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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Resenha: Freddie Mercury



Singelo relato de amor

Sem maiores alardes na imprensa mundial, no dia 04 de janeiro de 2010, Jim Hutton deu seu último sopro de vida em terras irlandesas. Tinha apenas 60 anos de idade.

Jim era uma pessoa comum como muitas outras da classe operária inglesa. Trabalhava regularmente como barbeiro em um hotel, fazia alguns bicos aqui e ali pela cidade de Londres e nas horas de folga, costumava freqüentar um clube gay londrino da moda com alguns amigos que eram homossexuais como ele. Sua vida mudou então no dia em que Freddie Mercury cruzou o seu caminho, sem ser anunciado.

Apesar de uma certa resistência inicial da parte de Jim, em pouco tempo ele e Freddie engataram um romance. E foi um amor tão bonito (mesmo com alguns momentos de dúvida em que quase se separaram de vez), que acabou durando até a morte de Freddie, em 1991. 

Os últimos anos da vida de Freddie Mercury são contados, então, por Jim Hutton (com a supervisão do escritor e jornalista inglês Tim Wapshott), neste livro. Relatado com simplicidade e sem meias palavras, a obra desvenda o universo íntimo do cantor, os bastidores do Queen (a consagrada banda de Freddie) e a paixão de um homem simples por um grande, reluzente e ofuscante astro do rock. Não se trata de uma biografia completa de Freddie, mas um relato detalhado do relacionamento de Jim e Freddie, sob a ótica do primeiro, de uma forma até bem simplória e mal escrita em alguns momentos. 

O livro mostra alguns momentos polêmicos da vida dos dois, como o consumo de drogas por parte de Freddie, as "puladas de cerca" ocasionais que este dava com outros parceiros sexuais e a vida desregrada que vivia em algumas fases "negras" de sua vida. Porém, também encontramos momentos singelos do casal, como as horas destinadas aos gatos que criavam juntos como se fossem filhos, ao lago de carpas japonesas que planejaram e construíram de comum acordo e principalmente ao jardim da casa em que viviam, cuidado com zelo e esmero pelo próprio Jim, que amava plantas e flores. O livro possui também algumas passagens bem engraçadas, como por exemplo alguns eventos insólitos ocorridos durante as gravações do videoclipe da canção "The Great Pretender", da carreira solo de Freddie, onde este aprontou muitas brincadeiras com os envolvidos na produção. E há, claro e inevitavelmente, os momentos tristes, especialmente aquele em quando Freddie descobre ser portador do HIV e alguns que antecederam o seu falecimento.

Brian May, guitarrista do Queen definiu Jim Hutton da seguinte forma, na ocasião de sua morte no início de 2010: "Jim era uma alma calma e gentil, impressionado e fracamente animado com as maquinações da fama, rock and roll, e do Queen, e que assim proporcionou ao Freddie uma visão agradável e diferente da vida." Portanto, se você acha que este livro  se trata de um potencial caça-níqueis ou uma clara demonstração de oportunismo da parte de Hutton, lembre-se das palavras de May se resolver um dia lê-lo.

Para os fãs de Queen e de Freddie, este livro é item obrigatório, mesmo sendo sentimental e meloso em algumas de suas passagens e tendo, em sua versão brasileira, os (argh!) chatos e desnecessários depoimentos dos fãs ao término de cada capítulo, descaracterizando um pouco a obra. E para quem não é fã, vale como uma fonte valiosa de informações sobre a intimidade de um dos maiores artistas do século XX. Recomendo, mesmo com algumas ressalvas.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Resenha: Fup



"Fup? Mas que diabos é Fup?"

Foi essa pergunta carregada de incredulidade e sarcasmo que fiz a mim mesmo quando soube, via amigos da internet, da existência desse livro de título tão estranho que trazia a figura de um pato na capa.

Seria um manual para criadores de aves ou alguma história infantil sobre uma fazenda de animais? Curioso e estupefato, ainda mais com os elogios dos amigos à história, resolvi adquirir o livro para tirar minhas próprias conclusões. E não é que adorei?

A história de Fup, do escritor americano Jim Dodge, se passa na primavera de 1977, relatando o cotidiano um tanto bizarro e poético de quatro personagens de personalidades distintas cujas vidas se entrelaçam de tal forma que é impossível não ficar alheio ao destino deles. Eles são Jake, um avô ranzinza que se julga imortal por conta de um elixir alcoólico que fabrica; Miúdo, seu neto órfão obcecado em construir cercas, Fup, uma pata obesa e geniosa surgida do nada e sem qualquer aptidão para voar e Cerra-dente, um destemido e perigoso porco-do-mato cuja principal atividade é destruir as cercas construídas por Miúdo.

A ligação entre Fup e Cerra-Dente e entre Miúdo e seu avô mostram o quão gradual é o aprendizado da liberdade. A forma com que Dodge explora a metáfora da cercas de Miúdo para falar do quanto é importante a liberdade na vida das pessoas realmente impressiona. E faz o leitor pensar que, assim como Miúdo, muitas pessoas passam grande parte de sua vida vidas construindo cercas em torno de si para se sentirem seguras, quando o certo seria destruir estas cercas para se libertar de amarras que nos são impostas pelas urgências e pelo marasmo do cotidiano.

Fup é uma leitura gostosa, prazerosa. Sua narrativa e seus personagens são bem construídos, como pouco se vê por aí, em um mundo apinhado de best-sellers sem graça. E acho melhor não revelar muitos detalhes da história para que você, futuro leitor, investigue a fundo esse livro inusitado e belo.

Portanto, se você quer fugir um pouco do convencional e se acha que sua vida precisa de um impulso, leia Fup. Esse livro, de caráter edificante, é um verdadeiro achado, embora ninguém dê nada pelo mesmo à primeira vista (como eu o fiz).

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Nossa Língua (VIII)


Mais curiosidades sobre algumas palavras da língua portuguesa


Ano-novo
Você sabia que a palavra Ano-novo pode significar duas coisas: a primeira delas é que pode ser sinônima de “Réveillon”, ou seja, o primeiro dia do ano. Para esse caso, escreve-se com hífen “Ano-novo”. O segundo significado é novo ano, ou seja, o ano que será transcorrido após o Réveillon. Para esse caso, escreve-se sem hífen!

Através de
A expressão ”através de” devia ser evitada como sinônimo de "por meio de, por intermédio de", uma vez que a maior parte dos dicionários não registraria a locução com este sentido. No entanto, o novo Dicionário Aurélio Século XXI (1999) já registra esta locução com o sentido de "por intermédio de", pois é uma expressão tão corrente e usual na língua que os próprios usuários modificaram seu sentido, cristalizando-o mesmo nos dicionários.

Como escrever horas?
O correto é 2h30min (abreviado) ou 2 horas e 30 minutos.
Escreva sempre meio dia e meia.
Use crase diante das expressões de tempo formadas por palavras femininas: Às 2h – à meia-noite – à tarde – à noite etc.

Religamento ou Religação?
Podemos usar as duas formas, dependendo do contexto, é claro!
Utilizamos Religamento como expressão masculina:
Ex.: Providenciarei o religamento de seu aparelho ainda hoje.
Usamos Religação como expressão feminina:
Ex.: Providenciarei a religação da sua internet amanhã.

Ância X ânsia
O certo é ânsia. Mesmo se a terminação “ância” normalmente é com “c”, como em constância, discordância, elegância etc.

Cabelereiro X cabeleireiro
O certo é cabeleireiro, porque a palavra primitiva é cabeleira, e não cabelo.

Quota X cota
Uma quantia determinada pode ser denominada cota ou quota. As duas formas estão corretas.

Acidímetro
Você sabia que há um instrumento para medir o grau de acidez de um líquido? Chama-se acidímetro.

Cachorro-quente X cachorro quente
Se estivermos nos referindo ao sanduíche temos que usar o hífen. Caso contrário estaremos comentando a temperatura do cachorro, cachorro mesmo!

Baragnose
“Ele sofre de baragnose.” Ou seja, é incapaz de sentir o peso dos objetos, de compará-lo com o de outros.

Bem-me-quer, malmequer
É assim mesmo. Bem-me-quer se escreve com hífens e malmequer se escreve tudo junto.

Baton X batom
Batom é a versão aportuguesada da palavra baton, em francês, portanto, está correta. As duas formas são usadas no Brasil.

Acedente X acidente
As duas palavras estão corretas. Acedente significa aquele que acede, ou seja, aquele que concorda. Acidente significa acontecimento imprevisto.

Chamarisco X chamariz
As duas palavras estão corretas e têm o mesmo sentido. Significam aquilo que chama, que atrai.

Aja X haja
Aja é uma forma do verbo agir e haja, do verbo haver. Observe o exemplo para não confundir mais: Aja com atenção para que não haja novos acidentes.

Algures X Alhures
Estes dois advérbios de lugar são pouco usados. Mas algures quer dizer "em algum lugar". Já alhures significa "em outro lugar".

Além-mar X Além mar
Além pede sempre o hífen: além-mar, além-fronteiras etc. 

O alface X A alface
Alface é substantivo feminino. Diga: "a alface está muito tenra". 

Se acaso X Se caso
Com a conjunção se, deve-se utilizar acaso, e nunca caso. O certo: "Se acaso o Brasil for campeão, eu vou...". Mas podemos dizer: "Caso o Brasil seja campeão, eu vou...". 

A princípio X Em princípio
A princípio significa inicialmente, antes de mais nada: Ex: "a princípio, gostaria de dizer que estou bem". Em princípio quer dizer em tese. Ex: "em princípio, todos concordaram com minha sugestão".

À medida que X Na medida em que
As duas expressões existem: À medida que significa à proporção que. Na medida em que equivale a tendo em vista que. O que não existe é a mistura dessas duas expressões: à medida em que. 

As custas X À custa
As custas só se usa na linguagem jurídica para designar despesas feitas no processo. Portanto, devemos dizer: "o filho vive à custa do pai", no singular.

Um dos que foi X Um dos que foram
Um dos que deixa dúvidas. Há gramáticos que aceitam o emprego do singular depois dessa expressão. Mas pela norma culta, devemos pluralizar: "eu sou um dos que foram admitidos"; "Sandra é uma das que ouvem rádio". 

Bem-vindo X Benvindo
Ainda se vê muito, principalmente na entrada das cidades, a expressão bem vindo (sem hífen) e até benvindo. As duas estão erradas. Deve-se escrever bem-vindo, sempre com hífen. 

A meu ver X Ao meu ver
O certo é a meu ver e não ao meu ver. 

Afim X A fim de
Afim tem relação com afinidade: gostos afins, palavras afins. A fim de equivale a para: "veio logo a fim de me ver bem vestido". 

Vice-prefeito X Vice prefeito
O prefixo vice deve ser sempre separado por hífen da palavra seguinte: vice-prefeito, vice-governador, vice-reitor, vice-presidente, vice-diretor etc. 

Subsídio: S ou Z?
É comum ouvirmos no rádio e na TV o entrevistado dizer: "O que nos falta são subzídios". Quer dizer, fala com a pronúncia do z. Mas não é: pronuncia-se ss. Portanto, escreva subsídio e pronuncie subssídio. 

Retificar X Ratificar
Não se esqueça: retificar é corrigir, e ratificar é comprovar, reafirmar: "Eu ratifico o que disse e retifico meus erros". 

Pôr X Por
Pôr só leva acento quando é verbo: "Quero pôr tudo no seu devido lugar". Mas se for preposição, não leva acento: "Por qualquer coisa, ele se contenta". 


Fonte consultada: Fórum Amigos do Noivo.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Histórias inspiradoras de incentivo à leitura nas escolas



Se leitura vem bem próximo à palavra “inspiração”, conheça aqui atividades de algumas escolas que vão, sim, estimular educadores mas também todos os nós no incentivo à leitura. 
Podem copiar à vontade! E, se você tiver alguma história parecida para nos contar, aproveitem nosso espaço abaixo. 

Livro-presente 
No Colégio Cenecista Elias Moreira, em Joinville (SC), professores de crianças de 4 e 5 anos de idade pedem aos pais, no início do ano, uma quantia em dinheiro equivalente ao valor de um livro. No aniversário de cada criança da sala, então, presenteiam-na com um livro acompanhado de dedicatória feita por toda a turma. 

Personagem amigo 
Eleger um personagem como “amigo da turma”, para que vire tema de sala é outra iniciativa positiva praticada pelo Colégio Cenecista Elias Moreira. Histórias do personagem amigo são lidas, as crianças criam outras (em texto coletivo), vêm filme do personagem, discutem ilustrações que o caracterizam e criam quadrinhas para ele, de modo que se perceba a importância da pesquisa e do aprofundamento das leituras. 

Produção de livros 
Que tal as próprias crianças produzirem livros ao longo da vida escolar? Na escola Grão de Chão, os grupos produzem um diário de sala a cada ano, contando a sua história. Eles ainda fazem livros que sintetizam e registram projetos de trabalhos (dinossauros, casas, abelhas etc.) e têm a chance de produzir livros de reconto e criação de histórias.

O Prêmio: Vivaleitura! 
O Prêmio Vivaleitura acontece desde 2006 para promover e divulgar nos mais variados cantos do Brasil. No site do Prêmio, você encontra projetos relacionados à leitura em creches e escolas, que foram finalistas nos anos dos prêmios de 2006 ou 2007. 

Um berçário cheio de livros 
Os bebês do Berçário Municipal Mãe Cristina, de Marília (SP), estão aprendendo a amar a leitura. Dos clássicos da literatura infantil, como Branca de Neve, Pinóquio e a Bela e a Fera, às fábulas e histórias do folclore brasileiro, como O Boto Cor-de-rosa e o Negrinho do Pastoreio, os livros da escola são lidos para os bebês e também manuseados por eles.
A lição de casa é distribuída toda sexta-feira, na hora da saída, para os pais, um contingente de diaristas, comerciários, secretárias, vigias, operários e estudantes. Cada família recebe um livro da biblioteca da escola, que deve ser lido para os filhos durante o fim de semana e devolvido na segunda, com um relato da reação dos bebês.
Batizado de Meu Broto de Leitura... Leitura de Histórias, Contos, Poesias... Para Bebês, o projeto foi idealizado pela professora Creuza Prates Galindo Soares. Muitas vezes, os próprios pais são apresentados aos livros por causa do programa. Além disso, o Meu Broto de Leitura fortalece os vínculos entre os bebês e os pais e também aproxima a família da escola. 

Rimas com a Literatura de Cordel 
O projeto vencedor na categoria Escolas Públicas ou Privadas, Cordel: rimas que encantam, nasceu da necessidade de conhecer o repertório dos alunos da Escola de Ensino Fundamental João Pinto Magalhães, localizada em São Gonçalo do Amarante (zona rural do Ceará), para entender a melhor maneira de estimulá-los no processo de aprendizagem.
Ao perceber a passividade e a desmotivação com que seus alunos encaravam o ato de ler, Francisca das Chagas Menezes Sousa, idealizadora do projeto, resolveu investigar os motivos de tamanho desencanto pela literatura. Descobriu que uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos estudantes era conciliar seu “falar cotidiano” com a “linguagem escolar”. Concluiu que os jovens simplesmente não compreendiam um texto normativo por ser muito diferente de sua realidade lingüística. A solução? O cordel. Francisca apostou em textos que apresentassem uma oralidade familiar, isto é, a linguagem popular dos cordelistas da região, para desenvolver nos alunos as habilidades de leitura e escrita. “Não existe pessoa desmotivada, mas leitura que não agrada”, acredita Francisca. “Temos simplesmente que descobrir que tipo de texto conquista cada indivíduo.” 

Biblioteca no barco 
Uma biblioteca dentro do barco que leva diariamente os alunos para a escola, com acervo formado por doações. Foi assim que um mero meio de transporte se transformou em fonte de estudos e informação. Com o nome de Biblioteca Espumas Flutuantes, o projeto, iniciativa da prefeitura de Angra dos Reis (RJ), foi um dos cinco selecionados como finalistas do Prêmio VIVALEITURA, na categoria Bibliotecas Públicas, Privadas e Comunitárias.
A solução de incentivo à leitura funciona desde 1994 no barco Irmãos Unidos II, contratado pela prefeitura para levar diariamente crianças e jovens de praias da Baía da Ilha Grande para a Escola Municipal Silvestre Travassos, situada na Praia de Araçatiba. O barco sai do cais às 5h e chega à escola às 8h, depois de oito paradas. Na volta, deixa Araçatiba às 14h e ancora no cais ao entardecer. Durante as duas viagens, cerca de 100 alunos, monitorados por dois professores, podem fazer pesquisas escolares, empréstimos ou leitura livre. 

Estudantes gravam livros falados para deficientes visuais 
A descoberta da solidariedade a partir da tomada de consciência das diversas carências humanas. Foi o que aconteceu com os 46 alunos da 7º série de 2007 da escola particular Palmares, em Curitiba, Paraná.
A partir de uma série de reflexões feitas em sala de aula junto com a professora, eles foram para a ação. Instigados pela mestra, foram visitar a biblioteca pública do Paraná para conhecer o acervo público de livro falado, visitado no ano anterior. O responsável pelo setor, um deficiente visual, contou os meandros de produção deste acervo e suas principais carências. A artificialidade das narrações feitas por meio do computador, com voz sintetizada e a falta de voluntários para a gravação da leitura das obras, sensibilizou os alunos. “Meus alunos ficaram impressionados com a frieza dessa voz e pediram para ouvir um livro que tivesse sido gravado por voz humana”, afirma Vanessa Lopes Ribeiro, a professora de Português da turma, que havia iniciado um trabalho de gravações de livros com os estudantes da mesma série em 2006. O trabalho foi iniciado com ênfase em livros infanto-juvenis, os mais requisitados pelas bibliotecas do interior do Estado. Cada aluno escolheu dois livros, um para ser gravado na escola e outro em casa. Com isso, o número de livros falados do acervo da seção de braille da Biblioteca Pública do Paraná teve um incremento considerável. 

Os gibis como iniciação à leitura 
Utilizar o gibi como forma de iniciação à leitura. Essa foi a forma encontrada por três professores da rede municipal na cidade de Pompéia, localizada na região centro-oeste do Estado de São Paulo.
É o projeto Semeando o Prazer de Ler com as Histórias em Quadrinhos, que busca desenvolver nas crianças e nos pais o hábito e o gosto pela leitura, formando leitores por meio de momentos prazerosos de leitura nas unidades educacionais. Os quadrinhos mais utilizados são os da Turma da Mônica e os do Menino Maluquinho.
O projeto envolve diretamente 60 alunos da pré-escola e foi criado pelos professores Marcelo Campos Pereira, Rita de Cássia Souza Ribeiro Silva e Vilma Maria do Nascimento Vicentin, da EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil) Sonho de Criança.
Para ampliar o número de gibis disponíveis para os alunos, uma campanha batizada de Aqueça o Nosso Prazer de Ler foi difundida na cidade. Os organizadores conseguiram arrecadar 300 gibis pelos nos mais variados locais da cidade, como bancos, lojas e ginásios de esporte. 
Estava pronta a base da gibiteca de Pompéia, que inicialmente foi repartida entre três turmas da EMEI Sonho de Criança. Os alunos passaram retirar gibis e levar para a casa. O processo acabou por envolver de forma efetiva as famílias no projeto.
O passo mais importante foi levar os pequenos leitores e a gibiteca para outros lugares e contagiar outras crianças a desenvolverem o gosto e o prazer pela leitura. Foram criadas atrações à parte como o Trenzinho da Leitura, vagão que transporta as crianças caracterizadas de personagens da Turma da Mônica.
“Colocamos a gibiteca no trenzinho e saímos pela cidade visitando toda semana algumas unidades educacionais”, conta um dos mentores, Marcelo Campos Pereira. Segundo ele, essas ações, dentro e fora da unidade escolar, ajudaram a “semear” nas crianças o desejo pela leitura.


Texto de Marina Vidigal publicado originalmente no site Crescer.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Frase (XVII)


"Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por idéias." 


[Mário Vargas Llosa]

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Poesia (XV)


Dez chamamentos ao amigo


I
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

II
Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida altivez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora
Há tanto tempo sua própria tessitura.
Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.

III
Se refazer o tempo, a mim, me fosse dado
Faria do meu rosto de parábola
Rede de mel, ofício de magia
E naquela encantada livraria
Onde os raros amigos me sorriam
Onde a meus olhos eras torre e trigo
Meu todo corajoso de Poesia
Te tomava. Aventurança, amigo,
Tão extremada e larga
E amavio contente o amor teria sido.

IV
Minha medida? Amor.
E tua boca na minha
Imerecida.
Minha vergonha? O verso
Ardente. E o meu rosto
Reverso de quem sonha.
Meu chamamento? Sagitário
Ao meu lado
Enlaçado ao Touro.
Minha riqueza? Procura
Obstinada, tua presença
Em tudo: julho, agosto
Zodíaco antevisto, página
Ilustrada de revista
Editorial, jornal
Teia cindida.
Em cada canto da Casa
Evidência veemente
Do teu rosto.

V
Nós dois passamos. E os amigos
E toda minha seiva, meu suplício
De jamais te ver, teu desamor também
Há de passar. Sou apenas poeta
E tu, lúcido, fazedor da palavra,
Inconsentido, nítido
Nós dois passamos porque assim é sempre.
E singular e raro este tempo inventivo
Circundando a palavra. Trevo escuro
Desmemoriado, coincidido e ardente
No meu tempo de vida tão maduro.

VI
Foi Julho sim. E nunca mais esqueço.
O ouro em mim, a palavra
Irisada na minha boca
A urgência de me dizer em amor
Tatuada de memória e confidência.
Setembro em enorme silêncio
Distancia meu rosto. Te pergunto:
De Julho em mim ainda te lembras?
Disseram-me os amigos que Saturno
Se refaz este ano. E é tigre
E é verdugo. E que os amantes
Pensativos, glaciais
Ficarão surdos ao canto comovido.
E em sendo assim, amor,
De que me adianta a mim, te dizer mais?

VII
Sorrio quando penso
Em que lugar da sala
Guardarás o meu verso.
Distanciado
Dos teus livros políticos?
Na primeira gaveta
Mais próxima à janela?
Tu sorris quando lês
Ou te cansas de ver
Tamanha perdição
Amorável centelha
No meu rosto maduro?
E te pareço bela
Ou apenas te pareço
Mais poeta talvez
E menos séria?
O que pensa o homem
Do poeta? Que não há verdade
Na minha embriaguez
E que me preferes
Amiga mais pacífica
E menos aventura?
Que é de todo impossível
Guardar na tua sala
Vestígio passional
Da minha linguagem?
Eu te pareço louca?
Eu te pareço pura?
Eu te pareço moça?
Ou é mesmo verdade
Que nunca me soubeste?

VIII
De luas, desatino e aguaceiro
Todas as noites que não foram tuas.
Amigos e meninos de ternura
Intocado meu rosto-pensamento
Intocado meu corpo e tão mais triste
Sempre à procura do teu corpo exato.
Livra-me de ti. Que eu reconstrua
Meus pequenos amores. A ciência
De me deixar amar
Sem amargura. E que me dêem
Enorme incoerência
De desamar, amando. E te lembrando
- Fazedor de desgosto -
Que eu te esqueça.

IX
Esse poeta em mim sempre morrendo
Se tenta repetir salmodiado:
Como te conhecer, arquiteto do tempo
Como saber de mim, sem te saber?
Algidez do teu gesto, minha cegueira
E o casto incendiado momento
Se ao teu lado me vejo. As tardes
Fiandeiras, as tardes que eu amava,
Matéria de solidão, íntimas, claras
Sofrem a sonolência de umas águas
Como se um barco recusasse sempre
A liquidez. Minhas tardes dilatadas
Sobreexistindo apenas
Porque à noite retomo minha verdade:
teu contorno, teu rosto álgido sim
E por isso, quem sabe, tão amado.

X
Não é apenas um vago, modulado sentimento
O que me faz cantar enormemente
A memória de nós. É mais. É como um sopro
De fogo, é fraterno e leal, é ardoroso
É como se a despedida se fizesse o gozo
De saber
Que há no teu todo e no meu, um espaço
Oloroso, onde não vive o adeus.
Não é apenas vaidade de querer
Que aos cinqüenta
Tua alma e teu corpo se enterneçam
Da graça, da justeza do poema. É mais.
E por isso perdoa todo esse amor de mim
E me perdoa de ti a indiferença.


[Poesia retirada da obra Júbilo, 
Memória, Noviciado da Paixão, de Hilda Hilst

terça-feira, 10 de maio de 2011

Trecho selecionado (XIV)


"A sensação de sermos unos com a natureza animal, vegetal e mineral, e a satisfação de mergulhar nessa sensação, não é de todo degradante. É tão bom sentir pulsar dentro de nós toda a vida, e simultaneamente buscar aquela existência superior cuja realização só nos é possível sonhar ou pressentir!

Não permitis que considerem fantasmas os dois grandes pólos do homem, a verdade e a felicidade; quando sonhamos sonhos de felicidade, é certo já a termos conquistado.

A satisfação de uma paixão absolutamente pessoal é embriaguez ou prazer: não é felicidade. A felicidade é algo duradouro e indestrutível; caso contrário, não seria felicidade. Aqueles que gostariam de perpetuar a embriaguez e de incluir nela a felicidade, andam atrás do impossível. O êxtase é um estado excepcional cuja permanência nos mataria, e a natureza inteira depressa se eclipsaria sob a influência desse estado delirante."


[Trecho de Diário Íntimo, da escritora francesa George Sand]
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