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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Resenha: Clube dos vampiros


Sookie adquire mais experiências e... hematomas

Inicio esta resenha fazendo uma crítica um pouco ácida a esta edição brasileira do livro. Se você não leu ainda os livros anteriores, não leia o próximo parágrafo, que está em itálico. Vá direto ao próximo depois dele, pois este em questão contém um SPOILER., uma revelação importante do livro anterior a qual com certeza você não quer saber se ainda não o leu. Por isso, não quero ser mais um dos inúmeros estraga-prazeres espalhados pela internet que ficam contando, inconsequentemente e em riquezas de detalhes, as passagens importantes e até mesmo finais de diversos livros que nem todos conhecem ainda.

Não sei se está de acordo com a editora original, mas a Benvirá (selo editorial recente do Grupo Saraiva), no afã de relacionar o livro com a série, colocou uma foto com todo o elenco de True Blood na capa, o que constitui um equívoco terrível. Mas como, se a Tara que conhecemos na série sequer aparece nos livros e seu primo Lafayette, também presente nela, já até morreu no segundo? Sei que na série ele continua vivíssimo, mas convenhamos: livro é livro e série é série. E se há algo que realmente tenho estranhado muito nas edições nacionais da série em livro é esse troca-troca de editoras. Morto Até o Anoitecer, o primeiro livro, saiu pela Ediouro. Vampiros em Dallas, o segundo, saiu pela ARX. Sabe por onde o próximo sairá se essa Benvirá não se estabelecer como a Editora definitiva dos livros de Charlaine Harris em terras brasileiras.

Mas, focando agora no livro, Clube dos vampiros é o terceiro livro de Charlaine sobre as aventuras da garçonete telepata Sookie Stackhouse e dos companheiros nada convencionais que a acompanham nessas empreitadas, como os vampiros Bill (namorado), Eric, Pam, Bubba e uma uma infinidade de outras criaturas estranhas, como mutantes e lobisomens, que cruzam seus caminhos na pequena e aparentemente pacata cidade de Bon Temps, na Louisina (EUA).

A história se inicia com fortes indícios de que a relação de Bill e Sookie não é mais a mesma, desde que se conheceram. Distante, frio, desinteressado por climas românticos, Bill anda às voltas com missões secretas que lhe foram designadas pela rainha vampira da Louisiana, tão secretas que nem mesmo Eric, seu superior imediato, sabe de suas existências. Ou talvez desconfie.

Um rompimento entre os dois então é inevitável e mesmo arrasada, Sookie tenta retomar sua vida do zero, como se isso fosse possível. Após certo tempo, recebe a visita do próprio Eric, em pessoa e de Pam, sua assistente, que lhe noticiam o desaparecimento de Bill, e interessadíssimos, claro, em  saber também o que poderia ter ocasionado esse súbito e inexplicado desaparecimento.

Ainda fiel a Bill, Sookie diz aos vampiros desconhecer os motivos que levaram ao seu desaparecimento, mas se compromete em ajudar a encontrá-lo, ainda mais quando é informada de que Bill pode estar prisioneiro nos domínios do rei vampiro do Mississipi. 

Como Eric e nem Pam, sendo vampiros de outro território não podem circular no outro Estado, resolvem designar então um novo companheiro de aventuras para a telepata, que acaba um tanto abalada em suas estruturas quando conhece o sujeito em questão.

Trata-se de Alcide Herveaux: sujeito alto, moreno, musculoso e sensual que possui as qualidades que uma donzela casadoira e aspirante a uma vida normal mais deseja em um marido, incluindo-se aí adjetivos como rico, trabalhador e supostamente honrado e honesto. Porém, no caso particular de Sookie nada em sua vida é perfeito. Mesmo livre e desimpedido no momento, Alcide, revela ser, na verdade, um lobisomem. E que deve favores a Eric.

Apresentações feitas e empatia imediata entre os novos parceiros, Alcide e Sookie dirigem-se imediatamente a Jackson, Mississipi onde o pai do jovem lobisomem possui negócios e onde Alcide também é bem conhecido no meio 'sobrenatural' do lugar. E se pretendem realmente descobrir o paradeiro de Bill, devem freqüentar o lugar mais barra pesada da cidade, o Club Dead. Mas esta missão não será nem um pouco fácil, ainda mais quando vampiros desconfiados, mutantes ciumentos e outros lobisomens, de índole vingativa, cruzam o caminho dos dois.

Mas o pior ainda está por vir quando Sookie descobrir que o que motivou Bill a deixá-la foi uma rival amorosa com cerca de dois séculos de idade...

Particularmente, acho que a série tem mantido o seu nível até aqui. Os personagens são sensuais, cativantes, mas os enredos deixam um pouco a desejar. Eu imaginava muito mais suspense e obstáculos a superar neste terceiro livro, o que não foi o caso. Tudo se resolveu tão facilmente.

Mesmo assim, acredito que os próximos volumes trarão novo frescor à série e talvez uma maior maturidade literária da autora, já que criatividade não lhe falta. Este, em particular, foi uma espécie de divisor de águas, porque agora Sookie está praticamente livre e desimpedida nas questões do amor e possui três magníficos pretendentes a seus pés, embora um deles tenha perdido completamente a sua confiança. Vamos ver então o que nos reserva a série num futuro próximo.

Até o próximo então!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Resenha: Fome de Loba


Lobisomens à solta

A literatura fantástica, voltada ao sobrenatural, é uma realidade em nossos dias. Nas livrarias de todo país e de todo o mundo surgem cada vez mais novos autores e novas publicações dispostos a tornar o tema inesgotável entre o público leitor, especialmente os mais jovens, por serem ávidos pelo estilo, menos exigentes com o que lêem e pouco propensos a preconceitos literários.

Após lidar ultimamente com uma horda inteira de vampiros (os mais comuns seres sobrenaturais da literatura atual), resolvi encarar desta vez os lobisomens, neste “Fome de Loba”, o primeiro livro da canadense Kelley Armstrong.

Sua estréia, entretanto, não poderia ter sido a mais sem graça possível no mundo da literatura. Embora com ingredientes e argumentos que poderiam ter resultado em um livro brilhante, este deixou bastante a desejar, especialmente pela sua previsibilidade e situações manjadas.

A história da obra gira em torno da bela e atormentada Elena Michaels, único exemplar feminino de lobisomem no mundo. Quando criança, sofreu um acidente de carro que a deixou órfã e, criada por uma família que mais tarde a abandonaria, ela viu sua vida se modificar por completo após ser mordida por um namorado, o imprevisível Clay.

Após o fato, sobreviveu inexplicavelmente à mordida, ao contrário de muitas de suas antecessoras, que jamais resistiram à metamorfose lupina e por isso, acabou sendo adotada pelo grupo de homens-lobo do qual o próprio Clay fazia parte, um grupo fechado e cheio de regras cujos principais preceitos consistem na preservação da espécie, no controle monitorado dos "desgarrados" (os que não pertencem ao Bando), na proteção dos demais lobisomens e do território e no principal deles, a determinação de não matar por prazer e não interferindo na vida humana.

Kelley Armstrong, portanto, conferiu aos lobisomens, seres fantásticos que alimentaram lendas e histórias na cultura de vários povos uma história, moral e sentimentos, a exemplo do que a escritora Anne Rice faz com os vampiros. A autora, porém, foge de estereótipos e cria uma trama de suspense que explica os códigos de conduta, regras e conflitos de identidade dessas criaturas, a partir da experiência pessoal da protagonista.

Os lobisomens com os quais Elena interage possuem força física e habilidades impressionantes: são capazes de matar um homem com apenas um golpe e podem perceber a presença de um intruso pelo olfato mesmo a quilômetros de distância. Elena, que no Bando tinha a função de controlar os "desgarrados", a fim de impedi-los de ameaçar a segurança dos demais, é convocada por Jeremy, o alfa do grupo, um ano depois de tentar viver entre os humanos. Ele precisa da ajuda dela para entender os mais recentes acontecimentos misteriosos em Stonehaven, a propriedade isolada nos arredores de Nova York e sede do Bando, que podem colocá-los numa situação de perigo. O apelo fará com que a protagonista enfrente não apenas o atentado às normas, mas também sua própria decisão de identidade, pois Elena, mulher inteligente e segura de si, decidiu há alguns anos atrás viver como humana, o que implicou na tentativa de sufocar seus instintos animais. Vive em Toronto, no Canadá, trabalha como jornalista e namora o arquiteto Philip, com quem divide o apartamento e do qual tenta esconder seu segredo, mesmo que isto implique em um estranho hábito de sumir uma vez por semana, na madrugada, para "correr", o que no código lobisomem significa completar uma metamorfose e matar algum animal.

Como o leitor do blog pode perceber, o livro possui um enredo de grande potencial à primeira vista, mas, no entanto, o mesmo não me agradou conforme eu ia avançando em suas páginas, talvez pelo fato da heroína, aparentemente segura de si, demonstrar ser, no fundo, uma mulher submissa, emocionalmente instável e insegura, mudando toda hora as suas vontades e suas opiniões, em especial a respeito de sua relação afetiva com Clay, que achei um grandíssimo chato de galochas que fica fazendo o tempo todo a linha rebelde sem causa.

A trama, portanto, é morna e sem maiores surpresas, lembrando muito os filmes policiais que vemos exaustivamente na TV porque basicamente este “Fome de Loba” enfoca um confronto entre duas gangues rivais, uma de “lobisomens bonzinhos” e outra de lobisomens malvados.

E é isto. Apesar de elementos criativos bem promissores, a história no fundo é fraca e banal, do tipo esquecível após a leitura. Portanto, se você quiser correr o risco de lê-la, fica então um último conselho: empreste-a de alguém, pois um possível investimento financeiro em um livro como este não vale tanto a pena assim. Relato isto de experiência.
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