I made this widget at MyFlashFetish.com.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FÉRIAS!


Assim como o fofíssimo cãozinho aí acima, cheguei ao meu limite. Volto em abril, com muitas novidades, resenhas de livros que lerei neste intervalo de tempo, promoções e muitas coisas boas. Aguardem!

Quanto a você, continue prestigiando o blog, nem que seja só um pouquinho, durante as semanas que se seguirão, para rever tudo o que foi postado em 2010. E que até lá e além, seu Ano Novo seja maravilhoso!

Obrigado por tudo, mais uma vez!

Marcelo Abreu

Poesia (XI)



Receita de ano novo 
  
Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 
Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumidas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 
Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.

[Carlos Drummond de Andrade]

Poesia perfeita escolhida pela amiga Rosa Santana, de Goiânia, GO,
para finalizar as atividades do blog este ano. Feliz 2011, Rosinha!
E um Feliz Ano Novo a todos! Obrigado por tudo!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Frases (XIII)


“Nós abriremos o livro. Suas páginas estão em branco. Nós vamos pôr palavras nele. O livro chama-se Oportunidade e seu primeiro capítulo é o Dia de ano novo.” 

[Edith Lovejoy Pierce]

Trecho selecionado (XI)


"Ser diferente do que somos, de tudo o que somos, é o desejo mais nefasto que pode queimar num coração humano. Pois a única maneira de suportar a vida é se conformar em ser o que somos aos nossos olhos e aos do mundo. Devemos nos contentar em sermos feitos de uma certa maneira e em sabermos que, uma vez aceita essa realidade, a vida não nos louvará por nossa sabedoria, ninguém nos conferirá uma medalha de honra ao mérito só porque nos conformamos em ser vaidosos e egoístas, ou calvos e barrigudos - não, em troca dessa tomada de consciência não obteremos prêmios nem louvores. Devemos nos suportar tais como somos, este é o único segredo. Suportar nosso caráter, nossa natureza profunda, com todos os seus defeitos, seu egoísmo e sua cupidez, que não serão corrigidos nem com a experiência e nem com a boa vontade. Devemos aceitar que nossos sentimentos não são correspondidos, que as pessoas que amamos não retribuem o nosso amor, ou pelo menos não como gostaríamos. Devemos suportar a traição e a infidelidade, e sobretudo a coisa que nos parece mais intolerável: a superioridade intelectual ou moral do outro."

[Trecho de As Brasas, de Sándor Márai]


Escolhido especialmente para o blog pelo amigo 
Fagner Leite, de Itaperuna, RJ. Obrigado, queridíssimo!]

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Resenha: O caso de Charles Dexter Ward


Cabalístico

Eis um livro recomendadíssimo para os fãs da literatura de horror. Se você ainda não conhece as obras de  H. P. Lovecraft, já é hora de fazê-lo, iniciando então com este O Caso de Charles Dexter Ward.

Trata-se de um livro não muito longo, tanto que a única edição brasileira em circulação no momento saiu pela L&PM Pocket, ótima editora especializada em livros de bolso. Mas, embora pequeno, a obra é dotada de um conteúdo poderoso que vai mexer bastante com os seus nervos.

A história do livro gira em torno da existência de um misterioso homem chamado Joseph Curwen, que viveu em Providence no século XVIII e que era possuidor de hábitos bastante estranhos e cabalísticos. Suspeitava-se, entre as pessoas da povoação, que Curwen realizava rituais satânicos ou coisas do tipo em sua fazenda, como vampirismo e canibalismo. Por conta destes boatos e do crescente número de fenômenos sobrenaturais em torno de sua morada, acabou sendo morto por populares em circunstâncias que durante séculos foram guardadas a sete chaves e esquecidas.

Porém, cerca de duzentos anos depois, um de seus descendentes diretos, o Charles Dexter Ward do título, promissor e apaixonado estudante de história de Providence, descobre por um acaso seu parentesco com o temido Curwen.  A vida do antepassado o intriga de tal forma que ele passa a investigar, por conta própria, os acontecimentos que cercaram o indivíduo e a comunidade há séculos atrás. Porém, depois de certo tempo, a vida de Charles, que outrora era promissora e feliz, muda radicalmente de rumo quando ele começa a adotar os mesmos estranhos hábitos de seu ‘ilustre’ familiar.

Para um primeiro contato com as obras de Lovecraft, este livro pode ser um pouco cansativo, pela quase inexistência de diálogos, já que se trata de um relato minucioso da vida de dois homens que se entrelaçam de tal forma que fica difícil, às vezes, distinguir quem é quem. Um livro perfeito, que prende o leitor, especialmente aquele que possui nervos de aço e que não se incomoda com mistérios e atmosferas sombrias.

Howard Phillips Lovecraft, o autor, é nascido em Providence, Rhode Island (1890-1937), interessava-se pela ciência e suas conquistas modernas e pelo ocultismo. Tão cultuado como Edgar Allan Poe, é autor de admiráveis histórias de terror e sobrenatural que influenciaram decisivamente o desenvolvimento da science fiction. Além deste O caso de Charles Dexter War, publicou, entre outros, The Tomb, The Lurking Fear, The Cream-Quest of Unknown Kadath e The Doom that Came to Sarnath. E alguns destes títulos estão disponíveis no Brasil, no idioma pátrio. Caso tenha curiosidade por eles, procure-os nas melhores livrarias ou sebos.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Resenha: O diabo veste Prada


That's all, Andrea

Adaptações cinematográficas hollywoodianas para determinados best-sellers de sucesso nem sempre são 100% fidedignas e, sinceramente, nem precisam ser. A linguagem cinematográfica, mais ágil e dinâmica que a literária, requer mudanças necessárias às tramas, sejam elas as mais sutis ou as mais drásticas. Mas que ajudem a  contribuir para um melhor desenrolar da história.

Em relação a O diabo veste Prada, isso aconteceu e confesso que achei ótimo. Tive o prazer de conhecer o livro antes de ver o filme e, terminada a sessão de cinema, pensei: quanta diferença! E confesso que ainda não cheguei, até hoje, a um consenso sobre qual é o melhor, se o livro ou o filme, mas a película está quase lá, ganhando o páreo. Teve o mérito de trazer uma maravilhosa Meryl Streep na pele da megera (bem mais humanizada) Miranda Priestly, quase que totalmente oposta à da obra original e de dar novos desdobramentos à história que a tornaram mais dinâmica sem perder o foco.

O livro foi escrito por Lauren Weisberger. Em seu currículo profissional, está o trabalho como assistente da poderosa editora da revista Vogue, Anna Wintour, que segundo as más línguas, inspirou Miranda. Assim, qualquer semelhança da obra com a realidade não é mera coincidência. Mas, voltando à obra, nela conhecemos Andrea Sachs, uma jovem recém-formada que conquista um emprego bastante cobiçado que representa o sonho de milhares de garotas que amam o mundo da moda: o de assistente de Miranda Priestly, reverenciada editora da Runway Magazine, a mais bem-sucedida revista de moda do mundo. Porém, logo ela percebe que a empreitada não será nem um pouco fácil, por conta do gênio irascível e das muitas manhas da glamorosa, mas tenebrosa Sra. Priestly, que jamais aceita um não como resposta e quer tudo a seu jeito, sem medir as conseqüências de seus atos, muitas vezes, arbitrários. Daí em diante, o inevitável começa a acontecer. Embora comece a figurar como uma profissional em franca ascendência no trabalho, pois trabalha feito uma louca para satisfazer sua chefa, a vida pessoal de Andrea começa a decair drasticamente, obrigando-a por de lado então o seu namorado (que no livro é professor de crianças problemáticas de uma escola pública), a sua melhor amiga Lily (com sérios problemas de alcoolismo e promiscuidade sexual) e sua própria família, perdendo até, nesse momento de sua vida, o nascimento de seu pequeno sobrinho.

O livro é um pouco cansativo, com detalhadas descrições sobre marcas, produtos, procedimentos e situações que remetem ao mundo da moda, chegando a ser um pouco rasteiro e tedioso em algumas passagens. Mas vale a pena ser conhecido na íntegra. Embora soe como futilidade aos ouvidos de algumas pessoas, o mundo da moda oferece um leque de possibilidades e curiosidades que com certeza encantarão até as pessoas mais leigas no assunto.

O diabo veste Prada, portanto, é uma leitura agradável, especialmente quando encarado como uma obra catártica, a respeito de crescimento profissional e de chefes implacáveis, pessoas muitas vezes sem um pingo de sensibilidade que adoram escravizar as almas alheias sem o menor escrúpulo.  E sobre o quanto são felizes aqueles que superam estes chefes e têm um final relativamente feliz. 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Resenha: Almanaque do Cinema (Omelete)


Item básico para cinéfilos


Desde que me recordo como usuário da internet, o site Omelete sempre me foi um grande referencial em termos de entretenimento e informação no mundo virtual, especialmente quando o assunto era cinema, quadrinhos, livros ou séries de TV.

Acompanhei com entusiasmo e fidelidade o florescer do site e até por conta disso abandonei de vez outras mídias, especialmente as impressas para ficar interado com as novidades do entretenimento.

Com sua evolução, seria natural o desdobramento de novos produtos relacionados ao site. E em 2009, eis que surge então o Almanaque do Cinema Omelete, lançado pela Ediouro e seguindo de perto outras publicações similares também lançadas pela editora, como os Almanaques dos Anos 70, 80 e 90, o Almanaque da Televisão, o Almanaque dos Seriados e muitos outros mais. Uma magnífica surpresa aos cinéfilos de plantão.

Apenas este ano tive a oportunidade de adquirir a publicação e no geral, achei muita boa, mas longe de ser excelente, pois senti algumas lacunas em seu conteúdo.

Com linguagem acessível a todos os públicos (do leigo ao mais cinéfilo), o almanaque inicia com um resumo muito bom da história do cinema, de seus primórdios até os dias atuais, seguido logo por uma listagem de cinqüenta filmes que seus autores, Érico Borgo, Marcelo Forlani e Marcelo Hessel, classificam como os mais relevantes de todos os tempos e que devem ser assistidos por todas as pessoas. A lista realmente é básica e bastante relevante àqueles que desejam se inteirar mais com a sétima arte e suas produções.

Seguem-se então capítulos com os perfis de diretores e atores consagrados do cinema e aqui notei algumas ausências significativas como Pier Paolo Pasolini, Tim Burton e Robert Zemeckis. Em seguida, há um longo capítulo onde são apresentada as profissionais do sexo feminino que aparecem nas telas, divididas então em três categorias distintas que achei até bastante justa, considerando suas performances e talentos pessoais. As mesmas, divididas em  atrizes propriamente ditas, musas e femme fatales, têm suas vidas brevemente retratadas,  enfatizando sempre, claro os filmes que participaram, as muittas curiosidades a respeito de suas vidas pessoais, alguns escândalos sexuais de praxe e demais informações relacionadas a bastidores. E o mesmo vale aos homens, caracterizados nos capítulos anteriores.

O almanaque ainda aborda temas como parcerias famosas entre atores e diretores (como Harrison Ford e Steven Spielberg), entre grupos de atores (como Os Irmãos Marx, Os Três Patetas), informações detalhadas sobre filmes de animação, trilhas sonoras, animais famosos do cinema, heróis, vilões, monstros, conquistadores, valentões e machonas da maior parte dos filmes que chegaram aos cinemas com êxito.

Fechando o almanaque temos algumas curiosidades, mistérios, histórias sobre festivais, premiações e rankings relacionados aos filmes, principalmente na época de seus lançamentos.

Como disse anteriormente, difícil é não perceber algumas lacunas aqui e ali, mas no geral, a obra excede expectativas. Sugiro sua aquisição e leitura por um público mais leigo, embora recomende a alguns experts que estejam dispostos a instruir novas pessoas para essa paixão que se chama cinema.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...