por meio de crimes absurdos que beiram o ridículo.

Quem seria o assassino? Qual a sua motivação? Qual das sobrinhas vendia uísque falsificado do Paraguai? Qual dos sobrinhos posava de rico, mas comia carne de cachorro desidratada para não passar fome? Onde estaria o valiosíssimo anel de diamantes de vários quilates de Tia Sabina? Quem é o misterioso vulto que anda com a bengala que pertenceu a Tio Rogério pela casa e ainda por cima vestido de Carmem Miranda? E Agatha Christie, a dama do crime, realmente participa da história?

Participa. Mas não teria a menor graça se eu contasse aqui como e por que, não é?

Ficaram curiosos? Corram logo então atrás deste livro, uma sátira muito gostosa aos livros policiais ingleses. A leitura dele será tão prazerosa, prendendo-lhes tanto a atenção que duvido que muitos de você não consigam lê-lo em apenas um único dia. É batata!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Resenha: Morto Até o Anoitecer


Este é apenas o início de uma fascinante jornada entre vampiros

Não é nenhuma novidade para um grande número de pessoas que os livros da escritora norte-americana Charlaine Harris, da série “Crônicas de Sookie Stackhouse” são a fonte de inspiração do produtor norte-americano Alan Ball para a criação de sua mais recente e bem-sucedida série de TV chamada “True Blood”, êxito de público e de crítica no mundo inteiro.

“Morto até o anoitecer” é o primeiro desta série de, até o momento, nove livros da autora, com três deles oficialmente lançados no Brasil. O mesmo narra o início das aventuras de Sookie Stackhouse, uma garçonete aparentemente simplória que mora em uma pequena cidade no norte do Estado da Louisiana, nos Estados Unidos e que se chama Bon Temps.

A Louisiana, por sinal, parece ser o berço das esquisitices em todos os Estados Unidos e já foi bastante retratada em livros de uma consagrada conterrânea de Charlaine, a escritora Anne Rice, cujo livro mais conhecido é “Entrevista com Vampiro”.

E vampiros, assim como nos livros de Rice, são seres que participam assiduamente dos livros de Charlaine. No universo da autora, eles e os seres humanos coexistem em um mundo atual aparentemente em paz. Tidos outrora como monstros e assassinos sanguinários, os vampiros agora gozam da liberdade de ir e vir entre os mortais graças à astúcia de cientistas japoneses que inventaram o sangue sintético para saciar-lhes a fome (o chamado True Blood), sem que seja necessária então a matança indiscriminada de humanos inocentes por eles quando sentem a inevitável vontade de se alimentar.

Este livro marca o encontro de Sookie com seu primeiro vampiro, o misterioso Bill Compton. E Sookie, soube, desde este primeiro contato que Bill é um vampiro, por conta de um misterioso dom que possui, que nasceu com ela e que esconde de todos os que não lhe são íntimos: a telepatia, que lhe possibilita ler, nem sempre com muita clareza, o pensamento das pessoas. Porém, com Bill é diferente: ela não consegue ler o que ele pensa, fato que a deixa imersa em um misto de intriga, curiosidade e fascinação.

A chegada de Bill à cidade onde nasceu há quase duzentos anos atrás não é muito bem tranqüila, pois no rastro dela acontecem mortes misteriosas que são logo atribuídas a vampiros que supostamente não estão nem um pouco interessados em manter trégua com os humanos, tornando então o próprio Bill um dos suspeitos em potencial dos óbitos das vítimas, todas elas mulheres. Ajudado então por Sookie, que inevitável e gradualmente se apaixona por ele, Bill resolve provar a sua inocência, já que é de sua natureza e vontade viver pacificamente entre as pessoas comuns.

Para os que apreciam a série de TV, “Morto até o anoitecer” praticamente equivale à primeira temporada da série, com a exceção de algumas situações não muito importantes e de da presença de alguns personagens que aparecem na produção televisiva, como a melhor amiga de Sookie, Tara e sua mãe alcoólatra Lettie Mae, que provavelmente não funcionariam bem no livro.

Ausências à parte, cada página lida é uma verdadeira viagem. E quem gosta de livros sobre vampiros em particular, apreciará com certeza a leitura deste livro e dos demais da série, que conforme evoluem, ganham mais elogios entre seus leitores e a crítica especializada.

E é claro que eu a acompanharei também. Portanto, não percam aqui no blog as cenas dos próximos capítulos. Aliás, dos próximos livros.
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